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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 178

PERSPECTIVA DA CELESTE

O whisky desceu queimando na minha garganta como fogo líquido. Bati o copo no balcão e fiz sinal pedindo mais um. O barman hesitou, provavelmente porque eu já tinha bebido demais, mas um olhar meu e ele serviu assim mesmo.

O baixo pulsava nas caixas de som do Luna Noire, vibrando contra a madeira e o metal como um ritmo que eu não conseguia calar. Ao meu redor, risos e o cheiro de lobos se misturavam intensamente ao álcool e ao desespero.

Eu odiava tudo aquilo. Detestava por completo. O fedor de lobos fracos fingindo ter importância. A maneira como me olhavam, como se eu fosse só mais uma bonitinha bagunçada, não a princesa Lockwood que eu era. Não a Rainha Blackthorne que eu deveria ser.

Meu reflexo no espelho atrás do bar parecia o de uma estranha. O batom borrado, os olhos com olheiras escuras e demasiado brilhantes, intensos, furiosos.

Eu quase não me reconhecia.

As palavras da minha mãe ainda ecoavam nos meus ouvidos, mais altas do que a música:

"Você já causou problemas o bastante, Celeste," ela disse, com as mãos tremendo enquanto juntava a bagunça de biscoitos que o neto desajeitado fez.

"Eu sou sua filha!" gritei. "Você nunca disse isso pra Sera, nem quando ela destruiu tudo!"

"A Sera não destruiu nada!" Ela me encarou. "Lamento apenas ter demorado tanto pra ver isso. Você só não suporta que o mundo parou de girar ao seu redor."

"Sua nojenta presunçosa!" eu soltei. "Você colocou uma coroa na minha cabeça e agora tá chocada que eu quero governar?"

Minha bochecha ainda latejava do tapa que ela me deu e a lembrança ardia mais do que a bebida.

Atirei o vaso de cristal precioso dela contra a parede, aquele que o Papai deu de presente no aniversário de vinte anos de casamento deles. Os cacos se espalharam enquanto eu saía da mansão, mas não olhei para trás, eu não suportaria. A minha mãe, por sua vez, não fez nenhuma tentativa de me seguir ou chamar.

Diferente de quando se tratava da Sera.

Aquela lembrança também ardia: a imagem da desgraçada da minha irmã indo embora, puxando o seu filho perfeito pela mão, e a minha mãe com os olhos cheios de lágrimas atrás deles.

Agora, lá estava eu.

Eu não podia ligar para o Ethan, afinal, ele também estava do lado da Sera.

Toda vez que eu ligava para o Kieran, ia direto para a caixa postal.

E eu preferia cortar a minha própria garganta a permitir que a Abby e a Emma testemunhassem a minha humilhante queda até a desgraça.

Então, eu estava completamente sozinha.

A grande Celeste Lockwood, futura Luna de nada.

Na televisão do bar, estava passando uma reprise do maldito TFL, tema sobre o qual as pessoas não paravam de falar. Claro, na conspiração universal para me ridicularizar, a imagem cortou para mostrar a Sera e a equipe dela. Lá estava a minha irmã, serena e composta, com o seu cabelo claro brilhando sob as luzes e uma postura de campeã, conquistando um respeito que ela não merecia.

A legenda dizia: 'Herdeira Lockwood reivindica o seu poder.'

Meu sangue ferveu.

Que absurdo.

"Ela não é a herdeira," murmurei, segurando o meu copo com tanta força que meus nós dos dedos ficaram brancos. Droga, tudo estava de cabeça para baixo. "Eu deveria ser aquela. Eu."

"Falando sozinha, querida?" uma voz arrastada soou atrás de mim.

Eu me virei e vi três homens encostados no bar, todos com os ombros largos e sorrindo de um jeito que fez a minha pele arrepiar. Lobos de baixo escalão cujo estado de embriaguez os fazia parecer idiotas.

Ugh, o Luna Noire estava no fundo do poço em termos de clientela.

"Me deixem em paz," eu disse secamente, virando de volta para a minha bebida.

Mas eles não me deixaram. Um se aproximou mais e disse: "Uma coisa linda como você não devia beber sozinha. De que Alcateia você é?"

"Aquela que cortará a sua garganta se você me tocasse." Nem olhei para ele. Ignorei a pequena pontada de dor ao perceber que nem tinha certeza se os lobos da Frostbane realmente viriam ao meu auxílio se eu estivesse em apuros. "Agora cai fora."

Isso deveria ter sido o suficiente, mas meu tom gelado e afiado só fez eles rirem.

"Temperamental," um deles disse e roçou os dedos no meu braço. Um arrepio de repulsa se espalhou pelo meu corpo a partir do ponto de contato. "Qual é, querida, só estamos tentando ser amigáveis."

"Não toca em mim." Empurrei a mão dele, mas o movimento fez a minha visão inclinar. Muito whisky.

Com o pico de pânico, a minha loba se agitou levemente sob minha pele, mas não reagiu. Eu a estava reprimindo há quase um ano e agora ela não passava de um sussurro dentro de mim.

O sorriso do homem se distorceu. "Não se faça de difícil. Não é nada atraente."

"Se afasta," eu esbravejei, mas a minha voz tremia. O bar estava muito barulhento e as luzes muito fracas. Alguns outros clientes notaram, mas desviaram o olhar. Ninguém queria se envolver em uma briga de lobos à noite.

Um deles agarrou o meu pulso, me puxando do banquinho. A dor percorreu o meu braço. "Me solta!" eu sibilei, tentando me soltar, mas o álcool me deixou lenta. As risadas deles se tornaram cruéis.

"Você acha que é boa demais pra gente, né?" zombou o segundo homem. "Quem você pensa que é, a filhinha de um Alfa?"

'Além de irmã e noiva de Alfas, seu idiota.' Mas a minha língua estava pesada demais para formar as palavras. Talvez eu devesse ter tatuado na minha testa como a Elara sugeriu.

Eu cambaleei e o meu coração disparou enquanto a sala girava. Minha loba choramingou, impotente. Balancei os braços de qualquer jeito, acertando um dos homens bem no peito, mas ele mal se mexeu.

Então, justo quando o pânico subia pela minha garganta, ameaçando cortar o meu ar, a atmosfera mudou.

Um rosnar sombrio e ameaçador ecoou pelo espaço, baixo e letal.

“Toca nela de novo,” uma voz disse das sombras, “e eu quebro todos os ossos do seu corpo inútil.”

O aperto no meu pulso desapareceu instantaneamente. Os homens congelaram e o meu fôlego se prendeu enquanto a multidão se abriu, revelando o homem que tinha falado.

Por um momento, pensei que estava alucinando.

De todas as pessoas no mundo que poderiam ter entrado no bar onde escolhi me afundar esta noite...

Não, não era possível.

Não podia ser ele.

Meu pulso vacilou.

E ainda assim...

Era ele.

***

PERSPECTIVA Da SERAPHINA

Não dormi bem.

Toda vez que fechava os olhos, via o rosto do Kieran e o lampejo de sofrimento nos seus olhos quando eu disse que não o queria.

O desespero na voz dele ecoava na minha mente, repetidamente (‘Eu só quero... você’), até que a exaustão finalmente me derrubou.

Mesmo assim, o sono não trazia paz. Em algum lugar distante, um uivo angustiado rasgava a noite, cru, ferido e implacável.

EU não tinha certeza se era real ou algo que o meu coração conjurou a partir da culpa, mas se alojou na minha mente como um eco que eu não conseguia silenciar, vibrando através dos meus ossos e da minha pele até parecer que estava saindo de mim.

A manhã demorou uma eternidade para chegar, mas, finalmente, a luz quente e brilhante começou a infiltrar pelas cortinas.

O leve cheiro de baunilha e de panquecas me recebeu antes mesmo de eu abrir os olhos. Minhas pálpebras estavam pesadas quando eu pisquei para acordar, grogue e um pouco desorientada, mais cansada do que quando adormeci.

Eu estava apenas me espreguiçando e me perguntando por que o lado da cama onde o Daniel tinha dormido estava vazio, quando a porta se abriu levemente com um rangido.

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