Entrar Via

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 30

PERSPECTIVA DO LUCIAN

Eu podia perceber pela forma tensionada dos ombros dele que o Kieran estava se segurando por um fio.

O infame Alfa dos NightFang, conhecido pelo poder capaz de abalar campos de batalha, estava a um passo de quebrar meu pescoço ali mesmo.

Mas eu não recuei. Não podia me dar a esse luxo, não com o futuro da Sera em jogo.

"Não tô aqui pra te provocar", eu disse calmamente, olhando para o copo que ele segurava com muita força. "Mas tem verdades que você precisa ouvir, goste ou não. E, pra começar, isso nem é sobre você."

Os olhos dele brilharam, afiados e selvagens como um animal encurralado. "Cuidado, Lucian."

Assenti uma vez. "Pela Sera, eu terei."

Eu não era impulsivo ou bruto como o Kieran, eu sabia como jogar um jogo longo, o que significava escolher minhas lutas com sabedoria. "Mas não vou me calar."

Passei a tela do meu celular, mudando dos vídeos do treinamento para a análise do desempenho da Sera.

Seus números eram impressionantes. Mais do que impressionantes, eram excepcionais. Ela tinha um talento natural, era incansável e determinada e absorvia tudo o que a Maya e eu ensinássemos para ela e avançava mais forte. Não importava quantas vezes caísse, ela sempre se levantava.

E, ainda assim, eu sabia que esse não era seu verdadeiro potencial.

Ela carregava um peso, uma mistura de dor, culpa e vergonha profundamente atados dentro de si, pesando sobre ela, segurando-a.

Um fardo dado a ela pelas próprias pessoas que diziam ser sua 'família'.

Eles tinham cortado as asas dela antes mesmo que tivessem a chance de abri-las. Entorpeceram seus instintos, arruinado sua autoestima e a puniram por erros que ela nunca deveria ter carregado sozinha.

Eu não deixaria que fizessem isso de novo. Não se eu pudesse impedir.

"Ela tá prosperando," disse baixinho, sem tirar os olhos do Kieran, que por sua vez não desgrudava do celular. "Mas ela pode ir muito mais longe. Pra ela realmente alcançar todo o seu potencial, você precisa parar de arrastá-la para a bagunça da sua indecisão."

Ele ficou irritado e seus olhos se voltaram rapidamente para mim. "Indecisão?"

Dei de ombros. "Até uma pessoa cega veria que você tá oscilando entre a Sera e a irmã dela como um pêndulo."

Um músculo tremeu no maxilar dele. "Isso não é..."

"Não é da minha conta, sim, você já mencionou." Inclinei-me para a frente. "Mas como eu também já mencionei, tudo que diz respeito à Sera é da minha conta."

Kieran bufou, balançando a cabeça como se não quisesse ouvir. "Você acha que a conhece melhor do que eu? Você a conheceu há o quê? Um mês? Dois?"

"E você foi casado com ela por dez anos e, mesmo assim, eu a vejo com mais clareza do que você jamais viu," respondi, com a voz calma, mas firme.

"Não sei como era a dinâmica do relacionamento de vocês mas, se algum dia, uma parte de você a amou, uma parte de você a respeitou, para de fazê-la reabrir a mesma ferida repetidamente. Deixa ela se curar. "

Então, ele se levantou, com o maxilar cerrado. Eu permaneci sentado. Deixei que ele se erguesse sobre mim se isso o fazia sentir-se melhor.

"Não me interessa quem você acha que é ou o que acha que sabe," ele sussurrou. "Mas meu assunto com a Sera é..."

"E quanto à Celeste?" perguntei.

Uma linha vertical se formou entre as sobrancelhas dele. "O que tem a Celeste?"

Deslizei a tela novamente, desta vez mostrando a avaliação de dois meses de treinamento da Celeste.

"Me parece que você tá focando na mulher errada."

Deixei que ele lesse os dados em silêncio. Os números da Celeste eram incrivelmente baixos, apesar das duas terem acesso ao mesmo treinamento, equipamento e pessoal.

Ela mal conseguia acompanhar o ritmo de um recruta Ômega regular. Ela carecia de disciplina, sua determinação era instável e os seus instintos eram praticamente inexistentes.

"Talvez se você não estivesse tão preocupado com a irmã dela, que não é mais da sua conta, você conseguiria ajudar a Celeste."

Um rosnado baixo escapou dele. "Ela é minha futura Luna. Demostre um pouco de respeito com ela, por favor," ele disse, entre dentes cerrados.

"Não tô aqui pra insultar ou desrespeitar ninguém," eu disse, antes que ele pudesse explodir. "Mas contra fatos não há argumentos e os números não mentem."

Celeste e Sera claramente não tinham a mesma fibra. A Sera tinha o que era necessário para ser grandiosa, formidável.

Ele estendeu o celular para mim. "É o laboratório."

Fiquei tenso por um breve momento antes de pegar o telefone das mãos do Reece e colocá-lo no ouvido.

"Alfa, boa noite."

"Relatório," eu disse.

"Conseguimos o DNA," respondeu um dos assistentes do laboratório. "A amostra que o senhor forneceu estava adequada."

Meus lábios se contraíram. Por 'amostra', ele queria dizer o garfo de bolo da Sera que eu peguei enquanto a ajudava, de forma tão cortês, com seu prato vazio.

"E aí?"

"Exatamente como o senhor previu, os resultados estão alinhando, embora sejam necessárias mais amostras para uma confirmação."

"Certo," eu disse. "Ela trabalha duro na SDS. Continue discretamente. Mas, em hipótese alguma, a saúde dela deve ser comprometida. Entendeu?"

"Entendi, Alfa."

A linha ficou muda.

Olhei para a tela escura à minha frente com uma sensação estranha se enrolando no meu peito. Algo como... esperança.

"E então, já decidiu?" Reece perguntou. "Ou quer esperar os resultados finais?"

Exalei lentamente, refletindo sobre a pergunta.

Os resultados ainda não estavam oficialmente confirmados, mas eu não precisava de papéis para me dizer o que eu já sabia: a Sera era quem eu procurei esse tempo todo. Não porque o destino disse, mas porque eu decidi.

Apenas balancei a cabeça uma vez. Solene. Seguro. "Eu decidi."

Sera era a escolhida, minha tão esperada Luna.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei