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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 28

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

O relógio da sala de treinamento já não passava de números sem sentido. Horas? Minutos? O tempo não importava, só o ardor nos meus músculos, a dor crua nos meus punhos e o jeito como os meus pulmões gritavam por ar e não recebiam nada.

Cada soco carregava o desprezo pela Celeste: 'Você não vale o esforço.'

Cada cruzado tinha o veneno do Kieran: 'Você nunca importou.'

Eu batia cada vez mais forte, mais depressa, e deixava a dor apagar as lembranças como uma traça corrompendo arquivos velhos.

Se eu parasse, mesmo que por um segundo, ouviria tudo de novo e sentiria a dor cortante das palavras deles.

Não podia me dar a esse luxo. Se deixasse aquelas palavras penetrarem, elas criariam raízes, cresceriam galhos, ramos, me envolveriam e me sufocariam por dentro...

"Caramba, o que foi que esse pobre boneco fez pra você?"

Me assustei, virando rápido para dar de cara com a Maya na porta, exatamente como no dia em que nos conhecemos.

Eu estava tão ofegante que não consegui responder e esse breve momento de distração trouxe o veneno de volta.

'Você foi um erro, Sera.'

Girei de volta e continuei a atacar o boneco de treinamento. Ele não tinha rosto, mas os da Celeste e do Kieran piscavam na tela em branco, e eu batia ainda mais forte.

Não percebi quando a Maya se moveu mas, de repente, senti a mão firme dela segurando o meu pulso e interrompendo meu golpe.

"Você vai quebrar os pulsos se continuar assim," ela disse. "E vai se esgotar."

Por um momento, só fiquei ali, lutando para recuperar o fôlego e pensando se valia a pena lutar contra ela sabendo que ia perder.

Finalmente, cambaleei para trás e a Maya me soltou enquanto eu desabava no tatame. Ela também se deixou cair, só que com muito mais graça do que eu jamais conseguiria. Sem dizer uma palavra, entregou-me uma garrafa de água.

O som que eu emitia enquanto bebia avidamente o conteúdo da garrafa preencheu o ambiente e, quando terminei, me senti um pouco melhor.

'Toda vez que eu te tocava, fechava os olhos e fingia que você era ela.'

Fechei os olhos, lutando contra a vontade de gritar. Qualquer coisa para abafar o maldito ruído na minha mente.

"Vamos lá." Olhei para cima e vi que a Maya já estava de pé novamente. Ela estendeu a mão para mim. "Vamos tomar uma."

Balancei a cabeça. "Não tô a fim."

Ela se agachou e fixou seus olhos castanhos em mim. "Quando sua treinadora manda você fazer algo, qual é a sua resposta?"

Revirei os olhos, lembrando a regra que ela me ensinou no nosso primeiro treinamento. "Maya, isso não é..."

"Qual. É. A. Sua. Resposta?"

Suspirei. "Sim, Senhorita Cartridge."

Os lábios dela se contraíram em um quase sorriso e ela estendeu a mão para mim. "Vamos."

"Tô fedendo," reclamei fracamente.

Ela franziu o nariz como se tivesse acabado de notar. "Tem razão, tá mesmo."

Ela balançou a mão impacientemente e finalmente a segurei, deixando que ela me puxasse para ficar de pé.

Estávamos sentadas na varanda atrás dos dormitórios da SDS. A Maya surgiu com uma garrafa elegante de Cabernet Sauvignon e bebíamos em copos de plástico da cafeteria, enquanto o céu escurecia ao cair da noite e uma brisa fresca tocava nossa pele.

O silêncio não era desconfortável. Na verdade, era até agradável, até que a Maya quebrou o silêncio. "Então, quer me contar por que você tá tentando se matar e destruir um boneco de treinamento no seu dia de folga?"

Eu exalei, olhando para o meu copo, que eu girava levemente na mão, observando o líquido se mover.

"É uma longa história," eu disse suavemente.

Ela se recostou, cruzando os braços. "Então, sorte sua que eu sou uma boa ouvinte."

Balancei a cabeça. "Eu não..."

"Sua treinadora te pediu pra fazer uma coisa, Sera."

Olhei para ela. Apesar da expressão normalmente severa, os olhos dela tinham uma suavidade que eu nunca tinha visto antes.

"Sim, Senhorita Cartridge."

As palavras começaram a sair de mim, hesitantes no início, depois rápidas e incontroláveis.

Contei tudo a ela.

A noite em que baixei a guarda, perdi minhas inibições para a bebida e cometi um erro irreversível dez anos antes. O castigo que veio depois, incluindo como minha família se afastou de mim, como fui marcada como uma desgraça e como passei os últimos dez anos sozinha, sem amor e sem valor.

Contei sobre o retorno da Celeste e sobre como, de alguma forma ,continuei sendo a vilã da história deles mesmo após o divórcio.

Não ousei olhar para ela quando terminei.

Eu não conhecia a Maya muito bem, mas ela me parecia ser uma pessoa disciplinada, íntegra, que valorizava a honestidade e detestava fraquezas. Eu esperava que ela titubeasse, que se afastasse, que me olhasse com o mesmo desdém com o qual fui olhada minha vida inteira.

Mas ela não fez isso.

Em vez disso, soltou um suspiro suave e disse: "Você passou por um inferno."

Pisquei, olhando para ela.

"Claro que você cometeu erros, Sera. Quem não comete?" ela continuou. "Mas não ter loba... Isso não é culpa sua. E naquela noite? Até onde eu sei, é preciso pelo menos duas pessoas pra fazer sexo e, a menos que você seja a Virgem Maria, não fez o Daniel sozinha."

Soltei uma risada fraca com a observação ela.

Capítulo 28 1

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