“Finn, esse projeto é urgente?”
“Muito. Ele precisa voltar para Kingsland o quanto antes para coordenar tudo.”
Ele mentiu com naturalidade, sem nem piscar.
“Finn, concordamos com tudo que pediu antes, mas desta vez… Não podemos.”
A voz de Gideon soava desconfortável.
Era a primeira vez que ele recusava algo a Finn.
Ele franziu a testa. “Por quê?”
“Abel não foi a Aetheris totalmente por vontade própria. Foi parte da nossa colaboração com os Larsons. Benjamin e Olivia pediram pessoalmente que ele fosse”, explicou Miranda cuidadosamente.
“Benjamin e Olivia, hein?” Finn ergueu a sobrancelha, visivelmente surpreso.
Pelo que sabia, Benjamin e Olivia raramente apareciam. Embora ainda tivessem poder formal, era Violet quem gerenciava a maior parte dos assuntos. Fazia tempo que os dois não se exibiam em público.
“Sim”, disse Miranda pacientemente. “Eles pediram especificamente que Abel os acompanhasse a Aetheris.”
“Entendi.”
Finn desligou imediatamente.
Como os próprios Larsons haviam feito o pedido, Abel não poderia sair antes deles.
Ele massageou as têmporas, com sua irritação crescendo.
A mente de Finn não parava de revisitar cada interação entre Tess e Abel, os olhares sutis, as provocações, os toques discretos.
Ele se lembrava do jeito que Tess encarava Abel com falsa irritação, do jeito que seu sobrinho se inclinava perto dela para sussurrar algo em seu pescoço. O que parecia um flerte inocente carregava uma intimidade sufocante.
Suas mãos se cerraram em punhos. Pela primeira vez, ele admitiu sua própria inveja e covardia.
Por causa de seus erros, ele não conseguia encarar Tess. Em vez disso, recorria à métodos sorrateiros para afastar Abel dela.
Odiava o quanto aquilo o fazia parecer patético, mas, no fundo, tudo o que queria era que Tess olhasse para ele novamente, ainda que fosse apenas uma vez.
Abel, esse intruso inesperado, conquistou a atenção dela tão facilmente. Como eu não sentiria ciúmes?
Ele soltou um suspiro longo e pesado.
Mas se esquecia de um detalhe crucial: ele mesmo havia se afastado primeiro.
...
No apartamento.
“Tess, fui emocional demais outro dia. Por favor, não me culpe. Desde que voltou para os Embers, por que não fica aqui em vez de morar fora? Quero muito te compensar. A Nadine soube que você estava vindo para casa e se apressou para receber alta. Até cozinhei para comemorar nossa reunião de família.”
A voz de Kylie no telefone era deliberadamente suave, calorosa e afetuosa, a imagem perfeita de uma mãe cuidadosa.
Mas Tess, do outro lado, não reagiu. Seu olhar permaneceu vazio, e ela se afastou sutilmente do celular.
“Tess?”



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