O ovo tocou a frigideira quente, e respingos de óleo saltaram diretamente nas costas da mão de Afonso.
Ele recuou a mão por reflexo, mas não emitiu nenhum som.
Naiara, contudo, não deixou o movimento passar despercebido.
Ao se aproximar e ver a marca de óleo na pele dele, franziu levemente a testa.
As mãos dele eram muito bonitas.
A proporção entre a largura da palma e o comprimento dos dedos era perfeita. Os nós dos dedos bem definidos, longos e elegantes, além das veias levemente aparentes, transmitiam uma clara sensação de força masculina.
Instintivamente, Naiara pegou um papel-toalha e limpou a gota de óleo com uma delicadeza ímpar, perguntando em tom suave:
— Doeu?
Afonso enrijeceu levemente sob o toque dela.
— Não doeu.
— Deixe que eu faço isso. Vá descansar — disse Naiara, assumindo a frente.
Ela percebeu que, por estar tão imersa nas próprias preocupações, havia se esquecido de perguntar se ele estava cansado.
Ou mesmo de questionar o que teria acontecido de tão grave para fazê-lo faltar ao compromisso deles.
— Vá esperar na sala. Aqui tem muita fumaça, vai te fazer mal — Afonso retrucou, tentando afastá-la do fogão.
O coração de Naiara apertou de forma estranha.
No passado, tudo o que ela mais queria era ser o alvo desse tipo de preocupação e carinho.
Mas agora, por que sentia aquela pontada de culpa?
— Não sou feita de vidro. Deixe comigo. Vai sentar à mesa.
Afonso foi irredutível.
— Eu faço. Inalar tanta fumaça e gordura faz mal ao bebê.
— O bebê também não é tão frágil assim. Deixe que eu termino.
— Eu termino.
Enquanto os dois disputavam o controle da frigideira, uma voz contida soou às costas deles.
— Ahn... se preferirem, eu posso fritar?
Os dois se viraram simultaneamente.
Breno estava com a mão levantada, feito um aluno do primário pedindo permissão para falar, aguardando a aprovação deles.
A cena foi tão inusitada que os dois não conseguiram segurar o riso.
Afonso voltou-se para Naiara, o tom mais brando:
— Está quase pronto. Vá me esperar lá fora. Seja boazinha.
Derrotada, Naiara cedeu.
Caminhou até a mesa de jantar e sentou-se comportadamente.
Pouco tempo depois, Afonso trouxe a travessa com os ovos fritos.
Nem um a mais, nem um a menos: exatamente seis.
Dois no prato de Naiara.
Quatro no de Breno.
Naiara ficou em silêncio por dois segundos. Ela sabia onde parar.
— Contanto que você esteja bem, é o que importa.
Afonso virou o rosto, admirando o perfil pálido e delicado da mulher ao seu lado.
— Ficou muito preocupada comigo?
Naiara baixou os olhos, brincando nervosamente com as pontas dos dedos.
— Um pouco.
Talvez fosse muito mais do que "um pouco"...
— Me desculpe — disse Afonso, a voz carregada de pesar.
Ele não podia revelar que a convocação do pai havia sido exatamente por causa dela.
Mais um sermão exaustivo.
Só que, dessa vez, a fúria do patriarca havia alcançado um novo patamar.
Tudo porque Afonso havia mobilizado uma força absurda, usando seus contatos mais perigosos, apenas para eliminar de vez aqueles que ameaçavam a segurança dela.
Naiara virou o rosto, perdendo-se na imensidão daqueles olhos escuros e profundos.
— Por que você vive me pedindo desculpas?
Quem deveria pedir desculpas era ela. Era ela quem sempre trazia problemas para a vida dele.
O olhar do homem suavizou-se, transbordando ternura.
— Porque eu fiz você se preocupar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...