Caroline Hart
“Damon!”
Minha voz saiu mais alta do que deveria, mas não importava.
Ele parou no mesmo instante, o corpo tenso, o cheiro de terra e chuva ao redor dele como uma segunda pele.
Eu o encarei, sem hesitar.
“Precisamos conversar, ou você vai continuar me evitando?”
Ele virou devagar. Os olhos encontraram os meus.
Intensos. Profundos. Inatingíveis.
Mas eu não recuei. Já tinha recuado demais.
Andei até ele com passos rápidos.
O bilhete amassado estava na minha mão.
Levantei e mostrei. “Você vai me dizer o que é isso?”
Ele não respondeu. Só olhou para o papel por um segundo e depois de volta para mim.
“Quem escreveu isso, Damon?” Minha voz falhou por um instante, mas eu não deixei a emoção tomar o controle. “Você sabia. Sabia desde o começo. E mesmo assim, me proibiu de sair sem me dizer o porquê. Me deixou aqui, no meio do nada, sendo vigiada, observada, ameaçada!”
“Eu estava tentando te proteger.”
“De quê?” Quase gritei. “Do que você está me protegendo, Damon?”
Ele não respondeu.
“Você acha que pode se calar, me afastar, e continuar fingindo que nada aconteceu entre nós? Que tudo isso é normal? Eu saí da minha vida, fugi da minha cidade, do meu passado… e agora estou aqui, de novo no meio de algo que não entendo, que me machuca e que você se recusa a explicar!”
A emoção veio como uma onda. Me viro para não explodir. Meus dedos apertaram o bilhete com tanta força que ele quase rasgou.
“Eu fugi de um noivo manipulador. Um homem que mentiu, que me usou, que me colocou num contrato como se eu fosse uma propriedade... E agora estou aqui, de novo, sendo controlada por alguém que não me dá explicações.”
Ele abaixou a cabeça por um segundo. Respirou fundo.
“Hart, eu...”
“Não. Não me venha com mais frases pela metade.” Olhei firme para ele. “Você quer me proteger? Me diz a verdade. Porque eu já estou envolvida. E sinceramente? Não sei se confio mais em você.”
As palavras doeram mais em mim do que eu imaginava. Mas eram verdade.
Ele se aproximou devagar. Os olhos nunca deixando os meus.
“Você está certa.”
Aquilo me pegou desprevenida.
“Tem coisas... que eu deveria ter te contado. Mas não contei. Porque achei que podia controlar isso. Achei que você estava segura.”
“Damon, pelo amor de Deus, me fala. Zion está atrás de mim? Ele encontrou esse lugar? É ele quem está me mandando essa... essa ameaça?”
"Eu estou atrasado."
“Então começa a falar,” sussurrei. “Porque se você continuar escondendo a parte que me diz respeito, eu vou embora. Com ou sem ameaça na porta.”
Silêncio.
A raiva subiu como fogo no peito
Ele respirou fundo. A mandíbula marcada, trincada.
E, então, falou.
“Se você quiser ir embora… eu não vou te prender.”
Aquilo me acertou como uma faca.
Fiquei em silêncio, sentindo o peso daquelas palavras. Ele não ia lutar por mim. Não ia impedir.
“O que você quer que eu faça, Damon? Que fique aqui te esperando me contar a verdade enquanto ameaças aparecem na minha porta? Que continue fingindo que você não está me escondendo metade da sua vida?”


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