Mais uma vez, Renato ficou satisfeito com a resposta da esposa. Já fazia tempo que ele desejava um momento assim, só os dois, sem interrupções, sem o choro do bebê a cada hora, sem a rotina exigindo atenção o tempo todo.
Não que não amasse cada segundo ao lado do filho, mas sentia falta dela. Como mulher. Da conexão entre eles que, por tantas circunstâncias, acabava ficando em segundo plano.
Enquanto a observava à sua frente, iluminada pela luz do ambiente, percebeu o quanto aquilo fazia falta. Não era apenas sobre estar sozinho com ela, era sobre se reconectar, olhar nos olhos, conversar sem pressa, sentir aquela proximidade que ia além da rotina.
— Eu senti falta disso… — confessou, sem desviar o olhar.
Curiosa, Sara inclinou levemente a cabeça.
— Disso?
— De nós dois — respondeu, simples.
Ela ficou em silêncio por um instante, absorvendo as palavras.
— Eu também.
O garçom chegou com os pratos, servindo-os.
Enquanto jantavam, trocaram olhares discretos, sorrisos, pequenas conversas que não precisavam de muito para acontecer.
Quando terminaram, Renato recostou-se na cadeira, observando-a.
— Então… — disse, com um leve tom provocativo — Podemos subir para o quarto? Estou louco para provar a sobremesa.
— E o que você pediu? — Ela perguntou, inocente, o que só o deixou ainda mais animado.
— Você, querida… você.
As bochechas dela coraram no mesmo instante.
Envergonhada, ela desviou o olhar, levando a mão ao rosto por reflexo, com medo de que alguém tivesse escutado. Ainda assim, não conseguiu esconder o sorriso tímido que surgiu.
— Você não tem jeito — murmurou, tentando parecer séria, mas sem conseguir.
Satisfeito com a reação da esposa, ele soltou:
— Só estou sendo sincero.
— Vamos logo, antes que você fale mais alguma coisa assim — disse, levantando-se.
Animado, ele sorriu, acompanhando-a. E, lado a lado, seguiram em direção ao elevador, cheios de expectativas.
Quando chegaram em frente à porta da suíte, Renato parou por um instante e, antes de abrir, levou as mãos aos olhos dela, cobrindo-os.
— Ei… o que é isso? — perguntou Sara, sorrindo, já imaginando que vinha alguma surpresa.
— Confia em mim — disse ele. — Só quero te mostrar uma coisa.
Ela assentiu de leve, deixando-se guiar, curiosa com o que viria. Ao abrir a porta, ele a conduziu lentamente para o interior do quarto.
Renato afastou lentamente as mãos dos olhos dela.
Sara piscou algumas vezes, se adaptando à pouca luz e, quando finalmente enxergou com clareza, ficou completamente imóvel.
O quarto estava todo decorado.
Flores delicadamente espalhadas, pétalas sobre a cama, velas aromáticas criando uma iluminação quente. Em uma pequena mesa próxima à janela, havia uma garrafa de champanhe em um balde de gelo, acompanhada de taças e alguns doces. Tudo ali parecia pensado nos mínimos detalhes.
Surpresa, Sara levou a mão aos lábios.
— Renato… — murmurou, sem esconder a emoção. — Você planejou tudo isso?
— Eu queria que essa noite fosse diferente. Que você se sentisse especial.
Ela deu alguns passos pelo quarto, passando os olhos por cada detalhe, tocando levemente nas flores, absorvendo o ambiente.
— Isso é lindo — disse, voltando o olhar para ele.
— Você merece muito mais do que isso.
— Só isso aqui já é mais do que suficiente.
Ele pegou uma das taças, serviu o champanhe e entregou a ela.
— Um brinde a essa noite.
Sara hesitou por um segundo, sentindo o coração bater um pouco mais rápido, mas, dessa vez, não recuou. Aceitou a taça, erguendo-a.
— A essa noite… e a nós — disse ela, antes de levar a taça aos lábios e dar um pequeno gole na bebida.
O sabor da bebida ainda estava em sua boca quando foi surpreendida pela proximidade do marido. Renato não deu espaço para que ela pensasse muito. Segurou sua cintura com firmeza, puxando-a para mais perto, até que não houvesse mais distância entre os dois.
O gesto a fez prender a respiração por um instante.
— Agora — murmurou ele, com a voz quente contra o seu ouvido — vamos ao que interessa. Estou louco para ouvir seus gemidos sem você precisar se conter.
Sara sentiu o calor das palavras dele se espalharem pela pele antes mesmo de qualquer toque. Pousou a taça na mesinha ao lado sem tirar os olhos daquele olhar escuro e faminto que conhecia bem, mas ainda assim a desarmava toda vez.
— Prometo que não irei me conter — respondeu ela, em voz baixa.
Aquilo foi o suficiente.
Renato não precisou de mais nenhum convite. Tomou o rosto dela entre as mãos e a beijou com uma intensidade que a deixava sem chão. Largando os últimos vestígios de hesitação, Sara entrelaçou os dedos na nuca dele e se permitiu ser levada.
Na cama, ele a deitou devagar, mas havia pouca paciência nos gestos que se seguiram. As roupas foram sumindo rapidamente, e cada pedaço de pele revelado era recebido pelas mãos e pelos lábios de Renato como se ele tivesse esperado por aquilo a noite toda.
Sara arqueou o corpo quando ele percorreu o seu pescoço com a boca, descendo deliberadamente devagar, como se soubesse exatamente o efeito que causava. Ela prendeu a respiração, depois a soltou de uma vez, e com ela, veio o primeiro gemido.
— Assim — ele sussurrou contra a sua pele, com a voz rouca. — Quero ouvir tudo.
E dessa forma, sem se reprimir ou se esconder. Ela entregou a voz, o corpo, a vulnerabilidade inteira e Renato recebeu tudo com a mesma intensidade, levando-a para além de qualquer pensamento, qualquer preocupação, qualquer coisa que não fosse aquele momento.
Quando o ápice chegou, chegou junto, de modo que Sara se agarrou a ele como se precisasse de uma âncora.
Ela deitou a cabeça no peito dele, com a respiração ainda descompassada e o corpo pesado da melhor forma possível. Renato passou os dedos pelo seu cabelo, devagar, como quem não tinha nenhuma intenção de ir a lugar algum.
— Eu te amo — ela disse, quase num sussurro.
— Eu sei — respondeu ele, apertando-a um pouco mais. — Eu também.

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