— Tia, o que a senhora quer dizer com isso?
Nina olhou para Rute Mendes fingindo confusão, afastou o cabelo longo do rosto e suspirou: — Acho que a senhora tem razão. Fui um pouco impulsiva. Vou pensar no assunto por um tempo e depois a procuro.
Rute de forma alguma aceitaria isso. Ela nunca gostou de Nina, e agora que finalmente tinha a chance de expulsá-la, não iria desistir tão facilmente.
Há pouco, só estava indignada com o fato de Nina ousar demonstrar tamanho desdém pelo seu filho.
— De onde você tirou esse dinheiro? — Rute mudou de assunto, balançando o cheque na mão.
Rute conhecia muito bem a situação da família de Nina. O dote de casamento fora dado diretamente à gananciosa madrasta da garota, sem qualquer chance de ser recuperado.
E Nina não havia trabalhado desde que se casou... Ah, tinha arranjado um emprego de assistente recentemente, mas ali estavam seis milhões. Nina poderia ser assistente a vida inteira e jamais ganharia tanto dinheiro.
Os olhos de Rute giraram, e seu rosto esfriou um pouco.
— Esse dinheiro... não me diga que o tirou do Gustavo?
— Fique tranquila — respondeu Nina. — Nestes últimos tempos, nós dois sequer...
(Moramos juntos.)
Quase deixou escapar o fato de que ela e Gustavo estavam separados. Deixa para lá, já iam se divorciar mesmo, não queria arrumar mais problemas.
Verônica Barros e Gustavo Mendes moravam juntos sob o mesmo teto todos os dias. Com a astúcia daquela mulher, era provável que ela e Gustavo até já estivessem esperando um filho.
Que este divórcio fosse o seu grande presente para a família Mendes.
Um leve sorriso despontou nos lábios de Nina. — Fique tranquila, a origem do dinheiro é limpa. Já que vamos nos divorciar, não vou querer nem mais um centavo do seu filho.
Se qualquer outra pessoa dissesse isso, Rute ficaria desconfiada. Mas, vindo de Nina, ela acreditava.
Afinal, jovens de origem humilde valorizavam a própria dignidade mais do que tudo.

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