Tess deu uma risada debochada e pisou na foto com o salto. “Saia daqui agora!”
O rosto de Max escureceu. Ele a encarou como se não reconhecesse mais a mulher diante dele.
Era mesmo a Tess quieta e doce que ele conhecera? Será que um ano na prisão podia transformar alguém a esse ponto?
A garota gentil de antes havia desaparecido, em seu lugar, havia uma mulher firme, quase irreconhecível.
De repente, o som seco das cortinas sendo puxadas rompeu o silêncio.
Tess se levantou e as fechou com força, cobrindo toda a janela e bloqueando a visão de Max.
Só de saber que ele ainda estava ali, o estômago dela se revirava.
Ela soltou um longo suspiro, cheia de raiva.
Logo o som dos sapatos de couro dele se afastando ecoou, até sumir. A casa finalmente ficou em silêncio.
Tess se sentia exausta, como se toda a força tivesse escapado do corpo. Caiu sentada na cama.
A imagem da foto não saía de sua cabeça. Nadine e Finn estavam próximos demais.
Seus punhos se fecharam instintivamente.
Já fazia um ano. Tess não os odiava mais, mas a fúria ainda queimava por dentro.
O que ela realmente sentia por Finn agora? Por que ele insistia em fingir que o casamento deles ainda existia, quando estava em ruínas? Por que a trouxe de volta, apenas para se aproximar de Nadine depois?
O que ele acha que eu sou? Uma peça bonita para exibir quando bem entender?
Tess rasgou a foto e a jogou no chão. Depois riscou um fósforo e observou o papel queimar, as chamas foram consumindo cada pedaço.
Tudo saía exatamente como Nadine queria.
Enquanto Finn estava distraído, ela lançou um olhar de satisfação para o canto do restaurante.
Ela admirou o perfil dele, o maxilar firme, e sentiu um prazer arrogante percorrer o corpo. O ego dela estava completamente alimentado.
Tess, espero que tenha gostado do meu presentinho.
Ela sorriu e colocou os talheres sobre a mesa. “Finn, o trabalho vem primeiro. Vamos voltar para o escritório.”
Ele parou o corte da carne e pousou a faca. “Já terminou?”
Nadine balançou a cabeça, sorrindo de forma provocante. “Você ainda me deve um jantar de verdade quando isso acabar.”
A palavra ‘deve’ fez Finn franzir o cenho por um instante, mas ele logo disfarçou.
Ergueu uma sobrancelha. “Confiante, hein?”
Nadine piscou, confusa. “Hã?”
O pesquisador suspirou, frustrado, mas repetiu o resumo.
Alguém havia roubado as informações confidenciais do Grupo Lock e divulgado tudo antes do lançamento. Agora, os projetos estavam expostos, e o produto concorrente parecia praticamente idêntico. A internet estava em chamas.
Sem provas concretas de que a criação era original, todas as tentativas de defesa pareciam inúteis.
Quando o homem terminou de falar, a voz já estava rouca.
Ele voltou-se pra Nadine com um olhar de esperança, e aos poucos, todos fizeram o mesmo.
Um arrepio percorreu os dedos dela.
Finn franziu o cenho diante da expressão travada de Nadine. “Não tem nada?”
Zane se apressou em intervir, tentando aliviar a pressão. “Tudo bem, Sra. Nadine. O Sr. Lock já está entrando em contato com a equipe técnica que criou a primeira fase do projeto.”
Aquela patente tinha levado quase dois anos para ser desenvolvida, com várias equipes se revezando no processo.
A primeira equipe técnica tinha se mudado pro exterior. A segunda, que estava ativa durante o vazamento, era o principal foco da investigação, por isso Finn mandou Zane procurar o grupo original.
“É... Vamos esperar até termos notícias da primeira equipe”, disse Nadine, forçando um tom calmo.

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