[Contagem regressiva para o aniversário do marido: 7 dias]
A tela do celular acendeu e uma notificação apareceu.
Patrícia segurava uma grande caixa de papelão e procurava um canto pela casa para escondê-la.
Era um presente de aniversário que ela encomendou com dois meses de antecedência, querendo fazer uma surpresa para Lucas.
Patrícia se agachou e espiou por baixo da cama do quarto principal.
Havia uma pequena cápsula branca no canto debaixo da cama.
Patrícia esticou o braço para pegá-la e a colocou na palma da mão. A cápsula era pequena, menor que uma de remédio para resfriado, com superfície lisa e sem nenhuma inscrição.
Ela a examinou por um bom tempo, nunca tinha visto algo assim.
Pegou o celular, tirou uma foto da cápsula e abriu o reconhecimento de imagem por IA.
Quando o resultado apareceu, ela paralisou.
[Cápsula anticoncepcional feminina de uso externo, contém espermicida, substitui o preservativo.]
Patrícia ficou olhando para aquelas linhas de texto, com a mente em branco.
Ela nunca comprou nenhum produto desse tipo em sua vida.
Eles estavam casados há dois anos, mas nunca mantiveram relações íntimas.
Lucas passava os dias trabalhando ou viajando. Quando voltava para casa, estava sempre exausto e nunca se aproximava dela.
Patrícia apertou a cápsula na mão e ficou parada por um longo tempo, sem saber o que estava pensando.
O celular tocou de repente, trazendo-a de volta à realidade.
Sua tia Su Mingzhen chorava no telefone: — Patrícia! Vem logo para o hospital! Seu Tio Alberto desmaiou! O médico disse que ele precisa ser socorrido agora mesmo!
...
Do lado de fora da sala de cirurgia do Hospital Santa Luzia, pertencente ao Grupo Henriques.
— Familiares de Alberto Bittencourt! Os familiares de Alberto Bittencourt estão aqui?
A voz da enfermeira soou no fim do corredor, aguda e apressada.
Patrícia correu até lá. — Aqui, estou aqui.
— O paciente tem câncer de pâncreas, o estado é crítico e ele precisa de cirurgia imediata. — A enfermeira entregou um papel. — Este é o termo de consentimento da cirurgia, por favor, assine.
A mente de Patrícia zumbiu.
Como estudante de medicina, ela sabia muito bem: o câncer de pâncreas não tem sintomas prévios óbvios, e oitenta por cento dos pacientes já estão em estágio avançado quando a doença se manifesta.
Quando seus pais morreram em um acidente quando ela tinha doze anos, tudo se resumiu a um documento oficial também.
Ela era muito pequena, mal conseguia escrever o próprio nome.
A televisão na área de espera, que alguém havia ligado, estava transmitindo o noticiário.
— ...O espetáculo de fogos de artifício do centenário de Porto Real está acontecendo agora sobre a Baía...
Ela ergueu a cabeça. Na tela da TV, o céu noturno da baía era iluminado pelos fogos.
A imagem passou pelo mirante, lotado de pessoas.
A câmera de repente deu zoom.
Um casal estava de pé perto da grade, com os fogos estourando acima deles.
O homem vestia um sobretudo cinza-escuro e estava ao lado de uma mulher com belas costas, olhando para os fogos.
Aquele homem era Lucas. Seu marido.
A mulher ao lado dele era Sienna, seu primeiro amor.
A viagem a trabalho que ele mencionou era acompanhar Sienna a Porto Real para ver os fogos.
Patrícia encarou a tela, imóvel.
Ele abraçava outra mulher diante de todos, enquanto os fogos de artifício iluminavam o céu.
— Familiar! A assinatura! — A enfermeira apareceu novamente.
Patrícia olhou para o termo de consentimento, com as mãos ainda tremendo.

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