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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 21

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

"Para! Que droga!"

Eu me dobrei, apoiando as mãos nos joelhos enquanto tentava respirar, apesar da queimação nos pulmões. Parecia que alguém tinha conectado uma caixa de som Bluetooth ao meu coração de tão forte que ele batia. Mal ouvi quando o Lucian chegou ao meu lado e disse: "Já chega por hoje, Sera."

Balancei a cabeça, me arrependendo imediatamente quando o campo de treinamento pareceu girar. "Não, eu..." Engoli em seco contra a aridez da minha boca. "Eu consigo continuar."

Lucian, o sádico desgraçado, tinha desaparecido, e Lucian, meu amigo, disse com uma voz calma e paciente: "Terminamos por hoje, Sera."

Endireitei-me e fiz uma careta quando senti uma pontada na lateral do meu corpo. "Ainda não completei o percurso," ofeguei, resistindo à vontade de massagear a dor no peito.

Antes de ser baleada, eu já tinha conseguido correr o percurso de obstáculos da SDS três vezes. Toda vez, terminava coberta de suor e lama e com as palmas das mãos arranhadas de tanto subir em rochas. Mas eu conseguia terminar.

Agora? Desmoronei no meio do caminho, com os pés plantados em um barranco lamacento enquanto tentava distinguir o zumbido nos meus ouvidos do canto dos pássaros que passavam voando acima, como se estivessem zombando da minha fraqueza.

"Eu sempre termino," sussurrei, olhando ansiosamente para o restante dos obstáculos que tinha que superar e admitindo eu provavelmente morreria se tentasse continuar.

"Sim," disse Lucian, "antes de te acertarem com uma bala de prata e você passar por uma cirurgia de peito aberto."

"Mas eu..."

"Cicatrização leva tempo, Sera." Ele colocou uma mão reconfortante nas minhas costas, apesar de estarem ensopadas de suor. "Você ainda não tá cem por cento, e tudo bem."

Bufei. "Não ter uma loba é um saco."

"Ei," ele me cutucou gentilmente. "Foi isso que te salvou, lembra?"

"Lembrou." Soltei o ar, limpando o suor da testa e, sem querer, manchando-a de lama no processo. Lembrei-me de ser grata pelo fato da minha fraqueza ter salvo a minha vida.

"Por que você não vai tomar um banho e depois a gente sai pra jantar?" Lucian sugeriu.

Minha primeira reação foi recusar educadamente a oferta, já que não estava com vontade de sair. Mas então, lembrei que voltaria para uma casa vazia e um prato de comida chinesa aguardando na geladeira até ser requentado.

Então, sorri cansadamente para o Lucian. "Claro."

***

"Você deve ser a única pessoa que conheço que consegue ficar com cara de poucos amigos no Jardim da Lua."

Pisquei e tirei o olhar da prímula que tinha colhido e com o qual estava brincando.

As chamas lançavam um brilho quente no rosto da Lucian enquanto ele sorria suavemente. "O que vai ser preciso pra te animar?" ele perguntou.

Exalei, balançando a cabeça. "Desculpa. Você foi tão gentil me trazendo pra jantar e depois pra cá..." Eu fiz um gesto com as mãos indicando o Jardim ao redor. A beleza serena daquele lugar era maravilhosa, mas a lástima era que... eu não conseguia nem apreciar.

"Ainda tem algo te preocupando," Lucian notou. "É o Daniel? Você sente falta dele?"

Meu peito apertou. Admitir aquilo tinha um gosto amargo. Foi exatamente por isso que mandaram o Daniel para longe, porque a mãe dele era defeituosa, desprovida de força, fraca demais para protegê-lo.

Nunca ficamos tanto tempo separados, não desde a noite em que ele nasceu, quando eu contei cada dedinho através das lágrimas de exaustão. Agora, cada respiração longe dele fazia eu me sentir como se estivesse me afogando.

"Sim." A palavra escapuliu da minha garganta. "Sinto muita falta dele. A única coisa que me faz esquecer dele é treinar." Meus punhos se cerraram. "Se eu conseguir ficar forte o suficiente, rápida o suficiente, podemos voltar a ficar juntos."

Ele assentiu. "Eu entendo, mas não dá pra apressar essas coisas, Sera. Você já está indo tão bem, considerando tudo pelo que passou."

Ele apertou minha mão. "O progresso não é linear; há altos e baixos, curvas e reviravoltas, mas você vai chegar lá, eu garanto."

Dei um sorriso legítimo. "Obrigada, Lucian, por ficar ao meu lado e dedicar tempo pra me treinar."

"Bem, sobre isso..."

"O quê?"

"Eu ia fazer uma surpresa," ele deu de ombros, "mas acho que vou te contar agora."

"O quê?" insisti.

"Eu designei um novo treinador pra você."

Minha expressão entristeceu. "Ah, tô aquém das suas expectativas?"

Seus olhos se arregalaram ligeiramente. "Ah, não, não é isso. Esse treinador é um guerreiro de elite e mais habilidoso do que eu em muitos aspectos. Ela vai te guiar corretamente na sua próxima fase de treinamento."

"Ah", eu disse, a curiosidade substituindo a tristeza. "Quem é?"

"Bem..."

Seu olhar se desviou para algo à esquerda e seu rosto se contraiu. "Só pode ser brincadeira", ele murmurou.

Franzi a testa, me virando na direção do olhar dele. "O quê..."

Capítulo 21 1

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