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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 19

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Assim que fechei a porta atrás de mim, corri para o sofá e abri a caixa do telefone que o Kieran me deu. Como esperado, havia um número salvo nos contatos, e imediatamente iniciei uma chamada de vídeo com tanta ansiedade que as minhas mãos tremiam.

Tocou duas vezes e eu soltei um suspiro quando o rosto do Daniel apareceu na tela. "Mãe!"

"Ah, meu amor!" Levei a mão ao peito, sentindo como se o meu coração fosse pular para fora das costelas para ir até ele.

Ele me deu um sorriso largo, mostrando os dentes caninos que ainda estavam crescendo lentamente depois dos de leite terem caído há um mês. Não sabia se era a saudade que me apertava, mas ele parecia tão jovem, e tudo o que eu queria era atravessar o telefone e abraçá-lo com força.

"Tô com saudade de você," ele declarou.

"Ah, eu também tô com tanta saudade," respondi, engolindo o choro. "Como é a ilha?" perguntei, tentando me distrair.

Os olhos do Daniel brilhavam de alegria. "Ah, mãe, é enorme!"

Eu ri. "É mesmo? Você tá gostando?"

Ele assentiu com a cabeça. "Tem duas piscinas na casa e consigo ver o mar da minha janela. O Vovô disse que, quando a maré estiver boa, vai me ensinar a pegar uma onda."

Mordi meu lábio inferior, preocupada. "É seguro?"

Ele deu uma risadinha. "Tem tipo uns cinquenta guardas aqui, mãe." Ele revirou os olhos, atirando-se na cama. "E eles me seguem pra todo lado. Não consigo fazer um lanche sem escolta."

Eu ri, me segurando para não dizer que os seguranças não poderiam salvá-lo de uma onda ruim.

"Bem, é tudo pro seu próprio..."

"Cadê o Papai?"

Pisquei, pega de surpresa. "O quê?"

Ele se sentou e franziu as sobrancelhas. "No aeroporto, ele prometeu que não sairia do seu lado se eu viesse."

Deve ter sido aquilo que o Kieran sussurrou para o Daniel no aeroporto. Lutei contra a vontade de revirar os olhos. O que o Kieran estava pensando ao fazer uma promessa dessas para o nosso filho?

"Escute, querido," disse, com cuidado. "Seu pai e eu estamos..."

"Ela vai ser a Luna dele?"

Eu congelei. "O quê?"

"O Papai vai casar com a Celeste e fazer dela a sua Luna?" Daniel repetiu, a voz tremendo levemente.

Ele disse apenas o nome dela, sem acrescentar nenhum título, e eu não sabia se deveria corrigi-lo. A Celeste um dia faria parte da vida do Kieran oficialmente, e eu não queria que o meu filho fosse repreendido por um erro tão pequeno.

Mas, voltando ao momento, Daniel herdou uma característica terrível que o Kieran e eu compartilhávamos: a teimosia. Quando ele coloca uma coisa na cabeça, nem mesmo a ordem de um Alfa o faz mudar de ideia.

Respirei fundo. "Onde você ouviu isso, querido? Alguém te disse algo?"

Juro, se a Celeste andou falando demais na frente do meu filho...

"Eu já vi ela e o papai juntos," ele disse, sua voz perdendo o brilho. "E eles estão sempre se abraçando. Além disso, ouvi a Vovó dizer que estava cansada de ser Luna e que mal podia esperar pra passar o título pra outra pessoa."

Minha boca se abriu, mas nenhuma palavra saiu.

Fiquei chocada ao confirmar que o Kieran tinha sido extremamente descuidado e exibido seu relacionamento reacendido com a Celeste na frente de Daniel e que a Leona foi grosseira a ponto de deixá-lo ouvir aquele comentário.

Daniel suspirou diante do meu silêncio. "Então, acho que você e o Papai não vão voltar, né?"

"Eu..."

"Não quero que o papai se case com ela, Mãe. Quero que vocês voltem. Quero que você seja a Luna dele."

Senti as lágrimas que lutei tanto para segurar começarem a aflorar e sabia que a barragem estava prestes a se romper.

"Querido," consegui dizer, com dificuldade. "Esqueci que tenho que... ir treinar. Te ligo mais tarde, tá bom?"

A testa dele se franziu. "Mãe?"

"Eu te amo," eu disse em um sussurro de lástima antes de desligar.

Joguei o telefone de lado e afundei a cabeça nas mãos.

Engraçado como as lágrimas de repente desapareciam. Era como se tivessem secado, deixando meu interior árido, vazio e desolado.

"Um fato que ela só tá lembrando agora." Ri secamente. "Se eu soubesse que era isso que precisava, teria levado um tiro anos atrás."

Os olhos do Ethan estreitaram-se. "Seraphina!"

Revirei os olhos e dei um passo para trás, afastando-me da porta. "Tchau, Ethan."

Antes que eu pudesse fechá-la, ele apoiou uma mão grande contra a madeira e empurrou, deixando-me sem escolha a não ser mantê-la aberta.

"O que diabos deu em você, Sera?", ele perguntou, com a voz firme e os olhos azuis frios como gelo. "Somos uma família, por que você tá nos tratado assim?"

Meus olhos se arregalaram e um som incrédulo saiu da minha boca entreaberta. "Por que tô tratando vocês assim?"

Dei um passo à frente. "Você lembra lá no hospital, logo depois que Papai morreu, quando você, meu maldito irmão, jurou de mim toda a minha felicidade?"

O rosto dele perdeu a cor. "Sera, eu estava... Eu não..."

Uma risada amarga escapou da minha garganta. "Acontece que você conseguiu. O Daniel é minha única felicidade." Rangi os dentes. "E agora, por causa da maldita ameaça que você trouxe pra minha porta, tive que mandar ele pra longe pra garantir que fique em segurança. Então me diga, Ethan, qual é o próximo passo?"

"Sera, eu... Eu nunca quis..."

"Me poupa," eu disse rispidamente, afastando a mão dele que segurava a porta aberta. Ela caiu ao lado do corpo dele, sem resistência.

"Vocês todos deveriam continuar fazendo o que fizeram nos últimos dez anos. Eu não sou sua irmã, Ethan, e não sou filha daquela mulher. Não tenho intenção de mudar essa situação, nem agora, nem nunca."

"Sera..."

"Adeus," eu disse firmemente e bati a porta na cara do Ethan.

Por um momento, fiquei parada em frente à porta, sem me mexer. Eu não sabia por quê. Será que eu esperava que o Ethan batesse de novo, insistindo em se reconciliar?

Depois de um minuto inteiro, soltei uma risada irônica e limpei uma lágrima solitária que escapuliu dos meus olhos. Era uma coisa ele ter vindo até minha casa, mas esperar que o Ethan lutasse por mim?

Nem em um milhão de anos.

E talvez fosse melhor assim. Tentar me reconciliar com a minha família era como tentar fazer o Kieran me amar. É como regar uma planta morta... inútil e sem sentido.

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