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Laços do Coração.A babá do Destino. romance Capítulo 136

Eduardo

Deixo Stella na cama e desço para a sala. A avó dela está sentada no sofá, me encarando com um olhar afiado. Quando me aproximo, ela diz:

— Sente aqui, garoto.

— Garoto? — Pergunto, arqueando a sobrancelha.

— É, você é bem mais novo que eu. Mas, admito, é mais velho do que imaginei.

— Como assim? — questiono, desconfiado.

— Digo ser mais velho que minha neta. Mas deixe isso para lá, ela te escolheu. Sente-se logo aqui. — Ela insiste, com uma autoridade que eu não queria contestar. Para não a desrespeitar, sento ao seu lado.

Ela me observa por um momento, antes de continuar:

— Meu neto me disse que seu relacionamento com a minha neta teve altos e baixos. Em um deles, ela até fugiu de você, o que nos leva aqui, no apartamento dele. — Engulo meu orgulho, para não ser desrespeitoso. — E que, na maior parte das vezes, a culpa era sua, por não se decidir. E agora, já se decidiu? Ou está com ela só por causa dos meus bisnetos?

— O quê? — Sinto a raiva subir. Cortarei a língua do Matteo fora. — Eu amo a sua neta mais do que já amei minha falecida esposa. Stella é tudo para mim, e o fato de ela estar carregando meus filhos só faz meu amor por ela crescer ainda mais.

— É melhor mesmo. — Ela diz, sem piscar. — Fiquei sabendo que meu filho foi contra o curso que Stella está fazendo com meu neto. Isso causou uma separação na família. O idiota está agindo igual ao pai dele, sem nem perceber. — Ela nega com a cabeça e me encara novamente. — Então deixo claro: se você magoar minha neta ou meus bisnetos, eu acabo com você.

— Não se preocupe, Leonardo já tomou essa posição. E com todo o respeito, estou pouco me lixando para o que a senhora diz ou não. A família da Stella sou eu, minha filha, Leonardo, Emma, e, para o meu desgosto, o Matteo, que esteve ao lado dela, mesmo que escondido. A senhora só será parte da família no dia que ela decidir isso. Até lá, mantenha distância. O que fez foi errado, não só para o seu filho, mas para a família inteira. Talvez, se tivesse revelado antes, hoje Stella não sentiria o peso da culpa pelas humilhações que seu filho a fez passar.

— Eu não podia… — Ela começa, mas a corto:

— Com todo respeito, senhora, se não podia antes, por que pode agora? — pergunto, desafiando-a.

Ela hesita por um segundo, então confessa:

— Porque descobri que meu marido tem outra família. Enquanto ele destruía a nossa, o desgraçado estava construindo outra. Pedi o divórcio há uma semana, com provas do caso dele. Ninguém sabe ainda, acredito que nem ele. Mas quando souber, pode ter certeza que uma guerra nuclear acontecerá.

— Como assim? — Pergunto, preocupado com os efeitos colaterais que essa guerra pode ter sobre Stella.

— O nome dele será manchado pela sua traição à família, e ele perderá tudo. Nosso acordo de casamento é claro. Resumindo, ele estará na miséria.

— Bem-merecido, na minha opinião. — Digo, me levantando. — Só não deixe que isso afete Stella, porque não serei condescendente.

— Está me ameaçando, garoto? — Ela retruca, apontando a bengala luxuosa em minha direção.

— Não, senhora. Odeio ameaças. Só digo o que sei que cumprirei. Com licença, vou preparar um lanche para minha mulher.

Minha voz falha por um instante, mas continuo:

— E não adianta reclamar da dona Olivia. Enquanto você se preocupava com seus luxos, era ela quem me dava o carinho que eu precisava. Com você, eu sentia isso raramente, quase nunca.

Houve um silêncio do outro lado da linha, mas logo ela responde, com a voz mais baixa, quase hesitante:

— Como ousa dizer isso? Te criei com o melhor que o dinheiro podia comprar.

— Mas não me deu o que eu mais precisava, e o que eu precisava não tem valor comercial — retruco, com um nó na garganta. — Eu só precisava de uma mãe presente.

Ela fica em silêncio por um momento, e então diz, com um tom que parece ferido, mas ainda firme:

— Estou voltando para casa, e não quero ver essa caça-fortuna quando chegar.

— Não fale assim da minha mulher — rebato, com mais firmeza do que antes. — Stella não se importa com o meu dinheiro. Ao contrário de você, mãe, ela prefere trabalhar e conquistar o próprio futuro. E se não quiser encontrá-la, sinta-se à vontade para se hospedar em um hotel, porque, se não gosta da minha mulher, não é bem-vinda na minha casa.

Ela suspira do outro lado da linha, e por um instante, penso que ela dirá algo mais, algo que nunca ouvi antes. Mas, em vez disso, a linha fica silenciosa e o som do desligamento ecoa no meu ouvido. Fico ali, segurando o celular, sentindo uma mistura de alívio e tristeza.

O silêncio que se segue é pesado, quase sufocante. Pela primeira vez, sinto que deixei claro o que realmente importa para mim. Ela pode não entender agora, mas disse finalmente o que precisava ser dito.

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