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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 18

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

A imagem de uma mulher enroscada na cama do filho, se afogando em seu cheiro como uma Ômega apaixonada, poderia parecer patética para algumas pessoas, mas elas que se danem.

Passei a noite no quarto do Daniel, enfiada no cobertor dele, inalando seu cheiro e tentando não me desmanchar em um mar de lágrimas.

Recebi uma mensagem seca da Leona quando pousaram na ilha particular. Devido às regras rígidas de comunicação impostas para manter o Daniel seguro, não podíamos agendar ligações e fui informada de que eles entrariam em contato quando fosse seguro.

Parte de mim achava que as medidas de segurança eram exageradas, mas também estava grata por esse exagero. Qualquer coisa para proteger o meu bebê.

Saí da cama meio desajeitadamente, estreitando os olhos para a luz da manhã que entrava pelas cortinas entreabertas, e cambaleei até o banheiro, onde tomei um banho rápido.

Eu não queria ir a lugar nenhum, mas tinha uma consulta de retorno no hospital e, quanto mais cedo eu fosse liberada, mais rápido poderia voltar a treinar e ficar forte o suficiente para enfrentar os desgraçados que queriam me ver morta.

Coloquei um jeans e uma camiseta larga e prendi o cabelo em um rabo de cavalo bagunçado. Estava com fome, mas deprimida demais para cozinhar qualquer coisa, então peguei uma maçã da geladeira.

Mordi a maçã enquanto abria a porta... E bati direto no peito do Kieran.

"Mas que..." A maçã escorregou da minha boca e caiu. "Droga!"

Ele se moveu mais rápido do que qualquer humano conseguiria, pegou a maçã e a levantou para mim. "Toma."

Pisquei ao olhar para ele, mas não fiz menção de pegar a fruta. "O que..." Parei, mastiguei o pedaço de maçã na boca, engoli e então continuei, "você tá fazendo aqui?"

"Você me bloqueou," ele respondeu, com um tom acusatório.

Eu assenti. "Sim, bloqueei, porque as pessoas normais param de ligar depois de serem ignoradas pela quinta vez, mas você..."

Franzi a testa, observando-o da cabeça aos pés. Ele estava vestindo o mesmo jeans preto e a mesma camiseta azul-marinho que usava no dia anterior, no aeroporto. O cabelo dele estava despenteado, um pouco achatado na parte de trás, e havia sombras escuras sob os olhos.

Olhei para trás dele e, como esperado, seu Escalade estava estacionado ao lado do meu sedan.

Franzi a testa para o Kieran. "Qualquer resposta que não seja 'não' será considerada completamente absurda, mas por acaso você dormiu no seu carro... na frente da minha casa?"

Ele deu de ombros, mordendo a minha maçã.

Arregalei os olhos. "Ei!"

"Eu tentei te devolver, você que não pegou," disse ele, mastigando sem se importar.

Bufei. "Não tenho tempo pra isso, Kieran. Eu tenho uma..."

"Consulta médica. Eu sei." Ele acenou com a cabeça em direção ao Escalade. "Vamos, eu te levo."

Pisquei os olhos, lutando para entender aquela situação bizarra. Será que acordei em algum universo paralelo? Desde quando o meu ex-marido se importava tanto assim comigo?

Primeiro, a vigília no hospital. Depois, o acampando na minha rua. E agora... se oferecendo para ser o meu motorista até o hospital? O que diabos tinha dado nele?

Passamos dez anos casados, mas agíamos como completos estranhos, e ele sequer suportava a minha presença. Agora, de repente, ele queria fazer o papel de pai perfeito? Como se todos aqueles anos de ressentimento frio e indiferença proposital nunca tivessem acontecido?

Enquanto o Daniel estava aqui, talvez eu concordasse por causa dele. Mas, sem ele por perto? Eu não estava com paciência para brincar de casinha.

A última coisa que eu precisava era de outra visita da desequilibrada da Celeste, que era capaz de me deixar abalada ao ponto de tomar decisões precipitadas que poderiam custar a minha vida. Além disso, a ideia de ficar em um lugar fechado com o Kieran por qualquer período de tempo fazia o meu estômago revirar por outro motivo que não a fome.

Balancei a cabeça: "Para de me oferecer carona. Eu sei dirigir."

Ele franziu a testa: "Esqueceu que você tá na mira de um assassino?"

Dei um sorriso sarcástico e bati levemente no meu peito. "Difícil esquecer. Além disso..." apontei para o carro preto familiar estacionado em frente à minha casa, "sua equipe de segurança tá me vigiando de perto. Não preciso de você me acompanhando."

Ele revirou os olhos. "Sera..."

"Se eu quisesse companhia no hospital, teria ligado pro Lucian, certo?"

Kieran ficou tenso e eu me sobressaltei quando ele apertou a maçã na mão com tanta força que ela se despedaçou, fazendo o suco escorrer pelo braço dele e pingar no chão.

Ele jogou o resto da fruta longe e fixou os olhos em mim. Ondas de raiva emanavam dele, raiva e... a pressão repentina que tomou o ar quando seu autocontrole desapareceu.

Mesmo sem ter uma loba, eu senti. Aquela energia Alfa primitiva deve emanava em ondas densas o suficiente para serem sentidas. Raiva. Frustração. E algo mais que fez meu instinto humano pensar em fugir ou...

Engoli em seco. Maldito.

"Você é um idiota," murmurei, passando por ele antes que meu corpo me traísse ainda mais. Pelo menos ele teve a decência de oferecer a carona em vez que ordenar que eu fosse com ele, mesmo que o efeito fosse irritantemente similar.

"Recolhe isso," eu disse, apontando com o pé para a maçã destruída. "Vai atrair moscas pra minha entrada."

Não olhei para trás para conferir a expressão dele.

A antiga eu, a esposa dócil e obediente, nunca teria falado daquele jeito com ele. Mas a mulher que sou agora? Ela precisava desse pequeno ato de rebeldia. Ela precisava revidar, nem que fosse apenas para provar para si mesma que a palpitação traiçoeira no peito não significava nada.

Como suspeitei, tão logo o Kieran fechou a porta atrás de si, a sensação foi que o carro espaçoso tinha se transformado em um fusquinha e o único ar respirável era o que saía dele.

O hospital ficava a cerca de vinte minutos da minha casa. Cerca de cinco minutos após começarmos o percurso, comentei: "Achei que você preferia o G-Wagon. Por que tá dirigindo esse ultimamente?"

Kieran cerrou o maxilar por um momento. "O outro tá sendo higienizado. Seu..." Ele me olhou de canto de olho antes de continuar: "Seu sangue manchou o banco traseiro."

Eu assenti. "Entendi."

Ficamos em silêncio por mais um minuto antes de eu dizer: "Obrigada."

Kieran me olhou profundamente, com surpresa no rosto. Eu limpei a garganta. "O médico disse que se eu não tivesse chegado ao hospital tão rápido, talvez não tivesse sobrevivido, então... obrigada."

Ele acenou com a cabeça.

O resto do caminho foi tranquilo e um pouco menos tenso.

A consulta foi boa. O cardiologista, que finalmente identifiquei como Dr. Trumann, fez uma série de exames clínicos, analisou a cicatriz, removeu os pontos, ajustou a medicação e me informou alegremente que tudo parecia bem e que eu estava me recuperando dentro do esperado.

Kieran estava encostado na parede oposta ao consultório do médico quando saí. Sua cabeça estava abaixada e eu tive que limpar a garganta duas vezes para chamar sua atenção, o que fez com que esse acordasse em um sobressalto e se assustasse.

Inclinei a cabeça. "Por que diabos você dormiu na frente da minha casa essa noite?"

Ele franziu a testa e eu poderia jurar que vi uma vermelhidão subir pelo pescoço dele. "Fiquei preocupado quando você não atendeu minhas ligações."

"Por que você é tão dura com a Celeste?"

Não consegui me conter e uma risadinha que escapou de mim. Até de demorou para voltarmos na história cansativa de sempre.

"O que, estamos no jardim de infância, por acaso?" Olhei o Kieran diretamente nos olhos, envolvendo minha amargura em camadas de sarcasmo. "O pai da Celeste quer saber por que a menina má da classe dela tá puxando as trancinhas dela?"

O rosto do Kieran se fechou. "Isso não tem graça."

"Não, tem sim. E sabe o que mais é engraçado?"

"O quê?"

"O fato de que..." me segurei a tempo. Eu podia contar tudo para a Kieran, desde a aparição de Celeste na minha porta praticamente me chamando de vadia até a ameaça de tomar o meu filho de mim enquanto eu estava internada.

Mas, para quê? Eles nunca acreditaria.

Cada vez que a Celeste e eu discutíamos, eu automaticamente virava a vilã. As palavras dela eram lei e suas ações estavam além de qualquer crítica. Enquanto isso, eu, a rejeitada sem loba, estava sempre tramando alguma coisa para machucar a preciosa princesa deles.

Não importava o que eu dissesse, o Kieran sempre ficaria do lado da Celeste. Ele jamais acreditaria que ela, o amor perfeito da vida dele, poderia ser a vilã.

"Esquece," murmurei, abrindo a porta. "Diz pra ela ficar longe de mim e eu fico longe dela. Todo mundo fica feliz assim."

"Espera."

Eu gemi. "O que foi agora?"

Ele revirou os olhos e estendeu a mão para o banco de trás. Sua mão voltou com uma caixa. "É um telefone criptografado pra você se comunicar com o Daniel. O número já tá aí. Se você usar o seu celular, corremos o risco de terem como rastrear a localização dele."

"Ah." Peguei o telefone. "Obrigada."

Ele assentiu. "Você tem outra consulta semana que vem, certo?"

Soltei um suspiro, segurando a caixa do telefone junto a mim. "Olha, Kieran, você não precisa fazer nada disso. A sua equipe de segurança atrás de mim já é suficiente."

Ele balançou a cabeça. "Eu prometi ao Daniel que..."

"Bem, o Daniel não tá aqui. E ele é a única coisa que ainda nos liga."

Um sentimento que poderia ser visto como uma mágoa passou pelo rosto dele. "Sera..."

Abri a porta. "Agora você tem a Celeste. Já a machucamos no passado, você não quer repetir a dose, né?"

Ele franziu a testa. "Claro que não, mas..."

"Então estamos de acordo. Tchau, Kieran. Obrigada pela carona."

Fechei a porta antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa. Era assim que tinha que ser. Nos divorciamos por um motivo e, com o Daniel longe, não havia motivo nenhum para continuarmos interagindo.

Era melhor para todos se o Kieran e eu mantivéssemos distância. E, se o meu peito doía ao pensar nisso, provavelmente era porque eu ainda estava me curando do tiro.

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