Eduardo
— Edu, você vai mesmo confrontar a mulher que tentou atropelar a Stella? — Leo pergunta.
— Sim, vamos à delegacia, como foi ontem ela ainda não foi levada para a penitenciaria.
O cansaço, a raiva, a tristeza pela minha ninfa estar longe de mim, dominam meu corpo.
Cada poro do meu corpo sente sua falta. Eu pensava enquanto caminhava pelo corredor da delegacia. Leonardo está me acompanhando ansioso para confrontá-la também. O barulho das portas de ferro rangendo cria uma sinfonia de desespero. Assim que chegamos o delegado diz:
— Apenas um pode entrar.
— Vai você Eduardo, ela não me conhece mesmo. — Leo diz desanimado.
Afirmo com a cabeça e sigo para a ala seguinte, acompanhando o delegado. Cheguei à cela de visitas, onde Chloe aguardava, algemada e com um sorriso insano no rosto.
— Olá, Eduardo, — ela diz, com sua voz melodiosa de sempre, mas que soava estranha naquele ambiente sombrio da delegacia.
Eu a olho com um ódio, minha vontade era enforcá-la ali mesmo.
— Chloe. — Digo em tom de nojo. — Vim para ter o prazer de te ver atrás das grades. — Ela sorri.
— Não, veio porque estava com saudades. — Ela diz sorrindo cinicamente.
— Só em seus sonhos, nunca senti e nunca sentirei sua falta, para ter o sentimento de saudade, esta mais para desprezo, nojo e muito outros.
Aproximei-me, com as mãos cerradas em punhos ao lado do corpo.
— Sabe por que vim. Vim porque você tentou matar a Stella. Tentou atropelar a mulher que eu amo. O que você esperava, Chloe? Que eu viesse aqui e te perdoasse? — Minha voz parece mais um gruído, de tão áspera que está, meu ódio por essa mulher é tão grande que chega ser palpável.
Cloe dá uma risada baixa, fria como os aços das barras que a cercavam.
— Fiz isso por nós, Eduardo. Para nos livrar daquela vadia, golpista. Ela não te merece, e você sabe disso. — Ela diz com o olhar suplicante, como se isso mudasse alguma coisa.
— Você é louca, isso que criou na sua cabeça nunca foi uma opção para mim, como eu disse, apenas te usei, e para dizer a verdade me arrependo amargamente daquele dia. — digo, com a voz carregadas de uma raiva intensa. — Você sempre foi obcecada por mim, mas nunca entendeu que eu nunca te amei. Nunca te quis de verdade, aquele dia foram alguns minutos de insanidade da minha parte.
Ela piscou, surpresa pela franqueza brutal das minhas palavras.
— Mas, Eduardo, eu te amo. Faria qualquer coisa por você. — Chloe diz chorando.
— Qualquer coisa, menos deixar a mim e quem eu amo em paz, — retruquei, com um sorriso amargo. — Você vai apodrecer aqui, Chloe. Garantirei que você nunca mais tenha a chance de machucar ninguém que eu ame. Especialmente a Stella. — Os olhos de Cloe se estreitaram, em um desafio silenciosos.
— Você não pode fazer isso comigo. Eu te amo. — Ela tenta mais uma vez.
— Esse é o seu problema, — respondi friamente. — Você acha que amor é controle, posse, violência. Mas não é. Você é doente, e farei de tudo para que pague pelo que fez. Minha mulher poderia ter morrido, assim como meus bebês.
— Seus bebês? — Ela pergunta confusa.
— Onde está o meu papai e a titia Stella Abi?
— Eu não sei princesa, mas sua avó está vindo te buscar, para passar uns dias com ela. Tenho certeza que titia Stella e o seu papai já estarão de volta, quando você voltar para casa.
— Eu não quero ir para a casa da minha vovó, ela é má! Ela não quer que eu goste da tia Stella.
— Por que meu anojo? — Abi me pergunta e não sei o que dizer.
— Não sei, só sei que ela fica falando que tia Stella quer levar meu papai para longe de mim, que ela quer ficar no lugar da mamãe, e não é verdade.
— Não mesmo meu anjo. Mas olha, você conhece a verdade, então não liga para o que sua vovó diz, deixa entrar por aqui — ela aponta uma orelha e depois a outra — e sair por aqui.
— Como faz isso? — Pergunto imaginando como as palavras entram e saem, é confuso.
Abi sorri com carinho e diz:
— Quando ela falar, pensa em outra coisa, como nos momentos bons que passou com a Stella, ou com o seu pai, assim ela vai pensar que está escutando, quando, na verdade, não estará.
— Hum, acho que entendi. Se estiver muito ruim lá, posso te ligar para me buscar, eu prometo que serei boazinha. — Digo juntando as mãozinhas e fazendo carinha de dó, sempre funciona.
— Claro que sim, princesa.

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