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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 175

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Por um momento, tudo ficou imóvel. A noite. A minha pulsação. A minha respiração.

Um zumbido agudo encheu os meus ouvidos, abafando todo o resto, exceto as duas palavras que se repetiam incessantemente: o vínculo. O vínculo. O vínculo. O vínculo.

"Dane-se isso."

Virei nos calcanhares, mas dei apenas um passo antes do Kieran me alcançar e segurar o meu pulso, não com força, mas firme o suficiente para me deter.

O contato enviou uma descarga elétrica violenta pelo meu braço, energizando cada célula do meu corpo. Igualzinho no parque. E na Ilha. E no iate. E no acidente de carro. E...

Droga!

"Você sente isso", ele declarou, cada palavra impregnada de desespero. "Sera, me diz que você sente isso."

A raiva voltou com força total, feroz e ardente. Mais forte do que qualquer outra maldita sensação.

"É isso que tá acontecendo?" sussurrei, a raiva fazendo o meu corpo tremer. "Seu arrependimento é o seu lobo te pressionando? Você acha que posso ser a sua companheira, e de repente eu valho o esforço?"

Ele balançou a cabeça, se aproximando, mas eu recuei mesmo com a mão dele ainda ao redor do meu pulso.

Deuses, a sensação era de dar vertigem.

"E o que acontece quando você descobrir que não sou?" exigi saber. "Quando o toque de outra mulher despertar o seu precioso vínculo, vou ser descartada de novo?"

Minha visão ficou um pouco embaçada e eu odiei o tremor na minha voz quando acrescentei: "Você é assim, não é?"

"Sera..."

"Deixe pra lá." Me virei, com a fúria pulsando em cada nervo. "Se essa é a razão por trás do seu arrependimento, é fraca e patética. Seja qual for a epifania que você tá tendo, eu não quero fazer parte dela. E eu não quero o seu arrependimento. Eu. Não. Quero. Você."

Aquela dor estúpida passou pelo rosto dele de novo. "Sei que você pode não acreditar em mim," ele disse, entre dentes cerrados. "Mas, Sera... Seja lá o que for isso, é real. E eu não vou me afastar."

Por um momento, a sinceridade no olhar dele quase desarmou as minhas defesas e eu quase cedi.

Mas, então, as memórias me invadiram vivas e mordazes. Me lembrei de tudo com uma clareza enjoativa: a humilhação daquela manhã após a Caçada da Lua de Sangue, o silêncio gelado do nosso casamento, a finalidade implacável do nosso divórcio.

A dor varreu qualquer fraqueza, solidificando a minha decisão.

Puxei a mão de volta e um frio instantâneo tomou conta de mim. "Você já se afastou, Kieran," eu disse, a voz tão fria quanto eu me sentia. "Você só não esperava que eu também fosse me afastar."

O maxilar dele se apertou. "Sera..."

"Sabe o que eu desejo pra você, Kieran?"

As sobrancelhas dele se juntaram enquanto ele aguardava a resposta.

Me aproximei, chegando perto o suficiente para ouvir o rugido ensurdecedor do coração dele. Ou talvez fosse o meu.

"Desejo que você volte com a Celeste."

Ele congelou, como um cervo diante dos faróis de um carro.

"Desejo que vocês se casem e que tenham muitos, muitos filhos." Cheguei mais perto ainda e levantei o pescoço para que ele pudesse ver o puro desprezo nos meus olhos (pelo menos eu esperava que fosse essa a emoção que eu sentia queimando em mim com intensidade gélida).

"Desejo que você passe o resto da sua vida preso em um casamento sem amor. Desejo que as suas noites sejam frias e vazias. Desejo que você anseie por um amor que nunca terá." Minha garganta apertou, mas me forcei a completar a sentença: "O mesmo amor que você jogou fora."

Não esperei para ver o efeito das minhas palavras. Girei nos calcanhares e subi as escadas. Cada passo parecia uma batalha em meio a uma nevasca e eu estava igualmente anestesiada e em carne viva.

Quando parei na frente da minha porta, as minhas pernas mal conseguiam me sustentar.

"Não venha mais até mim com meias verdades e arrependimentos bonitos," eu disse baixinho.

Não olhei para trás. Não consegui.

"Mesmo que algum destino distorcido e impossível fizesse a própria Deusa da Lua nos unir, isso não mudaria nada. Algumas feridas não foram feitas pra cicatrizar."

Ouvi ele soltar um suspiro, longo e lastimável, enquanto abria e fechava a porta atrás de mim. A porta se fechou como um ponto final pesado que ecoou pelo hall de entrada como um trovão se afastando.

Encostei-me nela, com o coração ainda acelerado e os dedos tremendo levemente enquanto os pressionava contra a madeira fria. Por um longo momento, não me movi. Não respirei. O ar na casa parecia denso demais, cheio de tudo que eu queria ignorar: o cheiro dele, a voz dele, o olhar nos olhos dele quando dizia 'você'.

"Mãe?" A voz do Daniel chegou fraca da cozinha.

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