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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 215

PERSPECTVA DO KIERAN

Sera saiu da cozinha sem olhar para trás.

O clique suave da porta se fechando no andar de cima foi, de alguma forma, mais alto do que todas as vezes que ela gritou comigo.

Fiquei ali na cozinha por um bom tempo apenas olhando para o lugar onde ela estivera. O perfume dela ainda pairava levemente no ar, se recusando a ir embora mesmo após a sua partida.

“Ela mal consegue me olhar”, murmurei, me apoiando no balcão. “E eu nem posso culpá-la.”

Fiz uma careta de dor. Minhas costelas ainda doíam de leve onde agravei a lesão jogando hóquei e o pulsar maçante da ferida acompanhava o ritmo do meu coração.

'Não dá para culpar.'

Dei uma risada irônica. ‘Ah, então estamos nos falando de novo?’

'A Sera quer que eu pare de te punir', Ashar respondeu, com um tom relutante.

Eu ri secamente. ‘Desde quando você faz o que os outros querem?’

‘Desde que ela apareceu’, ele afirmou, como se fosse óbvio. 'Vou fazer o que for preciso pra deixar ela feliz, depois de ter sido a causa da dor dela por tanto tempo.'

Minha cabeça caiu e senti cada respiração ficar presa no a arrependimento que pesava em mim como chumbo.

'Não se lamente, Kieran. Não é só você que tá sentindo isso. Ela nos olha como se fôssemos estranhos.'

‘Ela tem todo o direito’, suspirei, esfregando o rosto com as mãos. ‘Afinal, a tratei como uma estranha nos últimos dez anos.’

Ashar ficou em silêncio por um momento antes de responder, 'Naquela época, você tava apaixonado pela Celeste.'

A declaração me acertou de tal forma que eu estremeci.

‘Isso não é desculpa,’ eu disse com os dentes cerrados.

‘Não é,’ ele concordou. ‘Mas é a verdade.’

Eu encarei o meu reflexo na superfície de aço inoxidável da geladeira. O homem que me olhava de volta parecia um Alfa, de ombros largos, severo, sereno. Mas, e por trás dos olhos? Era apenas um caos de arrependimento e culpa.

‘Você disse que gosta da Sera,’ eu finalmente falei. ‘Você sempre gostou dela. Por que nunca me contou?’

Ashar suspirou, soltando um som que era quase como um rosnado no fundo da minha mente. ‘Teria feito diferença? Você já tinha decidido quem você queria. Eu sabia que, se dissesse alguma coisa, você ia brigar comigo.’

Minhas mãos caíram sobre os joelhos enquanto eu me inclinava para a frente. ‘Então você guardou isso pra si mesmo todos esses anos?’

‘Eu tive que fazer isso.’ O tom dele agora era mais baixo e percebi um toque que parecia de vergonha.

‘Você tava convencido de que a Celeste era o seu futuro e eu não queria te confundir. Mas a Sera...’ Ele fez uma pausa e eu senti a sua presença vacilar, hesitante. ‘Ela merecia mais do que ficar presa entre nós. Eu não queria que os meus sentimentos piorassem as coisas.’

Dei uma risada amarga. ‘As coisas pioraram de qualquer forma.’

‘Sim,’ ele admitiu, ‘pioraram.’

O silêncio caiu novamente, mas, desta vez, não era hostil. Era aquele tipo de quietude que vem quando ambos estão despojados de desculpas.

Após uma longa pausa, murmurei, ‘Sabe, você é mais corajoso do que eu às vezes.’

‘Às vezes?’

Sorri com desdém, lutando contra uma onda de aversão contra mim mesmo. ‘Falo sério. Você contou a ela como se sentia. Eu tive anos, uma década inteira, pra dizer metade das coisas que ela merecia ouvir, e nunca disse. Eu me escondi atrás do dever, atrás de uma lealdade equivocada. Deixei ela acreditar que não era nada além de uma obrigação.’

A voz do Ashar amoleceu, mas não perdeu a tensão. ‘Você era um verdadeiro monte de merda.’

Bufei. ‘Obrigado.’

‘Mas eu também era,’ ele continuou, me surpreendendo. ‘É por isso que fiz o que fiz.’

Franzi a testa. ‘O que você fez?’

Capítulo 215 1

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