— Eu... eu só disse "e se" — os olhos de Verônica piscaram rapidamente e, de repente, ela ficou na ponta dos pés, oferecendo-lhe os lábios vermelhos. — Na verdade, você sente por mim mais que...
— Verônica, desculpe, tenho que ir agora. — Gustavo pareceu assustado com algo, empurrando-a com força, cambaleando e saindo às pressas pela porta.
Isso mesmo, ele fugiu, com o rosto pálido de pânico.
Empurrada contra a parede, Verônica ficou atônita no início, mas logo um sorriso surgiu em seus lábios.
Gustavo, se você não sente nada por mim, por que ficou tão abalado?
Admita, no fundo você tem sentimentos por mim. Você nunca me esqueceu!
Após fugir do quarto do hospital, Gustavo só se acalmou ao se sentar no banco do motorista.
Ele enterrou a cabeça no volante.
Verônica... Esse nome fora uma obsessão para ele. Por muitos anos, qualquer coisa que o fizesse ver ou escutar algo relacionado a ela o deixava pasmo por muito tempo.
Por isso, quando Nina sorriu timidamente para ele num encontro dos ex-alunos do ensino médio, aquelas covinhas rasas o acertaram em cheio.
A noite que tiveram ele sabia ser provavelmente um grande mal-entendido.
No entanto, ele se fez de desentendido e propôs espontaneamente se casar com a Nina.
Ele dissera a si mesmo que, na vida, o grande amor e a pessoa com quem se envelhece raramente são a mesma pessoa.
Sendo assim, qual era a diferença de casar com uma ou com outra?
Mas nunca, jamais pensou que Verônica voltaria à vida dele.
E se ele não tivesse se casado com a Nina há três anos...
Ele balançou a cabeça. Não, não existiam "e se".
Baixou a janela e se encostou no banco. Sentiu-se melhor com o ar quente entrando.
Não havia "e se". Agora Nina era sua esposa. Ele seria fiel a ela e envelheceriam juntos.
Bzz, bzz.
O celular vibrou no console central. Era uma ligação do Sr. Rocha.
Gustavo se forçou a ficar firme e atendeu:
— Alô, Sr. Rocha. Já chegou? Certo, chego em breve.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Divorciada No Dia Do Meu Casamento