Verônica e Zélia haviam comparecido ao local naquele dia para a realização de um exame pré-natal.
A gestação mantinha-se em sigilo para com Gustavo. O pretexto usado por Rute Mendes era o pavor de provocar o temperamento colérico do rapaz a forçar a aborto do nascituro. Decidiu-se aguardar pela consolidação das semanas essenciais antes de divulgar a novidade.
A precaução parecia perfeitamente coerente a Verônica e Zélia.
Somando os envios frequentes de complementos ricos de vitaminas proporcionados por Rute, a concordância com o disfarce temporário dos fatos instalou-se suavemente à mercê das regalias oferecidas.
Foi justamente esta a razão para contornar qualquer suspeita e desviar seus trajetos as acomodações particulares pertencentes aos domínios da corporação de Mendes, procurando os amparos hospitalares em unidades ligadas às secretarias do governo.
O que jamais conjecturaria seria extrair algo de grande valor ao percalço inesperado.
A comemoração transbordada desmanchou aos primeiros empecilhos pensados ao encurvamento depreciado à testa.
— Nina rompeu seus contatos familiares, as raízes com Marcos já não possuem validade... Se ela descobrir que foi recolhida às vias orfanológicas o abalo será irrisório e a lesão imperceptível no final.
Pensando bem, aquela descoberta inesperada não servia para muita coisa.
Porém Zélia partilhava de conjecturas invertidas no que tange o impacto psicológico dessa fraqueza revelada.
Ela prosseguiu com uma argumentação pontual: — O afeto de Nina pela falecida beira o extraordinário; a insistência enlouquecida pelo acerto as minhas contas e punições decorrentes dos desfechos não teriam se prolongado nestes calendários repletos sem as doses vitais por sua figura feminina matriz.
Desferindo uns escárnios contidos, Zélia emendou: — Se abrirmos a caixa e escancararmos que a sua adoção envolveu ocultação da procedência; que aquela mulher carinhosa pela qual jurava o sacrifício e vinganças nem possuía o mesmo elo de filiação em sua genética reprodutora; será que as muralhas estruturais no psicológico não virão a derrocada aos seus olhos?
— Hum... — Verônica alimentava seus caprichos aos suspirar as expectativas desmedidas: — O ideal seria ela enlouquecer com isso e ir parar direto num hospício!
Assim, quando Gustavo visse o lado mais desprezível daquela vadia, só teria olhos para ela!
Satisfeitas, mãe e filha seguiram seu caminho para fora do prédio.
De repente, esbarraram com Caio Peixoto vindo na direção oposta.
O coração de Verônica deu um salto, e ela olhou para Zélia em busca de ajuda. Zélia bateu de leve em seu braço, sinalizando para que mantivesse a calma.
Respirando fundo, Verônica assumiu o seu habitual sorriso suave ao cumprimentá-lo: — Caio, o que traz você ao hospital?
Caio interrompeu os seus passos e respondeu: — Vim buscar um remédio para a minha mãe.
— A sua mãe não está bem?
— Pressão alta. É um problema crônico.
Terminada a troca de gentilezas, Verônica tentou seguir o seu percurso; no entanto, o olhar de Caio esbarrou pelo volume na sua área abdominal.
Por um momento de hesitação as suas sobrancelhas encurvaram para inquirir com timidez na voz fraca: — Você... Está esperando um filho?
A perplexidade dominou as engrenagens pensantes em Verônica as atropelando em gaguejadas desconexas: — Eu... Eu...

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