Sara parou no mesmo instante, vendo a máscara da mãe cair em sua frente. Era isso, ela sentia, com uma certeza dolorosa, que a mãe nunca havia mudado. No fundo, Soraya continuava a mesma, utilizando as palavras para ferir, para provocar, para tentar inverter a situação. E aquilo só reforçava ainda mais a sua decisão. Algumas pessoas não mudam… e ela não precisava mais insistir em algo que nunca existiu de verdade.
— Pense o que quiser. Para mim, não importa… suas palavras não me machucam mais.
Soraya ficou indignada ao perceber que, dessa vez, não tinha conseguido atingir a filha.
— Você está se achando, não é? — retrucou, irritada. — Lembre-se de uma coisa, tudo que sobe, desce. Hoje sou eu que estou na merda, mas amanhã pode ser você.
Sem recuar, Sara respondeu na mesma altura.
— Eu já estive na merda. E saí de lá.
Fez uma pequena pausa, sem desviar os olhos.
— Sabe por quê?
Soraya não respondeu.
— Porque eu nunca precisei destruir ninguém para tentar me manter de pé.
Soraya sustentou o olhar, como se quisesse provocar mais, mas Sara não recuou.
— O dinheiro do Renato nunca comprou o meu perdão — continuou. — O que ele fez foi assumir os erros e provar, todos os dias, que queria fazer diferente.
Ela se levantou do banco e deu um passo à frente, diminuindo a distância entre as duas.
— Coisa que a senhora ou o meu pai nunca fizeram.
O sorriso de Soraya vacilou.
— Então não tente diminuir o que construí com ele. Porque isso diz muito mais sobre a senhora… do que sobre mim.
No instante em que Sara estava prestes a sair dali, Léo se aproximou da mãe, todo sorridente.
— Mamãe, mamãe… quero algodão-doce.
Os olhos de Soraya se voltaram no mesmo instante para o menino, que estava suado de tanto brincar. Ela o observou por alguns segundos e viu, com clareza, a semelhança dele com a filha.
— Então esse é o seu filho? — perguntou, dando um passo à frente.
— Não encoste nele! — Sara alertou imediatamente, puxando Léo para mais perto de si.
Contrariada, Soraya ergueu o queixo.
— Eu sou a avó dele, tenho o direito.
Fez menção de tocar no menino, mas Sara se colocou na frente no mesmo instante, impedindo qualquer aproximação.
— Você não me ouviu? — disse, agora com a voz mais alta. — Eu aceitei por anos o que a fez comigo… mas no meu filho, você não encosta.
Léo olhou de uma para a outra, sem entender, segurando a barra da blusa da mãe. Com cuidado, Sara o puxou para trás, protegendo-o com o próprio corpo, enquanto mantinha os olhos fixos em Soraya.
— Se o Renato sempre fez questão de te manter afastada de mim, é porque sabia quão mal você é — completou, firme. — A nossa interação acaba aqui.
Ela viu uma viatura passando próxima e aproveitou a oportunidade no mesmo instante.
— Ou a senhora sai daqui agora… ou eu vou gritar e chamar a polícia.
Soraya engoliu em seco. Pelo brilho firme no olhar da filha, percebeu que ela não estava blefando. Sara teria, sim, coragem de fazer aquilo.
Sem dizer mais nada, deu alguns passos para trás, ainda encarando a filha por um segundo e então virou as costas. Pouco depois, já tinha sumido de cena.
Sara só relaxou quando teve certeza de que ela tinha ido embora.
— Vamos embora, meu amor — disse, tentando manter a voz calma, enquanto abraçava o filho.
— Mas eu queria o algodão-doce… — ele disse, fazendo uma carinha triste.
— Aquele algodão-doce estava estragado — explicou, tentando manter a calma. — Conheço um lugar que tem uns bolos de chocolate deliciosos, você quer?
O rosto do menino se iluminou no mesmo instante.
— Êba! Amo bolo de chocolate!
Eles caminharam até o carro e, pouco depois, Sara já estava dirigindo. Seguiu por algumas ruas, ainda com o coração um pouco apertado pelo que havia acabado de acontecer, mas tentando focar no filho. Quando se aproximou de um semáforo, algo chamou sua atenção.
Seu corpo reagiu antes mesmo da mente entender. O coração disparou.
De longe, viu um rosto conhecido andando entre os carros, pedindo esmola.
Ela engoliu em seco.
Suas mãos começaram a tremer no volante. Por um instante, achou que estava vendo errado… mas não estava.
Era ele.
A respiração ficou irregular, e ela percebeu que não conseguiria continuar dirigindo daquele jeito. Sem pensar muito, desviou o carro para o acostamento e ficou parada, observando.
Quando o sinal abriu, o homem saiu do meio dos carros e seguiu para a calçada, bem próximo de onde ela estava.
A indignação veio forte, quase sufocante. Sem conseguir ignorar, ela soltou o cinto com rapidez.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!