[Dois anos e meio depois…]
— Léo, vê se não suja essa roupa! Vamos sair em dez minutos! — Sara gritou da janela que dava para o quintal.
Do lado de fora, acompanhado por uma babá, o menino balançava entusiasmado no balanço que o pai havia construído na grande árvore. O riso leve dele preenchia todo o quintal, contrastando com a pressa da mãe.
— Tá bem, mamãe! — respondeu, sem parar de se divertir.
Sara soltou um suspiro e se afastou da janela. Mesmo assim, ainda lançou um último olhar, como se precisasse ter certeza de que estava tudo sob controle. Logo em seguida, voltou apressada para a sala.
As malas já estavam prontas, ainda assim, ela abriu uma delas mais uma vez, conferindo tudo com atenção. Passou a mão pelas roupas, ajeitou o que já estava dobrado, verificou os documentos, tudo de novo.
— Pode relaxar um pouco? — A voz de Renato soou tranquila, encostado na porta, observando cada movimento dela.
Sara nem olhou para ele.
— Como posso relaxar, se vamos ficar fora por mais de um mês?
Soltando um pequeno suspiro, ele se aproximou, percebendo de imediato que o nervosismo dela não era só sobre a viagem.
Ao se aproximar da esposa, segurou a mão dela com cuidado, interrompendo aquele movimento inquieto.
— Tem certeza de que está nervosa por causa disso? — perguntou, sério, buscando o olhar dela.
Sara tremeu.
— Claro que é… — respondeu, mas sem firmeza.
Renato estreitou os olhos levemente.
— Não minta para mim, amor — pediu, com calma.
Ela desviou o olhar por um instante, respirou fundo e então o encarou novamente, com um brilho diferente nos olhos.
— A verdade… — começou, um pouco insegura. — É que estou com medo.
— Medo de quê?
— Sei que estamos indo por causa do seu trabalho… mas voltar para a minha cidade… — fez uma pequena pausa, como se escolher as palavras fosse difícil — me deixa apreensiva. E se eu encontrar meus pais… ou a minha irmã?
Renato ouviu sem interromper. Seus dedos apertaram levemente a mão dela, como se quisesse lembrá-la de que não estava sozinha.
— Eles só vão ter algum poder sobre você se você permitir, Sara — disse, confiante. — Essas pessoas não significam mais nada na sua vida.
Ela assentiu de leve, mas ainda parecia dividida.
— Eu sei… — respondeu, mesmo sem convicção total.
— Além disso — continuou ele, tentando aliviar — a cidade é grande. E nós vamos ficar numa região nobre. Não acredito que eles sequer apareçam por lá.
Dessa vez, ela respirou mais fundo. Como se aquelas palavras começassem, aos poucos, a fazer sentido.
— Você tem razão… — disse, mais segura.
Renato observou o rosto dela por mais alguns segundos. Depois levou a mão até o rosto dela, afastando uma mecha de cabelo lentamente.
— E mesmo que apareçam… — completou, em um tom mais baixo — você não vai estar sozinha.
Os olhos dela suavizaram, mas ela continuou:
— O meu único medo é acabar esbarrando com eles quando eu estiver com o Léo… e eles tentarem jogar todo o ódio em cima do nosso filho.
A última frase saiu quase num sussurro.
— Ele é tão inocente…


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!