A palavra "lixo" congelou o sorriso de Lydia, deformando sua expressão doce num esgar de rancor.
A condescendência fria e inabalável nos olhos de Helen doía mais que qualquer ofensa gritada.
Era como se tudo o que Lydia batalhara para conquistar não passasse de bugiganga aos olhos da outra.
"Ah, e tem mais uma coisa", disse Helen, lançando um olhar de desprezo ao vestíbulo luxuoso antes de retornar os olhos para Lydia com uma risadinha debochada. "Esse título glorioso dos Morgan ao qual você se agarra… e o noivo que tanto se esforçou pra conquistar…"
Seus lábios desenharam um sorriso ainda mais cortante. "Agarre-se bem a eles, Lydia. Não os deixe escapar."
O rosto de Lydia empalideceu, distorcido de raiva a ponto de quase perder a compostura.
Ela se lançou contra Helen, a mão armada num tapa furioso—mas parou ao notar uma sombra junto à porta.
Num piscar de olhos, sua postura mudou. Como uma corça assustada, desabou no chão com um suspiro dramático, os olhos lacrimejantes. "Helen, eu... eu só queria pedir desculpas, implorar para que você não odiasse a Mamãe e o Papai... C-Como você pôde..."
"Helen!"
A voz de Sienna surgiu em seguida, carregada de indignação. Ao ver a filha querida caída, correu até ela. "Depois de tudo o que fizemos por você, como se atreve a agredir a Lydia?!"
Helen viu Sienna envolver os braços em torno da filha como se a protegesse do mundo, encobrindo o rosto com um manto de falsa preocupação maternal. Um traço de sarcasmo atravessou os olhos de Helen.
Se isso tivesse acontecido meses atrás, talvez ela tivesse vacilado, buscado entender, tentado com mais afinco agradar.
Mas aquela necessidade havia morrido fazia tempo.
"Chegou bem na hora."
Ela vasculhou a mochila de lona e tirou uma pequena caixa de veludo vermelho.
Sem cerimônia, deixou-a cair aos pés de Sienna.
A tampa se abriu e um colar de pérolas exagerado rolou para fora.
"Devolva a quem mandou."
Era o colar que Sienna lhe dera aos dezoito anos, sem pensar muito.
Mesmo naquela época, Helen sabia que não fora escolhido por carinho.
Ainda assim, o guardara com zelo, como se fosse algo precioso.
Agora? Já não significava nada.
Sienna fitou o colar sem entender. Nem se lembrava da ocasião ou do presente.
Mas o gesto—devolvê-lo daquela forma—foi um insulto direto.
"O que está fazendo, Helen? Viveu no lugar da minha filha por vinte anos! Que direito tem de agir assim?"
"Eu era um bebê. Não tive escolha. A pergunta é: como uma mãe não reconhece sua própria filha?" A risada de Helen foi seca. "Talvez esteja na hora de fazer um check-up completo, Sienna. Não ia querer que esse tipo de cegueira passasse de geração em geração, certo?"
A expressão de Sienna escureceu. Sua voz saiu em um grito estridente. "Sua...! Então esse é seu verdadeiro eu! Fingiu esse tempo todo! Agora que não tem mais utilidade, revela quem realmente é!
"Ingrata! Seu lugar é no meio do mato! Levar uma vida simples é o que você merece!
"E não ouse nunca mais voltar a rastejar para esta família!"
O olhar de Helen era um bloco de gelo. Um sorriso lento e cortante se desenhou em seus lábios vermelhos—frio como uma lâmina, perigoso e silencioso.
A intensidade daquele olhar fez Sienna dar um passo para trás, instintivamente assustada.
"Quem é que iria querer?" Helen respondeu com desdém.
"O que quer dizer com isso?!" Sienna guinchou, incrédula.
"Quero dizer que os Morgan, com todo o orgulho que você sente por esse nome, não significam nada pra mim." O sorriso de Helen se alargou, belíssimo e cruel. "Resumindo: você é uma completa tola, Sienna."
Helen agarrou o pulso de Sienna com facilidade, depois a empurrou para o lado, fazendo-a tropeçar como uma boneca desarticulada.
Sienna caiu sobre Lydia, as duas desmoronando no chão frio de mármore num amontoado desajeitado.
Helen as observou do alto, um retrato de elegância glacial no meio do caos.
Seu rosto exibia uma expressão de frieza divertida—um brilho feroz que a tornava perigosamente bela.
"Você que pediu por isso", disse a Lydia, com um tom doce e debochado. "Queria ser a vítima inocente. Só estou ajudando você a refinar a atuação."
Quando Lydia reapareceu pela primeira vez, Helen realmente quis se dar bem com ela.
Fez de tudo para agradar, cedeu em tudo, esperançosa por construir um laço de irmãs.
Mas Lydia usou a doçura como arma, encarnando a coitada indefesa. Com lágrimas e discursos cuidadosamente ensaiados, foi virando os Morgan contra Helen, dia após dia.
Helen suportou tudo—porque se importava, porque não queria causar mais dor à família.
Naquele tempo, os Morgan eram tudo para ela.
Agora? Nada.
E Lydia? Menos ainda.
"Você mesma pediu, não foi?" Helen disse com desprezo. "Pois aí está. A não ser, claro, que toda aquela conversa de 'me bate, grita comigo' fosse só teatro para a Sra. Morgan. Foi?"
O rosto de Lydia se torceu entre raiva, vergonha e medo. "C-C-claro que não! Eu só não queria que você..." ela gaguejou, segurando a bochecha avermelhada.
"Então aguenta", cortou Helen, impiedosa.
"Poupe esse showzinho de inocente. Pode enganar os Morgan… mas a mim, não.
"E agora, minha querida 'alma pura'... se quiser manter esse rostinho intacto, é bom ficar fora do meu caminho da próxima vez. Entendeu?"

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