Caroline Hart
Acordei com a respiração presa na garganta. Meus sentidos estavam voltando aos poucos.
O teto acima de mim não era mais o da floresta. Nem o céu nublado, nem a morte.
Era o meu quarto naquela mansão.
A luz suave do abajur criava sombras nas paredes, e por um segundo, não soube se o que eu lembrava havia mesmo acontecido — ou se tinha sido apenas mais um pesadelo daqueles que vinham me assombrando desde que cheguei aqui.
Então meu corpo doeu.
Olhei para os lados, tentando entender o que havia acontecido.
Os meus braços estavam ralados, as pernas com pequenos cortes, e havia um curativo improvisado no meu tornozelo.
Eu me mexi devagar tentando me levantar.
O lençol cheirava a lavanda e álcool. E algo mais. Algo masculino. Familiar.
Damon.
Pisquei várias vezes, o coração acelerando, a mente tentando organizar os pedaços quebrados. O vulto entre as árvores.
Os olhos dourados.
O rosnado.
A criatura que se colocou entre mim e o outro animal. Que lutou por mim.
Que… me olhou como se me conhecesse.
Eu estava com medo, e sentia meu coração acelerar cada vez mais.
Levei uma das mãos ao peito, sentindo o coração batendo forte demais.
Eu não sabia o que era aquilo.
Mas sabia que não era normal.
Nem natural.
E dentro de mim, algo gritava: não corra. Descubra.
Não importa o que seja.
Joguei as pernas para fora da cama, gemendo baixo pela dor no tornozelo. Fui até a porta do quarto e a empurrei devagar.
Estava destrancada.
O corredor estava escuro, silencioso. Observei uma das janelas com cuidado, e notei que já era noite.
Mas havia um cheiro no ar… sangue.
Segui esse cheiro em silêncio, até a porta entreaberta do escritório.
Damon estava lá dentro.
Sentado, de costas para mim, os ombros curvados como se carregassem o mundo. A camisa jogada no chão. A pele marcada por arranhões — feridas recentes, abertas, roxas, algumas ainda sangrando levemente.
Engoli em seco.
Ele estava ferido.
Na mesma noite em que aquela criatura apareceu.
Na mesma região.
Com as mesmas marcas.
Meu corpo inteiro gelou.
“Damon…”
Ele virou o rosto devagar.
Os olhos estavam baixos. Cansados. Evitavam os meus.

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