Entrar Via

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 13

PERSPECTIVA DO KIERAN

Eu odiava essa sensação de como o meu mundo virava de cabeça para baixo toda vez que ela se machucava e eu não estava lá para impedir.

"Sera?!" Meu grito ecoou pelo telefone. "Sera, responde!"

Nada. Apenas aquele som horrível depois que ela disse, com dificuldade: "Acho que acabei de levar... um tiro."

A raiva que eu tinha sentido momentos antes, quando a Celeste ligou chorando por causa das provocações da Sera, evaporou. Em seu lugar, surgiu o pânico ardente, queimando em minhas veias.

Eu estava fora de casa antes mesmo da cadeira bater no chão. O aplicativo de rastreamento no meu celular, que eu mantive ativo mesmo após o divórcio apesar da lógica indicar o contrário, me levou até o Parque Griffith. Eu dirigia como se estivesse sendo perseguido por demônios, xingando a teimosia da Sera por morar tão longe.

O que seguiu foi um pesadelo fragmentado:

Sangue. Muito sangue acumulando-se debaixo dela enquanto eu pressionava a mão contra o ferimento da bala de prata ainda pulsando em seu peito.

Velocidade. Os trinta minutos mais longos da minha vida, a respiração ofegante dela sendo o único som no carro enquanto eu avançava todos os sinais vermelhos.

Espera. Caminhei pelo corredor que levava à sala de cirurgia por intermináveis cinco horas, com o sangue seco dela rachando nos meus nós dos dedos.

Alívio. As frases do cirurgião: "Passou raspando pelo coração... ", "Nenhum dano fatal... " e "a cirurgia foi um sucesso" quase me derrubaram de joelhos.

Agora, com a testa encostada no vidro da UTI, eu observava as máquinas respirarem por ela. A vontade de quebrar a janela lutava contra a necessidade de desmoronar.

"A recuperação dela agora depende unicamente da sua força de vontade."

Eu deslizei para o chão, com as roupas rasgadas da Sera apertadas nos meus punhos. O cheiro do sangue dela misturado ao medo e à dor ardiam nos meus pulmões.

De novo. Eu a havia decepcionado de novo.

Dois ataques desde o nosso divórcio. Em nenhuma das duas vezes eu estava lá.

Ela era a mãe do Daniel. Minha responsabilidade, mesmo que não fosse mais minha esposa. Eu deveria ter contratado seguranças. Deveria...

Um calafrio percorreu meu corpo.

Eu deveria ter feito muitas coisas.

Um toque de celular desconhecido quebrou o silêncio: o telefone da Sera, tocando no bolso das suas roupas ensanguentadas.

Peguei o telefone dela e meu coração afundou quando vi quem estava ligando.

"Mãe!" Daniel exclamou quando atendi.

Pressionei as palmas das mãos contra os olhos, segurando um palavrão.

"Oi, Campeão," me forcei a dizer.

Daniel hesitou por um momento. "Pai?"

Exalei. "E aí? Como está indo o acampamento?"

"Tudo bem", ele respondeu lentamente, com a voz tensa. "Já estamos de volta. Cadê a Mamãe?"

Olhei para trás, para a mãe inconsciente do meu filho.

"Ela tá ocupada agora, Danny."

"Pai?"

"Oi?"

"Você está no hospital?"

Eu congelei. A percepção do Daniel às vezes me assustava.

"Pai?" Daniel insistiu quando não respondi. A voz dele tremeu quando falou de novo. "O que aconteceu? A mamãe tá bem? Ela se machucou de novo?"

Eu soltei a respiração. Não conseguia me obrigar a contar para o meu filho o que tinha acontecido com a mãe dele. Os detalhes horríveis estavam na ponta da minha língua, mas não consegui colocá-los para fora.

"Sua mãe tá bem," eu menti.

"Então onde ela tá? Quero falar com ela."

"Agora não, querido. Ela... ela tá viajando."

"Sem mim?" O sentimento de traição na voz dele me destruiu.

"Foi uma viagem de última hora," eu improvisei. "Ela esqueceu o celular."

"É uma viagem de treinamento?"

Agarrei essa saída. "Isso! Você sabe o quanto ela tem treinado. Ela foi pra uma viagem de treinamento."

"Ah." Ele deu um suspiro desconfiado. "Então por que você tá no hospital? Você se machucou?"

Balancei a cabeça, embora ele não pudesse ver. "Não, filhão, só vim fazer uns exames de rotina. Não se preocupe."

"Tá bom." Ele não pareceu convencido. "Quando a Mamãe vai voltar?"

"Logo, campeão. Tudo bem pra você ficar com a vovó e o vovô por mais um tempinho?"

"E a escola?"

Eu hesitei. Se a Sera tinha sido baleada em um parque, em plena luz do dia, não dava para saber quais outros perigos podiam rondar a minha família. Eu daria tudo para que mais ninguém que eu amava... Para que mais ninguém próximo a mim se machucasse.

"O que acha de uma folga da escola, Campeão?"

Alguém tinha atirado em mim. Com uma bala de prata. Isso não era um caso aleatório de violência.

O aviso do Kieran após o ataque dos renegados ecoou na minha mente. Eu fui ingênua em pensar que o desprezo da minha família me protegeria.

Um tremor sacudiu meu corpo debilitado.

"Ei." A mão do Kieran envolveu a minha e seu polegar acariciou meus dedos. "Você tá segura agora. Eu não vou a lugar nenhum." A mandíbula dele se tensionou. "Isso não vai acontecer de novo."

Eu ergui uma sobrancelha. Por que essa proteção repentina?

Ele gentilmente afastou meu cabelo da testa. "Não vou deixar meu filho crescer sem a mãe," disse ele, com firmeza.

Um aperto momentâneo me atingiu com a menção ao Daniel. Como ele estava? Ele estava machucado? Ele sabia que eu estava machucada?

"Sera." A voz do Kieran interrompeu a loucura dos meus pensamentos. "Sei que a sua cabeça tá a mil, mas para. Apenas descanse. Tô aqui." Ele balançou a cabeça. "Não quero que você se preocupe com nada, tá? Apenas descanse. Tô aqui."

Mas por quê? A pergunta queimava por trás dos meus lábios.

O médico, que eu quase esqueci que ainda estava no quarto, interviu. "Sra. Blackthorne, a senhora precisa de um longo tempo de recuperação. Seu marido não sai deste quarto há quarenta e oito horas, então sei que está em boas mãos."

Finalmente, minhas pálpebras colaboraram, se abrindo. Marido? Quarenta e oito horas?

"Eu..."

"Ela vai descansar, doutor." O tom do Kieran não deixava espaço para discussão. "Muito obrigado por tudo."

O médico acenou com a cabeça. "Não hesite em chamar as enfermeiras se precisar de alguma coisa."

Assim que ficamos a sós, abri a boca e me forcei a falar palavras secas e rachadas: "Você... não é... meu marido."

Kieran revirou os olhos.

"Todos os seus documentos ainda dizem 'Seraphina Blackthorne', então..." Ele deu de ombros.

Droga! Eu estava adiando a troca do nome nos meus documentos porque, embora soubesse que não era mais uma Blackthorne, também não me sentia uma Lockwood.

"Não... precisa ficar," murmurei.

Ele apertou mais os meus dedos. "Nada que você diga vai me fazer ir embora."

Queria argumentar, garantir a ele que os seguranças do hospital me manteriam a salvo, mas as poucas palavras que disse me esgotaram e a mão do Kieran na minha era quente e reconfortante.

"É isso aí," murmurou, me fazendo um cafuné. "Durma, Sera. Estarei aqui quando você acordar. Você tá segura agora."

Contra a lógica e apesar do terror de ter sido atacada, a presença dele me ancorava. Pela primeira vez em anos, não temi a escuridão.

Porque o próprio diabo estava de vigia.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei