Stella
Meu coração b**e acelerado a cada passo que Eduardo dá. A expectativa de ver meus filhos faz meu corpo inteiro tremer de ansiedade. Entramos na UTI, que agora é uma sala exclusiva para nossos pequenos, vigiada com segurança vinte e quatro horas por dia.
— Mamãe, vem, vou apresentar meus irmãozinhos! — Bella diz, toda empolgada.
Edu me ajuda a levantar, e todo o tempo duas enfermeiras me acompanham, além de Eduardo, sempre presente ao meu lado.
— Este é o mais preguiçoso, ele é o Bento. — Bella aponta para o primeiro berço com um sorriso. — Acorda, preguicinha, a mamãe veio te conhecer! — Ela fala com a voz mais doce que já ouvi.
Bento se mexe levemente, estica os bracinhos, mas logo volta a se encolher. Meu coração se derrete ao vê-lo, tão frágil e sereno.
Eles estão apenas de fraldinhas, todos recebendo oxigênio. Eu me aproximo, com um nó na garganta, e faço um carinho suave em sua cabecinha. Ele enruga a testa e resmunga baixinho, arrancando de mim um sorriso entre lágrimas.
Edu faz carinho em minhas costas, o que me deixa feliz, por ter seu conforto.
— Eles estão respirando sozinhos, mas o pediatra achou melhor deixá-los com um pouco de oxigênio, até que se acostumem e percebam que já nasceram. — Eduardo diz, lendo meus pensamentos enquanto eu observava o canudinho no narizinho do meu pequeno Bento.
A enfermeira da UTI se aproximou com um sorriso acolhedor.
— Eles acabaram de tomar o leitinho, por isso estão dormindo, ou talvez apenas preguiçosos. Bento é o mais tranquilo, mas também o mais preguiçoso. Dá um trabalhão para acordá-lo na hora de comer; às vezes, temos que passar algodão molhado em seu rostinho, o que o deixa irritado. — disse ela, sorrindo com carinho.
Era evidente o amor que ela sentia pela profissão, refletido no cuidado e na atenção dedicados aos meus filhos.
— Isso é normal? — Pergunto, a preocupação apertando meu peito.
— Sim, é completamente normal. Eles ainda não perceberam que não estão mais dentro de você. Às vezes, precisamos colocá-los juntos para que se acalmem, porque sentem falta uns dos outros. — Sorrio, emocionada com a pureza desse vínculo entre eles. É mágico.
— Mamãe, esse é o mais arteiro e resmungão. Eu o chamei de Benício. Acho que inverti os nomes, mas agora já foi... — Bella ri de si mesma, e eu e Edu não conseguimos evitar, sorrimos junto. — Oi, Bê, essa é nossa mamãe, seja bonzinho e não chora.
Benício fixa seus olhinhos em Bella, como se entendesse cada palavra.
— Oi, meu amorzinho, estou tão feliz em te conhecer... — Digo, emocionada. Ele vira a cabecinha na direção da minha voz e me olha com aqueles olhos acinzentados, ainda incertos, mas que parecem prometer um brilho claro e profundo.
Faço carinho em seu rostinho, e ele agarra meu dedo com força, como se dissesse: “Não vai embora, mamãe”.

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