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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 814

Ficaram muito tempo sem dizer uma palavra.

Naiara pensou exaustivamente numa forma natural de quebrar o silêncio. Depois de tanto raciocinar, soltou a frase mais trivial possível:

— Você já jantou?

Bem... aquilo definitivamente soou casual.

Os olhos de Afonso voltaram-se para o ventre saliente dela.

— Faltam quatro dias para completar oito meses de gestação, certo?

Ela ficou um pouco atordoada.

Ele lembrava com tanta precisão?

— Sim.

— Amanhã...

Ele engoliu o resto da frase. Se ele a impedisse de ir à fábrica, ela descobriria que Gualter estava atuando como informante.

— O que tem amanhã? — perguntou Naiara.

— Nada. Entre no carro.

O veículo cheirava a novo, e ela não resistiu à curiosidade:

— Trocou de carro?

— Comprei um a mais.

— O outro ainda era novinho. Já enjoou?

— Não sou de enjoar das coisas e correr para as novidades.

A resposta soou carregada de um duplo sentido gritante.

— Então por que comprou?

— Porque da última vez que fui buscar uma certa pessoa com o outro carro, ela se recusou a sentar no banco do passageiro. Tive que comprar um zero quilômetro. Além do Cícero, mais ninguém andou nele.

— Não me diga que você também se incomodou do Cícero ter sentado aqui.

Naiara tentou se explicar, morrendo de vergonha:

— Não é que eu tenha me incomodado. Apenas acredito que aquele banco é o lugar exclusivo de uma certa pessoa.

Afonso encerrou o assunto.

O carro deslizava suavemente pelo asfalto.

Naiara inclinou a cabeça levemente, admirando o perfil do motorista concentrado, e tentou quebrar o silêncio cortante de novo.

— Você anda muito cansado?

Com os olhos cravados na via à frente, ele respondeu:

— Mais ou menos.

As palavras escaparam dos lábios dela:

— Mas eu achei você muito mais magro.

Havia cavidades nítidas em suas bochechas.

Plantado no mesmo lugar, a feição do homem denunciava um raro constrangimento.

— Quando chegar a hora do parto... você pode me avisar?

Naiara sorriu abertamente.

— Eu já prometi a você que avisaria.

— Achei que...

— Afinal, você será o tio postiço da criança — provocou. — Quando nascer, você pode vir visitar com a sua noiva.

A garganta de Afonso travou. Qualquer resposta lhe pareceu fraca e sem sentido.

--

Só quando o carro arrancou e sumiu da vista, Carlos Lucca saiu das sombras.

Ele tinha presenciado a cena inteira.

Embora não pudesse ouvir o diálogo, a troca de olhares repleta de ternura reprimida e saudade inflamou seu ódio instantaneamente.

Com os nervos à flor da pele, Carlos foi até o apartamento de Zuleica.

Assim que ela abriu a porta, ele agarrou seu pulso com força e a arrastou até o sofá.

O coração de Zuleica afundou. Ela sabia perfeitamente o que viria a seguir.

Ao longo daqueles três meses, Carlos vinha frequentemente e a tomava à força, sem se importar com a dor dela.

Ele não queria apenas satisfazer um desejo biológico, mas usava o corpo dela como válvula de escape. Uma forma sádica de despejar toda a fúria desenfreada e o vazio devorador que o corroía por dentro.

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