— Antes eu era jovem e não tinha juízo, agora que acordei para a vida, tem algum problema nisso?
— Acordou mesmo?
Nina assentiu solenemente:
— Oliver, já que decidi retornar, não olharei mais para trás. Para mim, a coisa mais importante é assegurar o projeto do Grupo Horizonte.
Oliver deixou de lado a atitude relaxada e endireitou-se na cadeira:
— Não consigo decifrar as intenções de Francisco Fontes. Vamos entrar daqui a pouco, seremos curtos e grossos e faremos a pergunta de uma vez. Se ele não concordar, paciência. De qualquer forma, ele não é o único cliente na praça.
Nina baixou a xícara de café:
— Eu vou sozinha.
— Você sozinha? — indagou Oliver.
Ele acabara de fazer a pergunta, e Nina já estava saindo do balcão. Oliver a assistiu empurrar a porta e invadir sozinha o gabinete presidencial de Francisco.
Uma vaga suspeita surgiu em Oliver de que algo estava fora do lugar.
Onde estaria o erro?
Aparentemente... Nina comportava-se com demasiada naturalidade ao lidar com Francisco. Mais esquisito ainda era que Francisco para com ela soava meio... excessivamente amigável?
Aquela palavra podia não ser a certa, contudo, Oliver de fato pressentiu um vínculo estranho entre Nina e Francisco.
Todos diziam que Francisco era cruel, intocável, e não hesitava em aniquilar cruelmente até o próprio meio-irmão.
Mesmo assim, naquela manhã, ele e Nina haviam invadido a sala sem anunciar presença, um claro tabu que despertaria a cólera de Francisco, mas ele meramente contraiu a testa antes de lhes permitir a estadia.
Para piorar, após as boas-vindas na sala, ele por inúmeras vezes virou os olhos na direção de Nina, num movimento bem discreto.
Oliver afagou o próprio queixo.
Restava torcer para estar imaginando coisas.
Do contrário, ugh... Nina suportaria tão potente sedução?
Dentro do escritório do presidente.
Quando Nina abriu a porta para adentrar, Francisco fumava. Erguendo os olhos para encontrá-la, ele utilizou os dedos compridos para apagar o cigarro.
O palpite dela não havia falhado. "Reunião de emergência" não passara de um pretexto.
— Você veio me procurar...
— Eu vim te procurar...
Ambos iniciaram os diálogos ao mesmo tempo.
Nina relutou por uma fração de segundo:
— Pode dizer.

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