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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 15

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Eu fui enganada.

Quando retornei à consciência, o espaço ao lado da minha cama estava vazio. Nenhum alfa melancólico, nenhum Kieran.

Somente o Ethan e a Celeste pairando como urubus em cima da carniça.

O que raios tinha acontecido? Minha língua parecia estranhamente leve, mas a amargura no meu peito era pesada como chumbo.

"Oh, Sera..." Celeste avançou para segurar minha mão com uma simpatia fingida, mas retirei-a antes que ela pudesse me tocar.

A garganta do Ethan se mexeu enquanto ele examinava tudo no quarto: o soro intravenoso no meu braço, os bipes constantes do monitor cardíaco, os travesseiros brancos como neve... qualquer coisa, menos o meu rosto. "Como você tá se sentindo?"

"Como se tivesse levado um tiro," resmunguei.

Um músculo se contraiu no maxilar dele. "Lamentamos que isso tenha acontecido com você."

A ironia queimava a ponta da minha língua: 'Ah, é mesmo? Lamentam o suficiente pra finalmente reconhecer minha existência?' Porém, a culpa escancarada em seus olhos me fez engolir essas palavras. "Obrigada," murmurei.

Então, como uma masoquista, perguntei: "Cadê o Kieran?"

Celeste ficou tensa e Ethan respondeu rapidamente. "Nós falamos pra ele ir pra casa, descansar."

Claro, fazia sentido, e ele merecia um descanso depois de ter ficado tanto tempo comigo.

Em seguida, uma enfermeira entrou para me dar os medicamentos e analgésicos. Depois, inclinou a cama do hospital, deixando-a um pouco mais erguida. Quando terminou, garantiu que eu estava progredindo bem, dentro do esperado, e eu respirei fundo, aliviada, o que logo fez com que eu me arrependesse por causa da dor aguda no peito.

"Você precisa de alguma coisa?" Ethan perguntou quando ela saiu. "Comida? Água?"

Eu estava prestes a argumentar que a enfermeira tinha acabado de dizer que eu ainda não podia comer alimentos sólidos quando a Celeste se adiantou: "Será que você pode ir buscar um café com leite pra mim, por favor, Ethan?"

Ele arqueou a sobrancelha: "Estamos no hospital, Celeste. Aqui só tem café solúvel."

Ela revirou os olhos: "Tá bom. Pode ser."

Ethan se virou para mim: "E você?"

Eu sorri: "Tô bem, obrigado."

Ele assentiu. "Já volto."

Assim que a porta se fechou atrás do Ethan, fechei os olhos. Definitivamente, o clima entre a Celeste e eu estava estranho e eu sabia que ela provavelmente se sentia culpada pela nossa última conversa e não ia querer...

"Sua manipuladora falsa."

Quando meus olhos abriram, vi minha irmã parada ao lado da minha cama de hospital, seu rosto perfeito distorcido de raiva.

"Como é que é?" As palavras saíram rasgando a minha garganta.

"Eu achava que conhecia todas as táticas de sedução existentes," Celeste zombou de mim. "Mas dar um jeito de levar um tiro pra chamar a atenção do Kieran?"

Ela bateu palmas lentamente, cada aplauso sarcástico ardendo mais do que o ferimento de bala. "Isso é outro nível, Sera."

Eu ri genuinamente, emitindo um som rouco e doloroso. "Você tá falando sério?"

"Por favor." Ela se inclinou e seu perfume de grife me sufocou. "Você sempre foi patética quando o assunto é o Kieran. Mas isso?" Ela gesticulou para os meus curativos. "Isso é desespero."

O monitor cardíaco disparou enquanto eu tentava me sentar. "Você acha que eu..." Um raio de dor ardente me silenciou.

Celeste deu um sorriso de canto de boca. "Fraca. Patética. Vai ser assim que ele vai se lembrar de você quando essa brincadeira acabar." Pela primeira vez, enxerguei minha irmã mais nova com clareza, não mais como uma bebê, mas como uma víbora que envenenava minha vida há anos.

"Sai." Minha voz baixou para um rosnado.

"Eu vou embora, com certeza." Ela deu um peteleco no tubo do meu soro. "Mas não se engane... Falei sério quando disse que vou recuperar tudo o que é meu," ela disse com contundência. "Mas, talvez, como vingança, eu pegue algo que é seu também."

Franzi os olhos. "Do que você tá falando?"

Os lábios da Celeste se curvaram em um sorriso venenoso. "O Kieran só te aguenta porque você deu um herdeiro pra ele."

Seu dedo bem cuidado tocou no suporte do meu soro. "Então talvez eu tome o Daniel pra mim. Vou criá-lo direito. Como meu filho."

O monitor cardíaco gritava junto com a minha pulsação.

O sorriso da Celeste se alargou. "O que você acharia isso, Sera? Imagina o Danny me chamando de mamãe?"

A porta se abriu com um clique. Ethan entrou, com uma garrafa de água em uma mão e um copo de café saindo fumaça na outra.

Não lembro de ter decidido me mover. Me recordo apenas do arco escaldante do líquido escuro, do grito da Celeste com o vidro quebrando e da sensação de satisfação queimando mais fundo do que qualquer ferida.

"Você é maluca!" Celeste berrou, passando a mão no rosto e puxando a blusa encharcada para longe do corpo. "Sua desgraçada!"

O queixo do Ethan caiu e a garrafa de água vazia escorregou da sua mão. "Minha nossa, Sera..."

"FORA!" A palavra saiu rasgando da minha garganta. O tubo de oxigênio se desprendeu enquanto eu arfava, mas mantive meu olhar fixo na Celeste. "ANTES QUE EU JOGUE O PRÓXIMO NA SUA CARA!"

A enfermeira entrou em disparada e arregalou os olhos ao ver a confusão.

"TIREM ELES DAQUI!" Gritei, respirando pesadamente. "NÃO QUERO VER A CARA DELES!"

Desabei contra os travesseiros, lutando desesperadamente por ar. A cânula do oxigênio havia caído na cama e minha mão se movia descontroladamente tentando alcançá-la.

Eu ainda podia ouvir a Celeste chorando e me xingando enquanto a enfermeira, educada, mas firme, pedia aos meus irmãos que saíssem, e então...

"Shiii. Tá tudo bem."

Eu não sabia se a minha visão estava embaçando por causa das lágrimas ou da falta de ar, mas então senti alguém gentilmente colocar a cânula de volta nas minhas narinas e respirei aliviada.

Capítulo 15 1

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