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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 10

PERSPECTIVA DO KIERAN

"Não, Celeste, o polegar por cima dos dedos," Ethan repetiu pela quinta vez, ajustando o punho da irmã. "Se você socar assim, vai quebrar os dedos."

Celeste bufou, fazendo um beicinho. "Tanto faz, ainda não sei por que tenho que aprender isso."

Ethan suspirou e trocou um olhar levemente exasperado comigo. "Já conversamos sobre isso. Com os ataques à nossa Alcateia, você precisa se fortalecer. Quando éramos mais novos, eu te poupei quando você se recusou a treinar, mas agora não dá mais. Viemos treinar aqui em território neutro para que você não se sentisse inferior aos outros membros da Alcateia."

Celeste revirou os olhos. "Não tô nem aí. Treinar é um porre. E, afinal, eu tenho vocês, dois Alfas fortes, pra me proteger."

"Amor," eu disse, dando um passo à frente. "Você sabe que o Ethan e eu sempre vamos te proteger, mas é bom que você pelo menos saiba se virar em casos de emergência."

Ela suspirou e se aproximou de mim. "Mas você promete, né?" Ela olhou para mim com seus lindos olhos azuis. "Quem sempre vai me proteger?"

Beijei seu cabelo. Ela tinha voltado para mim, e eu não deixaria nada acontecer com ela. "Sempre."

"Tá bom, tá bom," Ethan bateu palmas, chamando nossa atenção. "Se conseguirmos acertar seu posicionamento, Celeste, vamos seguir em frente. Não podemos ficar o dia todo aqui."

"Certo." Ela levantou o punho e enfiou o polegar na palma. "Assim?"

Ethan cerrou a mandíbula e eu pressionei a boca para conter a risada.

Atravessei a sala e me encostei na porta de vidro que dividia as salas de treino.

"Pare, pare!"

Meus ouvidos se aguçaram e eu me virei em direção à porta de vidro. A voz feminina do outro lado da porta soava familiar.

Quem quer que estivesse na sala de treinamento ao lado estava pegando pesado desde que chegamos, mas essa foi a primeira vez que ouvi uma voz.

Escutei uma voz masculina abafada e a resposta feminina foi uma mistura de irritação e cansaço. Eu sabia que o que acontecia na sala ao lado não eram problema meu, mas, por algum motivo, eu não conseguia desviar a atenção. A voz feminina parecia muito familiar.

"Pelo menos a Sera tem sorte," resmungou Celeste, enquanto Ethan corrigia sua postura. "Ninguém nunca vai forçar uma lobisomem sem loba a treinar."

Meus olhos se arregalaram quando tudo fez sentido. Não podia ser, mas...

Abri a porta de vidro, e... Uma raiva intensa, como nunca tinha sentido antes, me atingiu com uma força espantosa. Sera estava deitada de costas, com os braços abertos e, acima dela, com a cabeça próxima demais da dela, como se fosse beijá-la, estava um estranho. Não, não era um estranho. Era o homem que a salvou no sepultamento do Edward.

"Que merda!" As palavras saíram da minha boca antes mesmo que eu percebesse. Sera imediatamente se levantou e sua cabeça acertou o nariz do homem.

"Ai!" Ele segurou o rosto dela e, inacreditavelmente, a minha raiva duplicou. Ambos estavam cobertos de suor e seus cheiros se misturavam no ar. Ashar rosnou, e senti cada músculo do meu corpo se tensionar.

Celeste se virou para mim e seus olhos se arregalaram pelo choque. A mão do desgraçado ainda estava segurando o rosto da Sera e senti uma vontade súbita e avassaladora de arrancar o coração dele. Eu não fazia ideia de por que estava me sentindo assim, especialmente quando o amor da minha vida estava a poucos metros de distância. A expressão chocada da Sera rapidamente desapareceu e foi substituída por aquela personalidade fria que ela adotara desde o funeral e que estava começando a me irritar.

"Kie?" A mão da Celeste nas minhas costas deveria ter aliviado a tensão nos meus músculos mas, em vez disso, eles ficaram ainda mais contraídos.

"O que es..."

Eu não me virei para ela, mas vi a expressão da Sera no momento em que a Celeste a notou.

O homem se levantou, finalmente tirando a mão do rosto da Sera. Mas, imediatamente, ele estendeu a mão para ela, que aceitou sem hesitar, desviando o olhar de nós. Cerrei os dentes com força enquanto ele a ajudava a se levantar.

"Obrigada," ela sorriu para ele.

"Por que vocês dois...?" Ethan também parou ao ver sua outra irmã.

O suspiro da Sera era despreocupado, levemente irritado, como se um bando de cachorros de rua tivesse invadido seu jardim bem cuidado.

"Vou tomar um banho," ela disse ao homem, nos ignorando completamente.

Ele segurou o braço dela e eu tive que apertar a borda da porta de vidro para me impedir de atravessar a sala e tirar a mão dele de cima dela, e depois arrancá-la do corpo dele.

"Então vai ser assim agora?" A voz cortante do Ethan os fez parar. "Você não vai nem cumprimentar a sua família?"

Sera se virou para nós e deu uma risada sarcástica. "Família?" Ela apontou para mim e, por alguma razão, meu coração apertou. "Ele não é mais minha família." O dedo dela deslizou de mim e apontou entre a Celeste e o Ethan. "E vocês dois nunca foram, pra começo de conversa."

Celeste se irritou. "Você não tem absolutamente nenhum motivo pra ser tão grosseira assim o tempo todo."

"Cala a boca, princesa," Sera retrucou, sem hesitar. "Acabei de passar por uma tortura física, não preciso da tortura mental que é ouvir você falar."

Celeste sufocou um suspiro chocado e o aperto dela na parte de trás da minha camisa me trouxe de volta do meu choque momentâneo. Quem era essa estranha e o que ela havia feito com a Seraphina dócil e tímida com quem fui casado por dez anos?

Capítulo 10 1

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