Mais calma, Sara estacionou o carro em frente a uma doceria e desceu com o filho, que já estava todo animado, olhando tudo ao redor com curiosidade.
— Peça o que quiser. Hoje vou deixar você comer doces — disse, sorrindo.
— Êba! — o menino comemorou, batendo palminhas.
Ele correu até o balcão, ficando na ponta dos pés para enxergar melhor a vitrine. Seus olhos brilharam ao ver tantas opções.
— Eu quero esse! — apontou para uma fatia generosa de bolo de chocolate. — E aqueles também! — completou, agora indicando alguns donuts coloridos.
— Tudo isso? — perguntou, arqueando levemente a sobrancelha.
— Só hoje, mamãe — ele respondeu, fazendo uma carinha fofa do jeitinho que sabia que funcionava.
— Está bem.
Sorridente, ela se aproximou do balcão e fez o pedido de tudo o que o menino queria. Não costumava dar doces para o filho, mas aquele dia merecia uma coisa diferente.
Enquanto o atendente separava os pedidos, ela observava Léo encostado no balcão, impaciente, esperando os doces.
— Mamãe, olha! — Léo chamou, mostrando o prato cheio assim que o atendente entregou.
Ela sorriu de leve.
— Vamos sentar.
Eles foram para uma mesa próxima à janela. Léo nem esperou muito e já deu a primeira mordida no bolo, sujando o canto da boca com chocolate.
Sara pegou um guardanapo e limpou com cuidado.
— Devagar, senão vai passar mal.
— Não vou — respondeu, com a boca cheia.
Ela balançou a cabeça, rindo baixo.
Enquanto olhava para o filho concentrado, devorando o bolo, Sara não deixava de pensar no marido. Embora ele nunca tivesse tocado no assunto, Renato vinha agindo em silêncio. Além de afastar qualquer familiar que tentasse se aproximar por interesse, também havia buscado, à sua maneira, justiça pelo que Humberto havia feito. Naquele momento, ela percebeu o quanto era amada e como ele fazia de tudo para protegê-la, sem exigir nada em troca, sem pressioná-la a reviver dores que ela tentava deixar para trás.
Naquele momento, seu peito se aqueceu de gratidão e alívio, por perceber que havia feito a escolha certa, quando decidiu perdoar Renato. O que ele fez era a certeza de que, mesmo com todos os erros do passado, provava, todos os dias, que havia se tornado alguém melhor para ela e para o filho.
Quando percebeu que o filho já estava quase terminando, ela fez um gesto para o atendente se aproximar.
— Você pode separar um bolo inteiro para viagem? — pediu, olhando rapidamente a vitrine. — Aquele de chocolate.
O homem assentiu e foi providenciar.
Sara voltou a olhar para Léo, que já diminuía o ritmo, satisfeito, com o prato quase vazio.
— Já acabou?
— Já… — respondeu ele, limpando a boca com o guardanapo. — Estava muito bom.
Ela acariciou o cabelo do filho, pensativa.
Queria fazer algo diferente naquela noite. Algo simples, mas que tivesse significado.
Não tocaria no que havia acontecido mais cedo. Nem na mãe, nem em Humberto. Não queria trazer aquelas sombras para dentro da casa, nem estragar a paz que conseguiu construir. Mas sentia a necessidade de mostrar algo como gratidão e reconhecimento. Porque, depois de tudo que ouviu e viu naquele dia, ficou ainda mais claro o quanto Renato havia feito por ela e continuava fazendo, mesmo sem dizer uma palavra.
Quando o atendente voltou com a caixa do bolo, ela pegou e pagou.
— Vamos, meu amor?
Léo assentiu, já mais calmo depois do doce.
No caminho de volta, dirigia com mais tranquilidade. Naquele momento, só queria chegar em casa e preparar uma surpresa para o marido, no entanto, assim que o portão da mansão se abriu, viu que o carro de Renato já estava ali.
Assim que ouviu o barulho do carro da esposa entrando na garagem, Renato saiu de dentro da casa com um sorriso no rosto.
Sara desceu do carro e retribuiu na mesma hora.
— Chegou mais cedo?
— Cheguei… — respondeu, aproximando-se. — Fiquei com saudade de vocês e decidi abandonar o trabalho por hoje.
Sem esperar, inclinou-se para beijá-la carinhosamente.
Ela sorriu de leve ao se afastar.
— Que coincidência… — disse, olhando para ele. — Porque eu também senti saudades de você hoje, mais do que nunca.
Enquanto falava, deu a volta no carro e abriu a porta de trás, inclinando-se para tirar o filho da cadeirinha.
Léo dormia profundamente. Seu rostinho estava relaxado após uma tarde inteira de brincadeiras e doces.
— Ele apagou — comentou, ajeitando o menino nos braços.
Renato se aproximou, observando a cena com um olhar tranquilo.
— Imagino… deve ter se divertido bastante hoje.
— Bastante — respondeu, ainda com um leve sorriso, mas com um brilho diferente no olhar. — Vou colocá-lo na cama.
— Deixa que faço isso — disse Renato, já se aproximando para pegar o filho dos braços dela.
Mas Sara deu um leve passo para trás.
— Não… deixa que faço — respondeu. — Vai até o banco da frente e pega algo que comprei para você.
Curioso, Renato franziu levemente a testa, enquanto se dirigia até a porta do carro. Sara entrou na casa com cuidado, levando Léo nos braços.
Ao abrir a porta do passageiro, ele viu a caixa e o bolo, bem embalado, bonito e claramente escolhido com carinho.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!