O pomo de adão de Gustavo subiu e desceu. — Pare de falar merda. Já estou chegando ao camarote, vamos improvisar de acordo com a situação.
Caio Peixoto achou que enfrentariam uma batalha dura naquela noite. Até esfregara as mãos, preparado, e providenciara cinco garrafas de bebida importada, envelhecida há anos. No entanto, surpreendentemente, a negociação acabou em menos de vinte minutos.
Assim que o Sr. Rocha saiu dali todo sorridente com três contratos na mão, Caio fechou a porta com um estrondo.
— Meu Deus, Gustavo, você enlouqueceu? Três projetos multimilionários, entregues assim, de bandeja?
Ele passou a mão freneticamente pelos cabelos: — Tá bom, eu sei que a gente cresceu com o Ricardo e nossa amizade era muito forte. Nestes anos todos, tanto eu quanto você cuidamos bastante da Família Rocha. Mas... são três projetos milionários! Juntos, somam quase duzentos milhões! Você tinha parceiros de negócios muito melhores, e entregou tudo à Família Rocha! Como é que vai se justificar perante a diretoria do grupo?
A voz de Gustavo soava cansada: — Já estávamos arrastando isso por tempo demais. Não dava para enrolar mais. Fica assim, afinal, fechar parceria com um ou com outro é negócio do mesmo jeito, só que estamos perdendo uns três por cento de margem de lucro.
"Três por cento de lucro? Numa empresa pequena, as pessoas comeriam dez anos em cima disso!", reclamou Caio em pensamento.
Ele voltou a sentar-se no sofá, acendeu um cigarro e jogou as pernas compridas sobre a mesa: — E agora, o que você vai arrumar para a Verônica e o moleque?
— Arrumar o quê? Verônica tem um emprego e também tem economias. Não precisa da nossa intervenção, ela sabe se virar sozinha.
— Vai simplesmente virar as costas pra ela?
Gustavo hesitou por um momento: — Eu tenho a minha própria família.
Caio soltou uma risada sarcástica: — Sabe, sua esposa não é tão boba quanto você pensa. Falando francamente, o relacionamento dela com aquele Oliver Ferreira não me parece nada normal.
Gustavo uniu as sobrancelhas e, com a voz sombria, advertiu: — Pare de dizer bobagens. O Oliver é apenas o chefe dela.
Caio sentiu um desconforto. Antes, quando os amigos do círculo faziam piadas com Nina, insinuando que ela era uma camponesa que tinha pulado para os galhos altos e rindo de sua madrasta impresentável, Gustavo costumava apenas franzir a testa ligeiramente. Às vezes, pedia que não passassem dos limites, mas nunca falara de forma tão severa e grave quanto hoje.
A postura protetora era evidente.
O olhar de Caio se aprofundou. Será que o Gustavo realmente estava se apaixonando por aquela caipira?
Naquele momento, seu celular vibrou no bolso.
Ao ver de quem era a mensagem, apagou imediatamente o cigarro e usou a desculpa de ir ao banheiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Divorciada No Dia Do Meu Casamento