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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 244

[Dois anos e meio depois…]

— Léo, vê se não suja essa roupa! Vamos sair em dez minutos! — Sara gritou da janela que dava para o quintal.

Do lado de fora, acompanhado por uma babá, o menino balançava entusiasmado no balanço que o pai havia construído na grande árvore. O riso leve dele preenchia todo o quintal, contrastando com a pressa da mãe.

— Tá bem, mamãe! — respondeu, sem parar de se divertir.

Sara soltou um suspiro e se afastou da janela. Mesmo assim, ainda lançou um último olhar, como se precisasse ter certeza de que estava tudo sob controle. Logo em seguida, voltou apressada para a sala.

As malas já estavam prontas, ainda assim, ela abriu uma delas mais uma vez, conferindo tudo com atenção. Passou a mão pelas roupas, ajeitou o que já estava dobrado, verificou os documentos, tudo de novo.

— Pode relaxar um pouco? — A voz de Renato soou tranquila, encostado na porta, observando cada movimento dela.

Sara nem olhou para ele.

— Como posso relaxar, se vamos ficar fora por mais de um mês?

Soltando um pequeno suspiro, ele se aproximou, percebendo de imediato que o nervosismo dela não era só sobre a viagem.

Ao se aproximar da esposa, segurou a mão dela com cuidado, interrompendo aquele movimento inquieto.

— Tem certeza de que está nervosa por causa disso? — perguntou, sério, buscando o olhar dela.

Sara tremeu.

— Claro que é… — respondeu, mas sem firmeza.

Renato estreitou os olhos levemente.

— Não minta para mim, amor — pediu, com calma.

Ela desviou o olhar por um instante, respirou fundo e então o encarou novamente, com um brilho diferente nos olhos.

— A verdade… — começou, um pouco insegura. — É que estou com medo.

— Medo de quê?

— Sei que estamos indo por causa do seu trabalho… mas voltar para a minha cidade… — fez uma pequena pausa, como se escolher as palavras fosse difícil — me deixa apreensiva. E se eu encontrar meus pais… ou a minha irmã?

Renato ouviu sem interromper. Seus dedos apertaram levemente a mão dela, como se quisesse lembrá-la de que não estava sozinha.

— Eles só vão ter algum poder sobre você se você permitir, Sara — disse, confiante. — Essas pessoas não significam mais nada na sua vida.

Ela assentiu de leve, mas ainda parecia dividida.

— Eu sei… — respondeu, mesmo sem convicção total.

— Além disso — continuou ele, tentando aliviar — a cidade é grande. E nós vamos ficar numa região nobre. Não acredito que eles sequer apareçam por lá.

Dessa vez, ela respirou mais fundo. Como se aquelas palavras começassem, aos poucos, a fazer sentido.

— Você tem razão… — disse, mais segura.

Renato observou o rosto dela por mais alguns segundos. Depois levou a mão até o rosto dela, afastando uma mecha de cabelo lentamente.

— E mesmo que apareçam… — completou, em um tom mais baixo — você não vai estar sozinha.

Os olhos dela suavizaram, mas ela continuou:

— O meu único medo é acabar esbarrando com eles quando eu estiver com o Léo… e eles tentarem jogar todo o ódio em cima do nosso filho.

A última frase saiu quase num sussurro.

— Ele é tão inocente…

244: O passado fica para trás 1

244: O passado fica para trás 2

Foi ali que tudo começou.

Ela se lembrou claramente do dia em que chegou, vestida de noiva, sem os óculos, com o coração apertado e cheia de incertezas. Não sabia o que esperar, nem sabia quem Renato realmente era e muito menos o que seria da própria vida dali em diante.

A lembrança foi forte demais e, por um instante, parecia que o passado ainda estava ali, vivo, a observando.

Renato percebeu na mesma hora a forma como o olhar dela ficou distante.

Ele apertou o volante por um segundo antes de desligar o carro, ponderando se tinha feito a escolha certa ao trazê-la de volta para aquele lugar.

— Querida… — chamou, com cuidado.

Ela piscou algumas vezes, antes de se virar para encará-lo.

— Está tudo bem — disse ela, soando firme.

Renato a observou com atenção.

— Tem certeza? Podemos ir para um hotel, se você quiser.

— Não — rebateu rápido demais. — Está na hora de esquecer o que aconteceu aqui.

Sem dar espaço para mais perguntas, ela abriu a porta do carro, desceu antes que o marido pudesse insistir e deu a volta, indo direto até o lado do passageiro. Com cuidado, abriu a porta e se inclinou para pegar o filho, que dormia tranquilamente na cadeirinha.

— Vamos entrar — disse, ajustando Léo nos braços. — Já faz tempo que parei de olhar para trás. O que temos hoje foi construído com muito custo e é exatamente por isso que não pretendo desperdiçar.

Vendo a confiança com que a esposa expressava cada palavra, algo nele relaxou. Saiu do carro sem dizer nada e foi direto até ela, tirando Léo de seu colo com a naturalidade de pai que já não precisava pensar nos gestos.

— Deixa que eu o carrego — disse, ajeitando o filho no braço. — Esse menino está cada dia mais pesado.

244: O passado fica para trás 3

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