Matteo
— Paloma, não é tão fácil assim, não são segredos meus.
— Estou a noite inteira preocupada com a minha amiga, então desembucha.
Coço a cabeça, sem saber o que fazer, Paloma levanta o celular com o visor brilhando o nome de Eduardo.
— Fanculo! Proponho tomarmos um café em outro lugar. — Ela concorda e me segue para a cafeteria próximo ao restaurante.
Conto tudo para ela, que me olha surpresa, em momento algum ela me interrompe, deixando-me livre para contar tudo.
— Entende porque quero ajudá-la, e o porquê estou a escondendo.
— PUTA QUE PARIU. — Ela grita tampando a boca. — Essa história está parecendo aquelas novelas mexicanas. Mas ela não sabe ainda? Que… hã… você sabe.
— Não, fui covarde e não tive coragem, de contar.
— Frouxo. Olha, guardarei seu segredo, mas quero que me mantenha informada de cada passo da minha amiga.
— Pode deixar, prometo que vou te contar tudo. Agora precisamos ir para o restaurante, tem um tempo que estamos aqui.
— Vamos, mas cara, eu estou processando tudo isso ainda.
— Sei bem como é, fiquei assim quando descobri também.
Stella
Fico por hora olhando o celular aguardando a resposta do Leo, desisto e vou tomar um suco.
— O que está fazendo em pé, senhorita Stella? — Monalisa diz com as mãos na cintura.
— Estou inquieta, meu irmão não me responde. — Digo chorando. — QUE DROGA, não aguento mais chorar.
— Oh! Minha linda, senta aqui do meu lado, gravidez é assim mesmo, os hormônios ficam todos doido e em consequência nos deixam assim também.
— Você tem filhos?
— Sim, eu tive uma filha. Ela era a coisa mais linda, minha princesa. Mas, infelizmente, um homem que estava bêbado dirigiu pelas ruas e bateu no ponto de ônibus onde ela estava. Pietra saía da faculdade mais tarde porque queria finalizar uma pesquisa. Ela cursava medicina e havia conquistado uma bolsa de estudos integral. Eu tinha tanto orgulho dela. Quando chegou no ponto, esse homem perdeu o controle na curva e bateu em cheio. Não deu tempo de ela sair. — Monalisa para de falar pura um momento, respira e diz: — Minha menina faleceu no local. Matteo e sua avó me acolheram, deram-me este emprego e ainda pagam os advogados para tentar colocar aquele homem na cadeia.
Beijos!”
Terminei de ler a mensagem de Léo e me senti desabando, como se não houvesse mais um chão para pisar. Léo sempre foi decidido e justo; não me surpreende que, de alguma forma, ele esteja apoiando Eduardo. Não sei exatamente o que Eduardo lhe disse, mas a preocupação de Léo é palpável. Senti que ele está, de alguma forma, do lado de Eduardo, mesmo sem conhecer toda a verdade, me afeta profundamente.
Matteo também já me aconselhou a conversar com Eduardo, mas, honestamente, não estou pronta para isso. O que vi e senti continua fresco demais na minha mente e no meu coração. As palavras de Eduardo reverberam incessantemente, e a dor que sinto é como uma sombra constante.
O peso da dor e da confusão se intensifica enquanto olho pela janela do apartamento, meu novo lar. As luzes de Paris começam a brilhar, oferecendo um contraste suave com o tsunami emocional que me consome. Este lugar, que deveria ser um refúgio, agora parece um cenário de um sonho distante, um espaço onde a paz que busco parece cada vez mais inalcançável.
Enquanto o sol se põe, tento encontrar um pouco de calma em meio ao caos que se tornou minha vida. Sei que preciso cuidar de mim e dos bebês, me preparar para o que está por vir. Mas a verdade é que me esforço para me manter firme, pois temo que a menor fraqueza me faça desmoronar e seja impossível me reerguer.
Já tem um tempo que só levo pancada, atrás de pancada. Quando será que poderei viver em paz? — Pergunto a mim mesma, enquanto acaricio minha barriga.
Mesmo tentando não pensar nisso, a cena se repete incessantemente na minha mente. Questiono-me sobre o que vi e como Eduardo reagiu ao exame que deixei para trás.
Será que ele ficou feliz em saber que seria pai novamente? Na carta meu irmão deu a entender que ele gostou dá ideia de que será pai, isso é bom, quer dizer que não me acha uma golpista de quinta.
Mas, e agora? O que Eduardo está fazendo neste momento? Será que sente minha falta, assim como sinto a dele?
São tantas perguntas, tantas dúvidas, que se entrelaçam e me envolvem em um emaranhado de insegurança e tristeza. Tento me agarrar a algum fio de esperança, mas, no fundo, a incerteza e o medo são os sentimentos que dominam. Sim, eu sou covarde.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Laços do Coração.A babá do Destino.