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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 853

Dois dias depois, Tatiane começou oficialmente a trabalhar na filial.

Naquele momento, ela precisava se manter ocupada. Felizmente, a adaptação à nova rotina foi mais tranquila do que imaginava. Quem estava repassando as demandas era Fábio, o gerente da unidade, um homem de cerca de quarenta anos. Até então, era ele quem cuidava do projeto em parceria com a empresa de Felipe.

Tatiane pediu que Fábio continuasse conduzindo tudo como antes. Se surgisse qualquer problema, bastava reportar a ela para que discutissem a melhor solução juntos.

Depois de vários dias de trabalho, a carga ainda não era pesada.

No fim de semana, Tatiane marcou uma consulta com uma psiquiatra. Falou sobre a dificuldade que vinha tendo para dormir à noite e sobre o sono leve demais. Talvez fosse por estar em um ambiente desconhecido. Ela ainda não tinha se acostumado completamente.

A médica ajustou a medicação.

Naquele dia, depois do expediente, Tatiane desceu pronta para voltar para casa de bicicleta compartilhada. Santa Vitória tinha muitas áreas verdes, e aquele clima lhe fazia bem. Nos últimos dias, ela vinha indo e voltando do trabalho pedalando.

Assim que saiu do prédio da empresa, porém, levantou os olhos e viu alguém parado perto da entrada.

Felipe usava roupas casuais em tons claros. Alto, elegante, com aquele porte naturalmente distinto e um rosto bonito demais para não chamar atenção, ele parecia deslocado no meio do fluxo de funcionários.

Era justamente o horário de saída.

Parado ali, Felipe atraía olhares sem esforço. Muita gente passava por ele e, mesmo tentando disfarçar, virava a cabeça uma segunda vez.

Felipe ergueu o pulso e conferiu as horas no relógio. Ao baixar a mão, viu Tatiane parada não muito longe, olhando para ele.

Seus olhos se iluminaram com um sorriso.

Ele caminhou depressa até ela e parou à sua frente.

— Tati, você saiu.

Tatiane desviou o olhar, não respondeu e continuou andando para fora do prédio.

Felipe a acompanhou.

— Vamos jantar primeiro. Reservei um restaurante.

Tatiane continuou sem lhe dar atenção. Seguiu em frente, olhando apenas para o caminho, como se não tivesse ouvido nada.

Felipe a observou por um instante, pressionou levemente os lábios e ficou ao lado dela sem insistir.

Quando chegaram à estação de bicicletas, Tatiane destravou uma pelo aplicativo.

Felipe logo pegou o celular para fazer o mesmo, mas era a primeira vez que usava aquele serviço. O cadastro demorou um pouco. Quando finalmente conseguiu liberar uma bicicleta, Tatiane já havia avançado uma boa distância.

Ele acelerou e logo a alcançou, pedalando ao lado dela.

— Você está se adaptando bem ao trabalho aqui?

Tatiane não respondeu.

Felipe continuou atrás dela.

Quando estavam prestes a entrar, Tatiane parou de repente. Virou-se para ele, ergueu a cabeça e franziu a testa, deixando claro que sua paciência tinha chegado ao limite.

Felipe baixou os olhos para ela. O rosto bonito continuava calmo.

— Eu também moro neste condomínio. Tati, se precisar de qualquer coisa, pode me procurar a qualquer momento.

O olhar de Tatiane esfriou. Sem dizer uma palavra, ela se virou e foi embora a passos largos.

Felipe ficou parado onde estava, acompanhando a silhueta dela se afastar, e soltou um suspiro profundo.

Quando Tatiane voltou para casa, o jantar já estava pronto.

Depois de comer, ela se recostou no sofá para assistir à televisão.

Foi então que o celular vibrou.

Tatiane olhou para a tela e viu o nome de Henrique.

Àquela hora, em Nova York, ainda era manhã.

Sempre que tinha algum tempo livre, Henrique mandava mensagens. Se Tatiane não respondia, ele ligava, como se precisasse saber o que ela fazia todos os dias.

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