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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 29

PERSPECTIVA DO KIERAN

Fiquei olhando o símbolo que indicava que a minha mensagem tinha sido lida e me perguntando por que diabos eu tinha enviado a mensagem para começo de conversa.

Eu sabia que não haveria a indicação de "digitando" nem resposta alguma. Por que haveria? Eu realmente esperava que uma mensagem de feliz aniversário e aquelas palavras sem sentido 'Espero que esteja bem' resolvessem tudo?

Depois do que eu disse a ela, depois do que fiz, como é que isso poderia ser o suficiente?

Toda vez que eu fechava os olhos, via o rosto dela. Não a Sera endurecida que me afastou nesses últimos meses, não a mulher desafiadora que olhava para mim com gelo no olhar. Não, naquele dia, ela parecia... destroçada, despedaçada de uma forma que eu nunca tinha visto antes, nem mesmo quando pedi o divórcio ou quando tivemos que mandar o Daniel para longe.

E era culpa minha.

A bochecha avermelhada da Celeste e a sua história marcada por lágrimas acenderam uma raiva tão cegante em mim que eu não tinha parado para questionar, não tinha considerado que poderia haver outro lado.

Invadi a casa da Sera e, Deuses, explodi. Cada palavra cruel foi uma arma empunhada por causa da Celeste.

Mereci aquele segundo tapa. Merecia muito pior.

Mas nada me preparou para a dor nos olhos da Sera. Aquela dor realmente cortou. O jeito como cada palavra tremia enquanto ela lutava para se manter firme e como ela disse que preferia ter transado com um estranho naquela noite em vez de comigo.

A porta batendo na minha cara foi o alerta que eu precisava. Naquele momento, entendi exatamente até onde me atrevi a ir. Mas, quando levantei a mão para bater na porta, para implorar perdão, o som dos soluços dela através da madeira roubou toda a minha coragem.

Aquele choro, arfante e entre soluços, doeu mais do que qualquer golpe físico poderia.

"Covarde," meu lobo, Ashar, zombou de mim.

Os dias se misturavam, cada um mais pesado com arrependimento do que o anterior. Hoje, o aniversário dela foi minha desculpa fraca para tentar um contato.

Encarei a tela do meu celular e, mesmo sabendo que era inútil, esperei.

Até um 'Vai pro inferno' teria bastado. Teria me dado algo, uma abertura, a chance de dizer a única coisa que eu não tive a decência de dizer naquele dia: 'Me desculpa'.

Mas a tela continuava escura. Nada apareceu.

Tudo bem então.

Eu não merecia uma saída fácil mesmo. Eu a tinha machucado fisicamente, então o certo era pedir desculpas pessoalmente.

Enquanto entrava no carro, a ideia de ver a Sera de novo me deixava inquieto. Eu nem sabia o que planejava dizer, se é que qualquer palavra poderia desfazer aquelas coisas horríveis que eu disse.

Tentei ensaiar as frases no caminho mas, quando a casa dela surgiu, minha mente ainda estava em branco.

Eu estava prestes a estacionar quando pisei no freio.

Um Aston Martin familiar surgiu na minha frente. Fiquei tenso, observando enquanto o motor desligava e o Lucian, o maldito Lucian Reed, saía do lado do motorista.

Cerrei os dentes, a raiva irracional apertando meus músculos. O cara estava em todos os lugares, como uma mosca zumbindo em torno da Sera.

Ele foi até o lado do passageiro e abriu a porta com um gesto exagerado, fazendo uma leve reverência.

Minha respiração falhou quando a Sera saiu do carro e a risada musical dela flutuou no ar da noite em um contraste chocante com aqueles soluços dolorosos que eu não conseguia tirar da cabeça.

Ouvi meu lobo, Ashar, murmurar: "Olha só, o Lucian faz ela rir. Você só a faz chorar."

Fechei a janela para silenciar o som.

Os braços da Sera estavam cheios de flores, pequenos presentes e doces embrulhados em celofane brilhante. Suas bochechas estavam coradas e eu queria desesperadamente culpar o frio, mas a noite estava quente. E aquele sorriso genuíno, despreocupado e radiante que ela lançou para o Lucian bateu em mim como um soco no peito. Eu nunca tinha visto ela sorrir assim, nunca. Que droga.

Eu observei enquanto o Lucian estendia o braço, aliviando um pouco da carga que ela carregava. Não era à toa que ela parecia tão feliz. Ela tinha comemorado o seu aniversário e provavelmente ele comemorou com ela, algo que eu nunca fiz em dez anos de casamento.

Eles andaram lado a lado até a porta, sorrindo um para o outro. A cena era tão adorável que me deu uma sensação desagradável no estômago, uma mistura de ciúmes, amargura e aquele arrependimento constante.

"Isso é bom, não é?" Ouvi o Ashar sussurrar. "É o que você quer, certo?" Ashar era tudo que havia de melhor em mim: poderoso, honrado, nobre. Duvido que ele aprovasse minha natureza humana extremamente falha.

E, como sempre, ele estava certo. Isso era bom. Era para o melhor. A Sera tinha encontrado outra pessoa e ela finalmente poderia seguir em frente, afinal, ela merecia isso.

E facilitaria o meu compromisso com a Celeste. Sem complicações pendentes. Sem passado emaranhado.

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