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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 471

Henrique encarou o desamparo e o pavor no fundo dos olhos de Tatiane. A respiração dela vinha rápida, quente, irregular. O corpo inteiro tremia, e as pupilas dilatadas pareciam tomadas por uma dor sem fim.

Os olhos dele se estreitaram quase imperceptivelmente. A voz saiu baixa, rouca.

— Do que você tem tanto medo?

Tatiane mordeu o lábio com força. Já não conseguia dizer nada. Lágrimas pesadas rolaram por seu rosto, enquanto o pouco de consciência que ainda lhe restava estava prestes a ser engolido por um impulso primitivo, impossível de conter.

Era como se inúmeras mãos a arrastassem para dentro de um abismo escuro.

Henrique cravou nela seus olhos escuros.

Tatiane estava à beira do colapso. A consciência se desfazia aos poucos. Os lábios, mordidos com força demais, já deixavam escapar um fio de sangue, como se aquela fosse sua última tentativa de resistir. Ainda assim, seus braços, alheios à razão, já haviam subido até os ombros dele.

Seu corpo se inclinava na direção de Henrique, tremendo sem parar, dividido entre a recusa e uma reação física que ela não conseguia dominar.

Os lábios dele pareciam a única fonte de água em meio a um deserto.

Henrique a observou em silêncio, vendo o olhar dela se tornar cada vez mais turvo. No fundo de suas pupilas escuras, uma sombra densa se moveu, carregada de desejo.

Até que os lábios de Tatiane tocaram os dele.

Henrique apenas acompanhou o movimento e, com facilidade, tomou sua boca.

As respirações se misturaram.

A consciência de Tatiane desabou de vez.

Foi nesse instante que a porta do quarto se abriu de repente.

A expressão de Henrique gelou na mesma hora.

— Henrique, não encosta nela!

A voz furiosa de Leandro explodiu dentro do quarto.

O grito puxou Tatiane de volta por um breve instante. Em sofrimento, ela se debateu e empurrou Henrique para longe. Seus olhos estavam tomados por uma dor desesperada.

— Não! Não! Urgh...

De repente, Tatiane cuspiu um jato de sangue, que respingou na camisa branca de Henrique.

No instante em que Henrique ficou atordoado, uma força violenta o arrancou dali. Logo depois, um soco o atingiu em cheio no rosto.

Henrique perdeu o equilíbrio e recuou dois passos.

A fúria queimava nos olhos de Leandro, mas ele não tinha tempo a perder. Tirou o próprio paletó às pressas, cobriu o corpo de Tatiane e a ergueu nos braços. Em seguida, atravessou o quarto a passos largos, direto para a porta.

Henrique desviou o olhar.

Não disse nada. Apenas retirou o braço da mão dela e caminhou direto para fora.

O gerente continuava parado ao lado da porta, de cabeça baixa, sem ousar erguer os olhos para o homem diante de si.

Ele também não tivera escolha. Leandro era alguém que ele tampouco podia se dar ao luxo de ofender.

— Rick!

Karine o chamou, com a voz embargada. De repente, correu até ele e o abraçou pela cintura, encostando-se às suas costas. Sua voz saiu quase suplicante:

— Rick, por favor... Eu te imploro, não me abandona.

Henrique não parou. Segurou as mãos dela, afastou-as de si e seguiu em frente a passos largos.

Karine ficou parada no mesmo lugar, sem conseguir fazer nada. As lágrimas escorriam sem parar por seu rosto enquanto ela via Henrique se afastar a passos firmes.

Leandro levou Tatiane às pressas para o hospital mais próximo.

O médico a examinou, solicitou uma lavagem gástrica e iniciou o tratamento com soro e medicação.

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