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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 20

PERSPECTIVA DO KIERAN

O baixo rugido da cidade e o coro agudo do trânsito chegavam até mim pelas janelas altas atrás da minha escrivaninha, mas hoje não traziam o conforto familiar de sempre. O horizonte iluminado do centro de Los Angeles estava desfocado pelas luzes sem significado enquanto meus pensamentos giravam em torno do mesmo tópico novamente: Sera.

Os papéis espalhados na minha mesa esperavam a minha atenção intocados. Renderizações arquitetônicas, plantas de expansão, contratos assinados. Cada linha impressa se contorcia como as linhas do cenho franzido dela, nadava pelo azul de seus olhos, descia pelo loiro pálido do seu cabelo e terminava na mordacidade das suas palavras, já que eu não conseguia parar de dissecar cada interação que tivemos desde o divórcio repetidamente.

Sera sempre foi tímida e reservada e, mesmo quando Celeste reapareceu, eu não esperava nada diferente dela.

Definitivamente, eu não esperava era essa... estranha que expulsava pessoas do seu quarto no hospital, bloqueava minhas ligações e distribuía comentários ácidos como se não tivesse controle sobre eles.

O pior de tudo era que ela cuidadosamente se mantinha distante. Acho que foi tolice da minha parte esperar algo diferente. Afinal, ela passou a década em que fomos casados como um caracol, se retraindo cada dia mais, conseguindo até esconder de mim a sua carreira.

"A aquisição da Sunset Ridge foi concluída esta manhã. Sem a presença imprensa, como de costume. Nossa empresa de fachada fez a aquisição."

Gavin estava sentado à minha frente, lendo em seu tablet.

Eu assenti. "Certo."

Ele raspou a garganta e continuou. "A resistência ao zoneamento que você temia foi resolvida. O Vereador Ortego recebeu o incentivo conforme o programado, disfarçado como uma doação para a campanha dele."

Outro aceno. "Ótimo."

"Também compramos os unicórnios que você pediu. Eles gostaram do novo habitat, estão junto com os duendes no final do arco-íris."

"Perfeito."

Seguiu-se um silêncio carregado e minha mente retrocedeu alguns segundos, obrigando-me a suspirar. "Ha ha," comentei secamente, cruzando os braços enquanto me recostava na cadeira.

Gavin não achou graça. Seus olhos frios estavam fixos em mim como um espelho que se recusava a me favorecer.

Eu suspirei. "O que foi?"

Ele me olhou por mais um instante antes de balançar a cabeça: "Nada. Podemos continuar?"

Eu assenti: "Claro."

"O complexo de Malibu tá sob..."

"Já não tá na hora de trocar o turno da segurança dela?"

Um músculo se contraiu no maxilar do Gavin enquanto suas mãos caíam no colo.

"Você perguntou sobre a segurança dela hoje de manhã," ele respondeu secamente. "E perguntou de novo à tarde. E de novo trinta minutos atrás. E, antes disso, todos os dias na última semana."

Sério? Quando foi que me tornei esse... protetor obsessivo? Pensei mais na Sera nas últimas semanas do que na década inteira em que estivemos casados e, ao que tudo indicava, ela não sairia da minha mente em breve.

"Me responde," eu disse entre dentes cerrados.

Gavin suspirou, passando o dedo pela tela do tablet.

"Temos lobos posicionados nas esquinas opostas do perímetro da casa dela o tempo todo, trocando de turnos a cada quatro horas," ele respondeu como um robô bem ensaiado, como se já tivesse repetido a informação um milhão de vezes... O que, de certa forma, tinha feito. "Temos drones de vigilância nas árvores ao redor. Escâneres de movimento. Sensores de ruído. Uma das equipes de segurança tem um ex-fuzileiro humano ligado à Alcateia, enquanto os demais são membros de elite."

Ele deu uma olhada rápida para cima, suspirando. "A menos que você se mude pra lá, não há mais nada que nós ou você possamos fazer pra garantir a segurança dela."

Passei a mão pelo cabelo, sem aliviar a tensão. "E você tem certeza de que não houve nenhuma violação?"

"Cem por cento."

Soltei o ar enquanto o couro da minha cadeira rangia sob mim à medida que eu mudava de posição.

"Dez anos," murmurou Gavin, com um tom pensativo.

Meus olhos se fixaram nos dele. "O quê?"

"Você e a Seraphina foram casados por dez anos e eu nunca te vi tão... inquieto em relação a ela."

Minhas mãos se apertaram. "Ela não levou nenhum tiro nesses dez anos."

O olhar dele se intensificou, como se ele pudesse me abrir e investigar meu interior. "E você tem certeza de que é só isso?"

Ao invés de responder, me levantei abruptamente, fazendo com que o Gavin erguesse as sobrancelhas e inclinasse a cabeça para trás.

"Preciso de uma bebida," declarei.

Precisava parar de pensar na Sera e, claramente, não conseguia fazer isso apenas com força de vontade.

***

A Luna Noire vibrava com jazz suave, as paredes de veludo abafavam o mundo exterior, as luzes piscando abraçavam tudo com um brilho avermelhado como uma contusão. Lobos relaxavam em banquetas de couro, com copos na mão e dando gargalhadas selvagens.

O bar brilhava como obsidiana à luz de velas e, como um marinheiro atraído pelo canto de uma sereia, defini o traçado da minha caminhada, seduzido pela promessa de distração momentânea.

A distração veio mais rápido do que eu esperava quando Gavin e eu subimos nos bancos do bar... ao lado do Ethan.

"Eu sei o que tô fazendo aqui," comecei, encarando meu ex-cunhado... e provavelmente futuro cunhado. "E você, o que tá fazendo aqui?"

Ethan deu uma risada seca, um som vazio que contrastava com a animação do bar.

"Como estão as coisas com a Sera?" ele perguntou, em vez de responder.

Meu peito se apertou. Droga. Lá se vai a distração.

Fiz sinal para o barman. "Whiskey. Puro."

Um minuto depois, um copo deslizou para a minha mão, que aguardava. "Deixa a garrafa," murmurei.

Virei o primeiro copo em um gole só antes de enchê-lo novamente.

"Bem," soltei a palavra com dificuldade.

Ethan deu uma risada incrédula. "Fui visitá-la cerca de uma semana atrás pra ver como ela estava."

Fiz uma careta. "E como foi?"

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