Em seu lugar 30- Allah! Isso não é beijo de uma mulher da Europa

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Eu observo ele sair do meu quarto, caminhando com dificuldade, se segurando nas paredes.

Eu me sento na minha cama. Como um filme revivo tudo que passei, desde que cheguei à mansão. E chego a conclusão que só quem vivesse na pele o que eu vivi aqui, entenderia que eu não tive condições nenhuma de confessar nada.

Ele foi um juiz implacável e eu uma ré sem defesa. Mas, mesmo assim, a dor que vi nos olhos de Said, surte efeito e me sinto culpada. Além de aumentar minhas dúvidas com relação aos sentimentos dele.

Ele apenas me enxergava como uma empregada. Por que ele estaria então, tão magoado por eu não ter lhe confessado tudo?

Ele está realmente gostando de mim?

Ou seu ego está ferido?

Talvez sim, pois afinal, ele fora enganado por uma mulher.

Mas por que, quando ele descobriu tudo, não me acusou?

Então ele me ama?

Mas se me ama, por que me libertou?

Allah! Tudo é tão confuso!

Enxugo minhas lágrimas.

Não! Não vou chorar! Não mostrarei a ele, o quanto eu estou afetada.

Deito-me na minha cama. Só agora me dei conta que eles arrumaram outra cama para o quarto de Said, e não a minha. Ainda bem, assim eu terei um pouco de privacidade disponível quando eu quiser.

Suspiro com a imagem de Said caminhando com dificuldade.

Não posso ficar aqui deitada! Preciso ver se ele está bem. Se ele chegou bem no quarto.

Vou até o quarto dele. Conforme vou andando pelos corredores, agradeço a Allah por não o ter encontrado caído em algum lugar da casa. Quando finalmente alcanço seu quarto, o avisto deitado na grande cama.

Ele respira com grande dificuldade.

—Said, você se esforçou. Deve estar com dor.

Uma fina camada de suor sobre sua testa.

— Allah! Muita!

— Eu vou te dar mais um comprimido, mas não se acostume, só agora, porque abusou.

Ele não me diz nada. Seus olhos estão apertados e ele respira com dificuldade. Eu encho um copo de água da jarra, pego a caixa no criado-mudo e retiro um comprimido.

Me sento na cama.

— Tome!

Ele abre os olhos e com as mãos trêmulas pega o comprimido da minha mão e o coloca na boca. Eu o ajudo a tomar a água, segurando sua cabeça.

Coloco o copo no criado-mudo. Quando eu estou para me levantar, ele abre os olhos.

—Fique comigo.

Eu passo os olhos por seus volumosos cabelos negros, sua barba estilizada, seus lábios cheios e seus olhos negros pousados em mim. Lindo. Selvagem e ferido.

Ele pega uma de minhas mãos e a leva aos lábios. Beija a palma dela. Estremeço com o contato, me sentindo viva e quente por dentro. Ele não à solta e fica massageando minha mão com seus dedos longos de forma firme e segura.

— Eu não sou um tirano sem coração, como pensa.

Dou a ele um meio-sorriso. Said me observa por mais um tempo, então fecha os olhos.

Ele ainda respira com dificuldade, é normal devido ao seu estado dele. Por causa da minha profissão, eu estou acostumada em ver esses sintomas. Mas é Said ali, o homem que eu amo. É ele que está ali sofrendo. Isso me deixava angustiada.

Eu o admiro em silêncio. Seu nariz reto, a boca bem-feita, o queixo firme e o maxilar anguloso. Passo os olhos por seu corpo grande. Alto. Ele tem o corpo alongado e elegante, ombros largos e músculos definidos.

Suas mãos são grandes, os dedos longos. Deve ser um homem ardente e dominador na cama.

Aos poucos ele vai fechando os olhos e finalmente dorme, dopado tadinho, mas fazer o quê? Sua respiração está mais tranquila. Eu puxo devagar a minha mão da dele e depois de dar uma última olhada na sua figura tão frágil, saio do quarto e me dirijo a cozinha.

Salma, quando me vê entrar, pergunta:

—Said está melhor?

—Sim, está dormindo agora.

—Você não comeu nada. O almoço está pronto. Quer comer agora?

Eu aceno um sim. Preciso comer, mesmo que eu não esteja com vontade. Faço um prato com um ensopado de carne que Salma fez.

Allah! Maravilhoso.

De tão bom, acabo repetindo e acrescentando um pouco de arroz.

— Estava uma delícia.

A velha senhora sorri para mim.

—Essa receita é da minha mãe.

—Quando Said acordar, vou levar para ele.

—Ele adora esse ensopado, fiz por causa dele.

Eu sorrio de leve para ela e saio da cozinha. Vou até meu quarto e entro no banheiro. De frente ao espelho observo meu rosto. Estou abatida.

Suspirando, penteio meus cabelos e faço um rabo de cavalo. Escovo os dentes e me deito na cama. O relógio no criado-mudo marca uma hora. Fecho meus olhos, cansada.

assustada. Duas e meia da tarde. Me espreguiço, me sentindo ainda cansada, como se tivesse enfrentado uma árdua batalha, o corpo todo doído.

Preciso ver Said, ver se ele está bem e lhe oferecer o almoço.

Depois de acertar meus cabelos em frente ao espelho, encaro meu rosto. Sinto uma falta de me maquiar, das minhas roupas. Hoje pareço que estou sempre com a mesma cara. Sempre a mesma coisa.

Caminho sem pressa até o quarto de Said, na verdade, eu estou uma pilha de nervos. Bem, ao menos agora, Said sabe quem sou, talvez seja mais fácil lidar com ele agora do

Eu entro no quarto e não o encontro na cama. Ouço o barulho de descarga. Ele sai do banheiro bem descabelado. Nossos olhos se encontram e eu lhe dou um sorriso.

Não consigo erguer os braços, então não consegui pentear os cabelos.

abro meu sorriso cheio de humor.

— Por que quer pentear os cabelos? Vai à algum lugar?

Ele sorri.

—Não, não vou. Mas mesmo em casa não sou assim, desleixado.

Deita que eu penteio para você.

— Não precisa.

Ele se aproxima de mim como uma pantera negra e me puxa pela cintura. Me abraça. Para isso ele está bom! Eu fico quietinha olhando para ele, confusa, mole em seus braços, encosto a cabeça em seu peito, aspiro seu cheiro limpo. Fecho os olhos e minha respiração acelera, sentindo o coração dele acelerado como o meu. Fico com medo de me mexer e machucá-lo.

Ele me afasta um pouco e eu ergo meu rosto relutante para encontrar os olhos dele.

— Vai parecer loucura, se eu te disser que quero te conhecer melhor? Já que não tem mais nada a esconder.

— Me conhecer? De que jeito? —Pergunto confusa.

Minha expressão surpresa o fez dar um sorriso.

De todas as maneiras, mas também, a mais respeitosa possível. — Ele fita meus lábios. — Se não doesse tanto, eu me inclinaria agora, para tomar seus lábios. Se pudesse, eu te puxaria mais para mim. Se eu pudesse meus lábios estariam em todos os lugares do seu pescoço, do seu rosto. Exploraria seus lábios. Allah! Você me deixa louco.

Tento esconder o arrepio que percorre meu corpo. Forço um sorriso enquanto o calor de sua pele atinge os meus ossos. Abaixo minha cabeça e fecho os meus olhos por um momento, minha respiração acelera.

— O que me diz? — Perguntou novamente deslizando o polegar lentamente pela minha cintura, me causando arrepios.

Allah! Mesmo com uma costela fraturada ele é perigoso.

Eu ergo meu rosto e encontro os olhos dele, avaliando minha reação.

—Eu não sei. Hoje mesmo você me dispensou. Disse que eu poderia ir embora.

assente sério. Ele desliza suas mãos e pega as minha, olha para elas unidas.

—Disse, pois tive meus motivos.

fico emudecida por um momento, ele estuda

— E agora? Não os têm?

Ele respira com dificuldade.

me preocupar com eles. Só quero me aprofundar em conhecer a mulher que tem perturbado meu sono, que me tira do sério. Que me deixa louco, fora de mim. Passei muito tempo tentando bloquear sua imagem. Seu cheiro. Sua voz. A maciez da sua pele. Seu

para as nossas mãos por alguns segundos, depois balança

te espera na Inglaterra?

o coração acelerado aceno um não. Ele sorri

—Será que me odeia menos agora?

um frio na espinha ao ver a intensidade do olhar de

—Eu não te odeio.

Você gritou que me odiava, com todas as letras... você se

estava nervosa. Não disse

então? Não respondeu a minha

Sinto meu estômago dar um nó.

Eu o amo!

que ele se declare, que ele diga que me ama. Mas pensando bem, talvez seja muito cedo para isso e mesmo porquê, agora que ele conhecerá o meu

enche meu coração

para ele uma conquista? Por ser moderna, sem família, diferente das mulheres cheia de pudores que ele conheceu? Quando ele quiser se casar, eu serei a escolhida, ou serei apenas uma

eu for para a cama com ele, ele desistirá

É isso que ele quer?

só não ir para a cama com ele, então! E entender até que ponto ele gosta realmente de

— Eu aceito.

olhos negros se iluminam e posso ver neles o brilho

para responder. Pensei que