Aquela desculpa era tão esfarrapada que até mesmo Júlia achou impossível de engolir.
Imediatamente, ela começou a arranjar um pretexto para sumir dali o mais rápido possível.
— Então… Eu acabei de lembrar que marquei de conversar sobre um projeto com um cliente agora de noite. Vou indo na frente, tá?
E, mais rápida que um raio, fugiu dali sem sequer dar tempo para Nina processar.
Nina permaneceu plantada no mesmo lugar, perplexa, com o vento bagunçando os cabelos.
Sorridente, o Sr. Chagas insistiu: — Srta. Almeida, já que está no nosso caminho, venha de carona com a gente.
Com a gente?
Nina direcionou o olhar para o banco de trás do carro; havia uma silhueta masculina levemente discernível na penumbra, de postura relaxada e, ao mesmo tempo, extremamente nobre. Só podia ser Francisco Fontes.
Não seria coincidência demais?
Logo no momento em que as duas saíam, Francisco e o Sr. Chagas já as aguardavam ali fora.
De repente, a frase dita por Júlia veio à mente dela: “A eficiência da polícia hoje estava nas alturas”.
Será que foi ele quem…
Enquanto ela divagava em pensamentos, o Sr. Chagas já havia aberto a porta de trás para ela e convidado: — Srta. Almeida, por favor, entre no carro.
Sem hesitar mais um instante, Nina se curvou e entrou no veículo.
Havia algumas coisas que necessitavam ser esclarecidas.
Não muito longe dali, Gustavo, ao presenciar toda a cena, fechou os punhos com força, deixando os braços tensos ao lado do corpo e os lábios duramente comprimidos.
Yeda franziu a testa, aborrecida: — Ela mal assinou o divórcio com você e já pula abertamente dentro do carro do Francisco Fontes. Vai saber se os dois não estavam tendo um caso nas suas costas há tempos.
— Cale a boca!
Com uma sombra carregada encobrindo o olhar, Gustavo retrucou, como se estivesse tentando convencer Yeda e, ao mesmo tempo, a si mesmo: — Nina e Francisco são vizinhos desde pequenos; eles se conhecem há muito tempo.
Yeda exclamou surpresa: — Eles já se conheciam?
E eram vizinhos também.
— E por que a Nina nunca tocou no assunto? Ela escondeu isso de propósito!
Gustavo esfregou as têmporas e a advertiu com uma expressão gélida: — Nina decidiu não se vingar de você dessa vez, mas se você se atrever a aprontar de novo, não espere que eu poupe você apenas porque somos irmãos.
Revoltada, Yeda argumentou: — Quantas vezes eu vou ter que repetir para você acreditar em mim? Eu não fiz absolutamente nada!
Mas quem seria a vagabunda que armou aquela cilada toda para cima dela?

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