Eduardo
— Papai, quero a tia Stella, onde ela está? — Bella pergunta entre lágrimas.
Respiro fundo sem saber ao certo o que responder.
— Minha princesa, a tia Stella precisa de um tempo só dela, ela está passando por um momento de adaptação, e está um pouco nervosa com o papai.
— O que aconteceu? Eu quero a tia Stella, liga para ela, papai, liga por favor.
— Eu queria muito poder fazer isso princesa, mas infelizmente eu não tenho o número do telefone dela, ela trocou e não passou para o papai.
— Ela me prometeu que não ia embora, que não ia me abandonar como a mamãe. — Abraço-a com carinho e choramos juntos pela falta que Stella faz.
— Prometo que vou trazer a tia Stella para casa, mas não consigo te dizer quando. E quer saber uma novidade? — Pergunto.
Ela me olha com seus olhinhos brilhando pelas lágrimas que ainda descem por sua face. Enxugo-as com carinho, enquanto ela diz que sim com um movimento de cabeça.
— Tia Stella está grávida, ela está esperando dois irmãozinhos, ou irmãs, ou um de cada para você. — Digo sorrindo e ansioso para saber o que ela acha e sua reação.
Bella arregala os olhos e pergunta:
— Terei irmãos? Mas eu não serei mais a princesa de casa? — Ela pergunta em um misto de felicidade e tristeza.
— Você será sempre a minha princesinha. É a minha primogênita, nunca se esqueça disso. Eu não deixarei de te amar nunca, tenho amor para os meus três filhos.
— Promete? — Ela pergunta me encarando.
— Sim, meu amorzinho, eu prometo. — Ela me abraça apertado e por um momento me sinto o homem mais feliz do mundo.
— Papai?
— Sim, princesa. — Digo olhando para ela.
— Será que eles vão ser idênticos? Tenho dois amigos na escola que é difícil saber quem é quem!
— Talvez, sim ou não. Você lembra que que a tia Stella e o tio Léo são gêmeos? E eles não são idênticos.
— Nossa, é verdade, papai. — Ela diz entre um bocejo e outro.
— Chega de conversa, agora é hora da soneca.
Deixo-a dormir tranquila, desço para me juntar ao Leo, já que sabemos que a Stella não está em Boston, não tem o porquê procurá-la.
Sorrio ao vê-lo no jardim, bem no local que a irmã dele mais gostava, ao me aproximar percebo-o hesitante, e o vejo guarda o celular discretamente. Finjo não perceber e conversamos um pouco, mas nada me tira da cabeça que ele sabe de algo.
Me sirvo com três doses de whisky e a bebo de uma vez, nem a ardência da bebida âmbar consegue diminuir a dor que sinto. Jogo o copo na parece, fazendo-o quebrar em milhares de cacos, assim como estou me sentindo.
— Como pode ser tão burro Eduardo. — Xingo-me, ao tomar o whisky no gargalo.
…
Os dias passavam rápido, e eu me via mergulhado em um mar de reflexões sobre o que a vida me deu e o que me arrancou de forma tão cruel. Amava minha esposa Savanna mais do que a própria vida, e por um tempo, culpei até mesmo Deus por levá-la tão cedo, deixando para trás nossa filha tão pequena e a mim.
Dias se transformaram em noites de insônia, e minha tristeza se transformou em uma névoa densa que obscurecia meu pensamento. Os remédios se tornaram meu único refúgio, uma tentativa desesperada de escapar da dor que me consumia por dentro.
Houve uma noite, em que fui um covarde, fraco de força e espírito, mergulhado em um mar de desesperança, então deixe-me ser engolido por ele, tomando um vidro inteiro de pílulas calmantes, acreditava que não poderia suportar a vida sem Savanna. A escuridão da inconsciência começou a me envolver quando ouvi a voz da minha filha me chamando. Em um momento de lucidez entorpecida, pensei em quem ficaria com ela se eu morresse. Tirei forças não sei de onde, enfiei o dedo na garganta e comecei a vomitar. Os dias seguintes foram uma névoa de dor e arrependimento, passados no hospital, lutando contra as consequências da minha própria tentativa de autodestruição. O médico disse que se eu tivesse esperado apenas mais cinco minutos, não haveria mais volta.
E agora, aqui estou eu, anos depois, de pé no escritório, virando uma garrafa de whisky, dilacerado pela perda de outra mulher. Mas desta vez a culpa por ela não estar aqui, é toda minha.
Stella, entrou como um furacão em minha casa, mudou não só a minha casa como a minha vida, em poucos meses, deixou minha cabeça e vida de pernas para o ar.
— Como mágica, essa ninfa bagunçou tudo o que eu sentia por Savanna, transformando-se em um emaranhado de sentimentos bagunçados. Acabo de constatar que nunca amei Savanna como amo Stella. — Digo sozinho, olhando a noite estrelada pela janela de onde era seu quarto.
Fui um tolo em deixá-la partir, mas mesmo assim, não consigo evitar, me perguntar: “— Onde ela está agora? E quem está ao seu lado? Será que ela está passando mal? Precisando de ajuda?”
— Volta Stella, por favor! Volta meu amor.

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