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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 31

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

O rosto do Daniel se iluminou no momento em que o vídeo conectou. Só de vê-lo sorrindo meu peito se encheu de algo quente e borbulhante.

"Mãe! Feliz aniversário!"

Eu sorri radiante. "Obrigada, meu amor."

Ele sumiu brevemente da tela e voltou com um grande cartaz onde estava escrito 'FELIZ ANIVERSÁRIO, MÃE!' em caneta brilhante e viam-se pequenas caricaturas que eu presumi serem de mim.

Meus olhos se encheram de lágrimas enquanto ele dizia: "A Vovó disse que eu não podia te mandar por motivos de segurança."

"Tá tudo bem, Danny. Eu adorei, obrigada."

"Você tá linda," ele sorriu, e então arregalou os olhos. "Que roupa é essa?"

Afastei o celular para que ele pudesse ver melhor. "É minha roupa de treinamento."

Era um conjunto preto elegante com detalhes de runas em prateado e elementos de uma armadura. Completei o visual com luvas sem dedos, botas de combate e uma jaqueta curta de couro que eu nunca usava para os treinamentos em si.

Achei um pouco exagerado, mas a Maya disse que o primeiro passo para se sentir incrível era se vestir como tal.

"Uau!" Daniel exclamou, com os olhos arregalados de um jeito que me encheu de orgulho. "Você parece uma heroína de um filme de ação."

Eu ri. "Não exagera."

"Então me conta," ele disse. "Seu aniversário foi bom?"

Sorri, olhando para a pilha de flores e presentes na minha cama, e inclinei a câmera para que o Daniel pudesse ver. "Foi sim. Meus amigos fizeram uma festa surpresa."

Ele ficou maravilhado. "Amigos?"

Eu ri. "Não fique tão surpreso."

Ele balançou a cabeça. "Não, é que..." O sorriso dele era tão largo que ele chegou a fechar os olhos e seu rosto ficou iluminado. "Tô muito feliz que você tem amigos, mãe. Você merece."

Eu sorri. "Obrigada, querido."

O sorriso dele diminuiu um pouco. "Eu queria estar aí, sabe. A gente sempre passa seus aniversários juntos."

"Ah, meu amor. Eu também queria que você estivesse aqui." Ele sempre tornava meu aniversário um pouco menos solitário.

"Mas eu volto logo," ele disse. "Certo?"

Deuses, eu esperava que sim.

Assenti. "Mais rápido do que você imagina. Mal posso esperar."

Eu hesitei, questionando se era uma boa ideia tocar no assunto que eu estava prestes a abordar, mas decidi seguir em frente. "Hum... Você... falou com o seu pai?"

O sorriso do Daniel sumiu na hora e ele desviou o olhar sem responder.

Suspirei. Não importava o que tinha acontecido entre mim e o Kieran, eu não queria que meu filho guardasse ressentimentos do pai.

Kieran pode ter sido um marido distante e um ex ainda pior, mas era um bom pai, apesar das atitudes recentes.

"Querido," eu disse suavemente. "Você deveria falar com seu pai, tá? Ele te ama e tá super arrependido de não ter ido à reunião."

Ele olhou para mim e eu detestei ver que sua expressão havia perdido o brilho. "Ele ao menos te desejou feliz aniversário? Eu disse a ele que precisa te tratar melhor."

Pisquei, processando aquelas palavras.

Ah, então foi por isso que o Kieran mandou aquela mensagem. Não foi por arrependimento ou porque tinha algum sentimento por mim, foi para ficar bem na fita aos olhos do Daniel.

"Ele mandou uma mensagem. Desejou feliz aniversário," falei suavemente, reprimindo a mágoa que subitamente surgiu em mim.

Aquela discussão não era da conta dele. O Daniel não precisava saber das palavras cruéis do Kieran ou de como a Celeste me atacou novamente. O Daniel não precisava de mais esse peso sobre seus pequenos ombros.

A tensão em seu rosto diminuiu. "Ah, que bom. Fico feliz que ele fez isso. Talvez eu fale com ele de novo."

Sorri suavemente. "É uma boa ideia. Eu tenho orgulho de você, querido."

"Então me conta mais sobre a sua festa!" ele exclamou, a animação voltando.

Conversamos por mais um tempo antes de desligarmos, depois que ele prometeu ligar para o Kieran de novo.

Me aconcheguei nos travesseiros com um sorriso de satisfação no rosto. Tinha sido um bom dia. Um dia verdadeiramente bom.

Uma parte de mim estava cética. Eu sabia que merecia felicidade, mas será que realmente tinha esse direito?

A campainha soou pela casa, me tirando do devaneio.

Algo remexeu no meu estômago eu enquanto descia para atender a porta. Pelo amor dos Deuses, se o Kieran ou a Celeste decidissem aprontar alguma no meu aniversário...

Ah.

A Maya estava na minha porta usando... um vestido.

Ela estava sempre imponente com as suas roupas de treino, mas parecia uma deusa com aquele vestido de alcinhas, as sandálias de tira e o cabelo crespo formando um afro exuberante ao redor da cabeça.

Ela empurrou os óculos de sol grandes para o alto da cabeça e sorriu. "Oi, aniversariante."

Minha boca se abriu e um som incrédulo saiu.

"Preparada pra nossa grande maratona de compras?" ela perguntou, com os olhos brilhando.

Pisquei. "Compras?"

Ela assentiu. "Isso mesmo!"

Balancei a cabeça sem acreditar. "Mas... por quê?"

No começo, me senti ridícula. Os vestidos eram justos e brilhavam demais. Mas, então, eu me vi no espelho com um vestido verde esmeralda com um decote profundo nas costas e algo borbulhou dentro de mim.

Eu estava... bonita.

Ninguém nunca se importou com como eu me vestia antes. Eu nunca era convidada para festas ou bailes galas quando estava casada com o Kieran.

A família dele se certificava de me esconder como uma vergonha, um segredo desonroso.

Mas agora? Agora, eu estava sendo vista.

E eu gostei. Era uma sensação incrivelmente maravilhosa.

Maya insistiu para que eu levasse dois vestidos e quatro pares de sapatos de salto com os quais eu mal conseguia andar.

Tínhamos acabado de finalizar as nossas compras quando o dia tomou um rumo inevitável.

Nós a encontramos.

Celeste estava ladeada por duas sombras que reconheci como Emma e Abby. Quando éramos novas, eu as chamava mentalmente de Gretchen Wieners e Karen Smith porque, quando as três estavam juntas, me faziam lembrar das 'Poderosas' do filme Meninas Malvadas.

A Celeste, reprisando seu papel como Regina George, nos olhou de cima a baixo com desdém.

"Ora, ora, ora." Ela olhou para as sacolas nas nossas mãos e zombou. "Olha só quem resolveu brincar de se vestir bem."

Emma sorriu com desdém. "Não importa o que ela vista, Celeste. Lixo em seda ainda é lixo."

Eu me encolhi, pois o comentário doeu mais do que deveria. Velhos reflexos reapareceram e senti minha confiança diminuir.

Mas a Maya deu um passo à frente e com um fogo nos olhos. De repente, apesar do vestido e do salto, ela voltou a ser minha formidável treinadora, a pessoa mais destemida que eu conhecia.

"Fala de novo," ela sibilou, com a voz baixa e perigosa. "Mas, desta vez, olhando nos meus olhos, pra ver o que acontece."

Os olhos da Emma se arregalaram e, então, foi ela quem se encolheu, murchando sob o olhar intenso da Maya.

Celeste não parecia tão abalada, mas sua risada estava sem aquele tom cortante habitual. "Você acha mesmo que vesti-la assim vai mudar alguma coisa? O Kieran já fez sua escolha. Eu sou a Luna dele."

"Parabéns," Maya disse friamente. "Que conquista revolucionária. Você deve estar tão orgulhosa. Quer uma estrelinha?" Do jeito que ela falou, parecia que a Celeste era uma criança e esperava ser elogiada.

Maya deu um passo para trás, voltando a ficar ao meu lado, enquanto a Celeste tentava controlar a raiva evidente.

Minha nova amiga entrelaçou seu braço no meu. "Vamos, Sera," ela disse. "Aqui tá cheirando a insegurança e desespero."

Os olhos da Celeste brilharam de raiva, mas ela não disse mais nada enquanto a Maya me puxava para longe.

Deixei que ela me guiasse, nossos saltos batendo no chão lustroso como se fossem pontos finais.

Eu sentia os olhares ardentes nas minhas costas, mas não olhei para trás.

Celeste estava onde devia estar sempre: atrás de mim.

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