Duas semanas depois.
Aos poucos, Sara foi se acostumando com a casa. Durante o dia, ficava sozinha com Léo, já que Renato estava sempre tomado pelo trabalho e eles só se encontravam à noite. Em um desses dias mais tranquilos, o filho começou a demonstrar tédio por ficar tanto tempo ali, já que estava acostumado com a liberdade que tinha na outra casa. Por isso, ela decidiu levá-lo a um parque que já conhecia na cidade.
Como Renato havia deixado um carro à sua disposição na garagem, para que pudesse ir e vir quando quisesse, ela resolveu sair dirigindo pela cidade. No caminho, foi tomada pela curiosidade e, quase sem perceber, seguiu em direção ao antigo bairro onde morava.
Ao entrar na rua, o coração acelerou. Aproveitando o vidro fumê do carro, passou devagar em frente à casa dos pais e teve a primeira surpresa ali. A casa estava praticamente abandonada, o jardim tomado pelo mato, lixo acumulado na frente e a pintura já desgastada pelo tempo. Presa na parede, uma placa chamava atenção: vende-se. Sara ficou alguns segundos olhando aquela cena, em silêncio, tentando entender o que havia acontecido ali.
Ela teve vontade de descer do carro e perguntar a algum vizinho o que tinha acontecido, mas a impaciência de Léo no banco traseiro fez com que deixasse aquilo para lá e seguisse para o parque.
Assim que chegou, o filho já desceu todo animado, correndo em direção a um grupo de crianças. Em poucos minutos, ele já estava enturmado, rindo e brincando como se conhecesse todos ali há tempos. Como não precisava dela naquele momento, Sara se sentou em um banco próximo e ficou observando de longe. Por mais que Léo não tivesse puxado a aparência do pai, a forma de ser era praticamente igual à de Renato. Ele tinha facilidade para fazer amizades, para se soltar, para se aproximar das pessoas. Ver aquilo a deixava feliz, porque não queria que o filho crescesse retraído como ela foi durante quase toda a vida.
Enquanto observava a cena, distraída, sua atenção foi cortada no mesmo instante em que ouviu alguém chamar seu nome.
— Sara?
O corpo inteiro se arrepiou.
Assim que virou o rosto, deu de cara com a mãe.
Soraya estava diferente. A expressão abatida, o rosto cansado e, nas mãos, alguns algodões-doces, como se estivesse vendendo ali no parque.
Aquilo a pegou completamente de surpresa.
— Sara… filha… é mesmo você? — Soraya disse, se aproximando um pouco mais, com os olhos começando a marejar.
A primeira reação de Sara foi de choque, tanto que não conseguiu responder nada. Ficou apenas encarando a mãe, em silêncio, ainda tentando entender aquela cena. Isso deu espaço para Soraya continuar.
— Meu Deus… quanto tempo que eu não te vejo… como você mudou…
O olhar da mulher percorreu Sara dos pés à cabeça, reparando em cada detalhe. A forma como estava arrumada, as roupas de grife, o cuidado na aparência, tudo contrastava com a imagem que ela havia guardado da filha.
Desconfortável com aquela presença, Sara desviou o olhar, na tentativa de deixar claro que não queria conversa e que a mãe fosse embora, mas Soraya não parecia ter a intenção de sair dali tão cedo.
— Filha… não vai falar comigo? — insistiu, com a voz emocionada.
— Não acredito que tenhamos algo para conversar — respondeu, mantendo o tom calmo.
Soraya pareceu sentir o peso daquelas palavras. Seus olhos piscaram algumas vezes, como se estivesse tentando recalcular a rota da conversa.
— Filha… eu só queria…
— Por favor — Sara a interrompeu, ainda sem encará-la diretamente. — Eu não estou aqui para conversar.
A resposta não foi agressiva, mas ela disse num tom bem seguro.
Soraya ficou em silêncio por um instante, mas decidiu insistir.
— Eu entendo — sussurrou, mesmo que claramente não estivesse pronta para aceitar. — Sei que ainda tem suas mágoas contra mim, mas saiba que eu me arrependi de tudo o que aconteceu. Eu fui atrás de você várias vezes, tentei te pedir perdão.


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