O cheiro metálico de sangue atingiu Finn na hora. A palma da mão estava manchada de vermelho escuro.
“Sr. Lock! O que o senhor está fazendo?”
Zane correu até ele. A cena de Finn descarregando a raiva fez seus olhos quase saltarem das órbitas. Parecia prestes a surtar.
“Consiga um convite para a gala beneficente da Cavrielle.”
Foi tudo o que Finn disse antes de sair andando.
Zane ficou parado, sem reação.
Ele coçou a cabeça.
Cavrielle?
Mas ele não mandou jogar o convite fora ontem?
Mesmo assim, Zane sabia que não era hora de questionar. Seguiu atrás de Finn, já discando para a equipe de relações públicas da Cavrielle.
Quando o homem mais rico de Aetheris queria alguma coisa, as pessoas ainda atendiam rápido.
Enquanto isso, Tess estava junto à janela, observando o carro sumir estrada abaixo.
Irritada, esfregou as têmporas e pegou o celular para mandar mensagem a Connor, combinando de irem ao estúdio que Bessie havia preparado para ela.
Mas antes que pudesse enviar, uma mão arrancou o telefone de sua mão.
Abel estava diante dela, alto, à vontade, girando o aparelho na palma como se fosse dele. Sem nem olhar para a tela, ele o bloqueou.
A expressão de Tess esfriou na hora. Ela deu um passo para trás, criando distância.
“O que está fazendo aqui? Me devolve o telefone.”
O tom dela era plano e gelado.
Se lidar com Finn era como atravessar espinheiros, encarar Abel era como pisar em hera venenosa.
Ela apertou os lábios, os cílios abaixados para esconder o que pensava.
Fazia um tempo que não o via... Desde que ela e Finn haviam armado aquela cena para mantê-lo afastado.
O sorriso de Abel vacilou por um instante, mas logo voltou, os olhos brilhando com aquela autoconfiança mimada e insolente.
“Essa mansão é do meu tio. Sou o sobrinho dele. Visitar minha tia é crime agora?”
Ele deu ênfase proposital em ‘tia’.
Tecnicamente, não estava errado, mas Tess ainda franziu a testa.
“Finn está trabalhando. Me devolve o celular.”
Ela estendeu a mão, mantendo a voz firme.
Abel não escondeu o olhar que lançou sobre ela, mas suspirou e devolveu o aparelho.
Em vez de se afastar, porém, inclinou-se um pouco mais perto.
Só depois de falar que percebeu... Ele está me explicando onde estava?
Com a mesma calma de sempre, Connor foi o primeiro a quebrar a tensão, dirigindo-se a Abel.
Ele apenas sorriu de canto. Não respondeu, mas o desdém era evidente.
Tess franziu a testa, pronta para repreender, mas Abel ergueu as sobrancelhas com desinteresse. “Abel Shaw.”
Ele não respondeu diretamente, apenas disse o nome, cheio de arrogância.
Os olhos de Connor se estreitaram ligeiramente.
Shaw?
Sua expressão mudou um pouco, e ele fez uma leve reverência. “Minhas desculpas, Sr. Shaw.”
Abel soltou apenas um resmungo frio.
Tess cortou a tensão. “Se veio procurar o Finn, vá ao Grupo Lock. Se veio me procurar, estou ocupada.”
O olhar dela atravessou o dele.
O humor de Abel azedou. Quis responder, mas se conteve... Tudo o que pôde fazer foi assistir enquanto Tess e Connor entravam no carro.
A frustração se acumulava em seu peito.
Ela não perdeu a memória, mas ainda assim continua me afastando.
Por mais que Abel pensasse, nada fazia sentido. No fim, marchou até o carro esportivo raríssimo e entrou, batendo a porta com força o bastante para fazê-la tremer.

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