Nadine, em silêncio, culpava Tess por toda a frustração que sentia.
Assim que entrou no salão, percebeu que algo estava diferente. Não se sentia confiante como de costume, pelo contrário, estava tensa, inquieta. Seus olhos percorriam o ambiente, procurando por Finn.
Mas antes mesmo de encontrá-lo, alguém avisou que o leilão estava prestes a começar.
Não muito longe dali, Tess observava tudo claramente.
De pé ao lado de uma grande bananeira ornamental, com Layla nos braços, ela franziu levemente a testa.
Por que Nadine está sozinha? Onde está o Finn? Ele não vem?
Tess se perguntou, mas logo afastou o pensamento.
Afinal, Finn era o homem mais rico de Aetheris, não comparecia a todos os eventos para os quais era convidado.
Deixando isso de lado, Tess foi a primeira a notar um leve cheiro de tabaco próximo dali.
“Oi, tudo bem? Veio sozinha?”, perguntou um desconhecido, com um tom curioso e empolgado.
Tess piscou e virou o rosto em direção ao homem de rosto largo.
Ao ver o rosto dela, os olhos dele brilharam, admirando sua beleza.
Mas o interesse durou pouco, bastou notar a criança em seus braços para a empolgação sumir.
Como assim... Ela tem uma filha?
O interesse morreu na hora, e ele murchou, claramente decepcionado.
Tinha visto uma mulher linda sozinha e quis tentar a sorte, mas acabou descobrindo que era casada.
“Posso ajudar em alguma coisa?”
Tess franziu o cenho, desconfortável com o olhar descarado do homem, e seu semblante ficou frio.
Ela não sorriu, tampouco retribuiu o flerte, o que o irritou visivelmente.
Ele endireitou o corpo e zombou: “Ah, deixa pra lá! Perda de tempo falar com uma mãe como você!”
A arrogância dele quase fez Tess rir.
Só estou parada, foi ele quem veio me incomodar.
Seu cenho se suavizou, mas o olhar se tornou cortante. Ela o encarou com tanta frieza que o homem estremeceu.
Ele passou a mão pelos próprios braços, arrepiado, e resmungou: “Tanto faz! Aff!”
Virou-se para ir embora.
De repente, uma grande mão pousou firme sobre seu ombro.
“Sério? Você incomoda uma mulher e ainda quer sair de boa? Eles nem verificam quem entra? Qualquer parasita pode circular por aqui?”
O homem tremeu e assentiu repetidas vezes.
Abel sorriu de leve, mas sem o menor traço de calor no olhar. “Segurança, tirem ele daqui.”
Fez um gesto preguiçoso com a mão. “Não quero ele aqui dentro.”
Os olhos do homem se arregalaram.
Sua família era apenas uma pequena casa nobre de Aetheris, e o negócio vinha decaindo geração após geração. Esse leilão era sua chance de se aproximar de grandes investidores.
Ser expulso seria um desastre!
O pânico tomou conta dele.
Mas o salão ficou em silêncio, e só quem estava mais perto cochichava discretamente.
Marvin Pierce, esse era o nome dele, tentou se lembrar: sua família podia estar em declínio, mas ele ainda conhecia algumas das famílias mais influentes de Aetheris. E aquele rapaz? Um completo desconhecido.
Sua expressão endureceu conforme o silêncio se prolongava.
Esse cara é só um qualquer. Aposto que o terno é emprestado. E aquele cristal rosa? Deve ser falso!
Em Aetheris, pouquíssimas famílias podiam pagar por um cristal daquele tamanho, e ele certamente não parecia ser de uma delas.
Com o orgulho ferido, Marvin bateu a mão na mesa ao lado e gritou: “Quem pensa que é para expulsar alguém? Por acaso trabalha pros organizadores? Vou chamar a segurança para te colocar pra fora!”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Grávida e presa, ela voltou para se vingar