Lorena assinou o termo com a mão trêmula.
As letras saíram tortas, o nome quase irreconhecível. Ainda assim, não esperou que a tontura passasse. O efeito dos analgésicos pesava na cabeça, deixando tudo lento, distante demais. Ficar ali era pior.
Ela jamais teria pisado naquele hospital se soubesse que o plano de saúde não cobriria o atendimento.
Um dos mais caros do país. Um lugar onde cada minuto tinha preço.
- A senhora pode ir - disse a recepcionista, empurrando a via do termo em sua direção. - O setor financeiro entrará em contato.
Lorena assentiu, sem ouvir direito.
Saiu apoiando-se na parede, ignorando o enjoo, ignorando o aperto no estômago que não era só físico. Do lado de fora, o ar da noite bateu em seu rosto como um choque.
Pediu um carro por aplicativo.
No banco de trás, abraçou a bolsa contra o peito. Por sorte, naquela bolsa que pegara pela manhã havia algumas centenas de reais em espécie. Não tocou no celular. A conta conjunta estava bloqueada e, embora ainda tivesse uma conta antiga só dela, sabia que qualquer movimento seria rastreado por Rafael.
Não vou dar isso a ele, pensou.
Quando o carro parou diante da loja, Lorena hesitou.
A fachada era estreita, mal iluminada. Um letreiro antigo anunciava: Compra de Ouro e Joias. A reputação do lugar nunca fora boa, mas havia uma certeza - ali pagavam em dinheiro vivo. Sem perguntas. Sem registros.
Ela entrou.
O homem atrás do balcão a avaliou rápido demais - o rosto pálido, a postura frágil, o tornozelo enfaixado. Viu necessidade. E necessidade sempre tinha preço.
- O que tem? - perguntou.
Lorena abriu a bolsa e colocou o anel sobre o vidro.
O anel de casamento.



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