Entrar Via

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 12

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Foi preciso todo o meu esforço e autoconfiança para não me encolher e desaparecer diante do desprezo frio nos olhos da Celeste enquanto ela me examinava dos pés à cabeça, seus lábios brilhantes se contorcendo de desgosto.

"Uau, Sera," ela zombou, balançando a cabeça. "Por que diabos eu estava preocupada?" disse, quase para si mesma.

Cruzei os braços, como se eles pudessem me proteger da interação que estava por vir.

"O que você quer, Celeste?" perguntei, com a voz controlada e sem emoção.

Ela inclinou a cabeça. "Você não vai convidar sua irmãzinha para entrar na sua nova casa? Como está a vida de divorciada, a propósito?"

Trinquei a mandíbula e me firmei na soleira da porta. "Hoje é meu dia de descanso, Celeste. Você interrompeu um cochilo maravilhoso e tenho certeza que não veio até aqui só pra zombar de mim e torcer o nariz. Então, o que você quer?"

"Eu sempre me pergunto, sabe?" disse ela.

Franzi a testa. "O quê?"

"O que você pode ter feito pra tapear o Kieran e fazer ele ir pra a cama com você naquela noite. Como alguém nada atraente como você conseguiu isso? Quanto você mexeu com a cabeça dele para que ele perdesse todo o bom senso?"

Fechei os olhos e respirei fundo pelo nariz. Eu realmente não estava com paciência para isso.

"Adeus, Celeste."

Agarrei a porta e tentei fechá-la, mas Celeste colocou o pé entre a porta e o batente.

"Fique longe dele," ela sibilou.

Olhei para ela. "Quem?"

"Kieran," ela cuspiu. "Quem mais?"

Eu suspirei. Estava exausta demais para lidar com esse tipo de besteira. "Caso você não tenha percebido com a sua volta, Celeste, o Kieran e eu estamos divorciados. Com certeza, ele mencionou isso pra você."

"E ainda assim, você continua por aí, sua sem vergonha, seduzindo ele como a vagabunda que você é."

Eu congelei, acordando um pouco. "Desculpa, como é?"

O rosto da Celeste se transformou em algo feio e cruel. "Ele voltou para a sala de treinamento com seu cheiro. Você achou que eu não descobriria que você ainda tá atrás do meu homem?"

O absurdo da acusação dela me deixou sem palavras por um momento. O Kieran tinha tentado me beijar e, de alguma forma, eu era a vilã?

"Ele te largou, Sera," Celeste continuou, cada palavra como uma lâmina afiada pronta para machucar.

"Ele não te queria dez anos atrás e não te quer agora. Olhe pra você e olhe pra mim. Você realmente acha que ele escolheria uma vagabunda feia e sem loba em vez de mim, a mulher dos sonhos dele?"

Ela se aproximou de mim e seu perfume de jasmim me envolveu como uma névoa tóxica.

"Você não é ninguém, Seraphina," ela chiou. "Escutou? Uma ninguém. Você não tem loba, não tem emprego e agora não tem marido. Você nunca vai ser alguém. Seu destino é ficar sempre de escanteio e me assistir assumir meu lugar de direito: a companheira do Kieran, sua esposa, sua Luna."

Eu mentiria se dissesse que as palavras dela não me feriram profundamente, afinal, passei a vida ouvindo isso.

Sem loba. Fraca. Indigna.

Décadas tentando fugir disso e, depois daquela noite, me tornei uma pecadora para sempre, mas nunca merecedora de misericórdia.

Eu me rebaixei em busca de migalhas na forma da aprovação deles, brinquei de ser a esposa obediente e engoli todas as acusações. Cheguei até a voluntariamente aceitar o fim do meu casamento achando que a distância poderia amenizar a dor. Mas nada disso fez diferença.

E lá estava minha irmã, na minha porta, com aquele mesmo sorriso venenoso que ela usou quando "acidentalmente" expôs para toda a alcateia que eu não tinha loba.

Fragmentos de memória queimavam por trás das minhas pálpebras:

* Minha mãe se afastando enquanto os jovens da alcateia me jogavam na lama;

* O desdém do meu pai quando eu implorava por treinamento;

* Os olhos indiferentes do Ethan quando seus amigos me encurralaram na floresta;

* A risada da Celeste quando suas seguidoras puxavam meu cabelo com força...

Apoiando-me no batente da porta e fechei os olhos com força. A escuridão feia que mantive amarrada por anos começou a sacudir suas correntes.

Por que eu sempre mendigava diante deles? Que parte doentia de mim continuava aceitando a vitória deles?

Anos de fúria, humilhação e dor irromperam em um único suspiro. Quando meus olhos se abriram bruscamente, lancei um sorriso sombrio para ela.

"Você tá certa," disse docemente. "Você é a mulher dos sonhos dele. E, no entanto..." deixei meu sorriso se estreitar, indo direto ao ponto. "Por dez anos, era pra minha cama que ele ia, não pra sua."

O efeito foi instantâneo. Celeste se encolheu como se eu tivesse dado um tapa nela, o que eu cogitei fazer, mas meus braços doíam demais.

Capítulo 12 1

Capítulo 12 2

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei