Cyrus semicerrava os olhos, e o sorriso em seu rosto se apagava um pouco, embora ele ainda mantivesse a aparência de cortesia.
— Minha filha se excedeu. Espero que não guarde rancor dela — disse ele com uma voz calorosa. — Ela ainda é jovem. Como pai, é claro que não quero vê-la sofrer.
Seu sorriso era gentil, mas cada palavra parecia um convite à compaixão.
Os olhos de Tess se tornaram frios. Até o sorriso desapareceu de seus lábios.
Ela não se deixou enganar. Aquele pedido de desculpas não passava de encenação.
— Todos nós temos mais ou menos a idade da Jolie — disse Tess, erguendo o olhar. — Mas nenhum de nós foi criado para machucar pessoas inocentes só porque não conseguiu o que queria.
No instante em que Tess falou, o sorriso educado de Cyrus sumiu por completo.
Sua voz ficou mais grave:
— Srta. Ember, vim aqui esperando que pudéssemos resolver isso em paz. Se cada um de nós ceder um pouco, todos saem ganhando.
Cyrus finalmente mostrava sua verdadeira face. Os olhos de Raven se arregalaram. Ela olhou para Lyra como quem diz: "Viu? Eu te falei. Ele é igualzinho à Jolie. Sem vergonha."
Ela ainda revirou os olhos de propósito, pelas costas de Cyrus.
Não era de se espantar que Jolie tivesse se tornado assim; vinha do próprio pai.
— Não parece que o senhor veio em busca de paz — disse Tess, soltando uma risada curta e gelada. — Parece mais uma ameaça.
Sua expressão se fechou, dura e implacável.
Cyrus a encarou, então, de repente, abriu um sorriso largo.
Chegou a rir alto, jogando a cabeça para trás e batendo palmas.
Raven e Lyra trocaram um olhar confuso.
Tess o observava com atenção. Não confiava em nenhum dos jogos dele.
— Pelo que pesquisei, Srta. Ember, você é uma pessoa bastante interessante — disse Cyrus. O sorriso suavizou, e seus olhos ganharam um brilho estranho de admiração. — Hoje só confirmou isso.
Ele ergueu as mãos num gesto de impotência, como se fosse apenas um pai cansado reclamando da vida. — Bem, minha filha é impulsiva. E como nasceu quando eu já era mais velho, acabei mimando demais. Foi assim que ela quase causou uma tragédia. Espero que não a julgue por isso.
Tess não cedeu. Permaneceu em silêncio, esperando que ele terminasse.
Cyrus fez uma pausa, depois continuou sozinho:
— A culpa foi da Jolie. Se quiser uma compensação, qualquer coisa ao meu alcance, eu resolvo.
— E se eu insistir que entregue Jolie à polícia? — Tess perguntou. — Ela fez suas escolhas. Deve arcar com as consequências.
A testa de Cyrus se franziu. Era claro que ele não esperava que Tess fosse tão firme, nem que não desse uma saída honrosa para um homem mais velho como ele.

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