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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 147

Quando voltou para casa, Lorena tinha feito o jantar.

O cheiro de manjericão e tomate assado tomava conta da cozinha. A mesa estava posta com o cuidado de sempre. Era o tipo de cena que, em qualquer outra noite, teria aquecido o peito de Dante.

Mas havia algo diferente.

Nos últimos dias, Lorena estava mais calada. Dante já tinha notado claro que tinha. Ele percebia cada mudança no tom de voz dela, cada silêncio que se alongava um segundo a mais do que devia. Mas ela não queria se abrir. A princípio, ele imaginou que era a preocupação com o bebê, com a situação do hospital, com a espera pelo resultado do DNA.

Fazia sentido.

Mas havia mais alguma coisa ali. Ele podia sentir. No jeito que ela evitava o olhar dele. Na forma como as mãos dela se mexiam sem parar, ajeitando os talheres, dobrando o guardanapo, arrumando coisas que já estavam arrumadas.

Lorena sentou-se, serviu-se de vinho antes mesmo de provar a comida. Dante notou, mas não comentou. Ela encheu a taça de novo antes da metade do prato.

- A comida está maravilhosa - Dante tentou puxar assunto. - Digna de uma chef.

- Sim - respondeu, sem olhar para ele.

Dante observou em silêncio enquanto ela mexia o garfo na comida mais do que levava à boca. O olhar dela estava perdido em algum ponto, as mãos inquietas, o vinho descendo mais rápido do que deveria.

- Lorena.

Ela não respondeu.

- Lorena.

Ela piscou, voltando.

- O quê?

- O que está acontecendo?

- Nada.

- Você não come. Não fala. Não olha para mim direito.

Lorena colocou o garfo na mesa com um ruído seco. Os olhos marejados, o queixo trêmulo. O vinho tinha soltado alguma trava que ela mantinha fechada há dias.

- É o bebê - disse, a voz baixa. - Toda essa história… me fez lembrar.

Dante não perguntou do quê. Ele sabia.

- Eu nunca vou ser mãe - ela continuou, a voz falhando. - Eu já tinha aceitado isso. Tinha enterrado esse sonho, colocado uma pedra em cima, seguido em frente. Mas ver aquele bebê… ver ele ali, tão pequeno, tão sozinho…

Ela segurou a taça com força, os dedos brancos.

- Eu nunca vou sentir um filho crescer dentro de mim. Nunca vou ver o rostinho dele na primeira ultrassom. Nunca vou ouvir "mãe".

A voz se partiu.

Dante não disse nada. Apenas se levantou, contornou a mesa e se ajoelhou ao lado dela. Segurou o rosto dela com as duas mãos, afastando as mechas de cabelo que caíam sobre os olhos.

- Eu sinto muito - sussurrou. - Sinto muito que você esteja passando por isso.

Ela se jogou nos braços dele. O pranto veio silencioso primeiro, depois em soluços que sacudiam os ombros. Dante a apertou contra o peito, uma mão nas costas dela, a outra na nuca, prendendo-a ali como se pudesse absorver a dor.

Ficaram assim por um longo momento. O vinho esquecido na mesa. A comida esfriando.

Quando Lorena finalmente se acalmou, o cansaço tomou conta. O álcool e o choro pesavam nos olhos. Dante a carregou até a cama, deitou-a devagar, cobriu com uma manta. Ela agarrou a mão dele antes que ele se afastasse.

- Fica - murmurou, os olhos já fechando.

- Fico.

Ela dormiu em seguida.

Cento e quarenta e nove 1

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