Os dias seguintes foram uma verdadeira lua de mel.
No escritório, sempre que tinha uma chance, Dante puxava Lorena para um canto e a beijava não beijos rápidos, apressados, mas beijos profundos, urgentes, como se cada vez pudesse ser a última. Ela ria, fingia reclamar, mas sempre retribuía.
As coisas estavam intensas no trabalho. O lançamento do produto se aproximava, e a equipe trabalhava em ritmo de guerra. Mas, entre uma reunião e outra, entre um código e outro, eles encontravam tempo.
Seja no corredor vazio, seja na sala de café, seja no escritório dele com a porta trancada.
O amor, depois de oito anos esperando, não queria mais esperar.
Naquela noite, já passava das oito quando Helena apareceu.
O escritório de Dante estava mais vazio do que o normal, a maioria da equipe já tinha ido embora, exausta. Lorena revisava documentos na mesa ao lado, e Dante digitava algo no computador, a expressão concentrada.
- Pessoal - Helena disse, entrando sem bater. - Estou aqui para salvá-los desse vício em trabalho. Vamos jantar.
Theo estava sentado no sofá, revisando algo no tablet. Levantou os olhos.
- Hoje não posso. Tenho um compromisso.
- Que compromisso? - Helena perguntou, desconfiada. - Mais trabalho?
- Não, é pessoal - Theo respondeu, pegando uma pasta e batendo levemente na cabeça de Helena.
Levantou-se, pegou o paletó e se dirigiu para a porta. No corredor ele encontrou Clara, e os dois sairam juntos
Helena olhou para essa cena, depois para Lorena.
- Aqueles dois estão juntos?
Lorena sorriu.
- Eu também percebi alguma coisa no ar.
- E ninguém me contou? - Helena reclamou, fingindo indignação. - Sou a última a saber de tudo nesse grupo.
- Acho que eles ainda estão se conhecendo - Lorena disse.
Helena balançou a cabeça, divertida.
- Bem, pelo menos vocês dois podem jantar comigo. Vamos?
Dante se levantou, contornou a mesa e segurou a cintura de Lorena com uma naturalidade que já era costume.
- Nós também não vamos poder - disse.
- O quê?
- Também temos um compromisso.
Helena arqueou uma sobrancelha.
- Compromisso?
- Pessoal - Dante respondeu, com um sorriso enigmático.
Antes que Helena pudesse protestar, ele já puxava Lorena para fora da sala, os passos rápidos, quase apressados.
- Vocês são todos uns vira-casacas! Abandonam a amizade pelo amor! - Helena gritou atrás deles.
- Arruma um namorado logo - Dante falou por cima do ombro
Helena ficou sozinha no escritório de Dante.
Suspirou, pegou a bolsa e se dirigiu para o elevador.
- Esses dois, eu sempre levava eles de chaveirinho nos meus encontros, mal agradecidos - murmurou, balançando a cabeça.
No caminho, o segurança a cumprimentou com um aceno.
- Boa noite, senhorita Helena.
- Boa noite.

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