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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 35

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Desde que nos divorciamos, o comportamento do Kieran vinha sendo uma mistura vertiginosa de confusões e irritações. Hoje estava pior. Me abalou profundamente e me desestabilizou de uma maneira que eu não conseguia compreender.

A forma como ele me olhou e me segurou no círculo de meditação e como o Ashar tentou emergir à superfície e falar por ele, tudo isso para ele se afastar e voltar para ela.

Eu não sabia o que isso significava. Na verdade, eu não queria saber.

Quando a porta do Salão da Lua se fechou atrás de nós, me encostei na parede, forçando respirações tranquilizadoras. Expira e Inspira. Expira e Inspira.

Lucian deve ter percebido as perguntas rodopiando na minha mente e as emoções confusas correndo por mim, porque ele se inclinou, com a voz suave e estável. "Sera? Você tá bem?"

Olhei para ele e pisquei como se o estivesse vendo pela primeira vez.

"Eu... senti ela," sussurrei, ainda maravilhada. A sensação já tinha se desvanecido e a memória estava ficando mais nebulosa a cada segundo que passava. Entretanto, não tinha como negar, eu tinha uma loba. Perdida, escondida. Mas estava lá.

Ele sorriu, colocando uma mecha de cabelo solta atrás da minha orelha. O gesto foi estranhamente íntimo e o meu coração acelerou em resposta.

"Temos que comemorar," ele declarou. "Deixa eu te levar pra jantar."

Eu franzi a testa. "Eu a perdi quase imediatamente. Não sei ao certo se há algo pra comemorar."

Ele balançou a cabeça. "Tá brincando? Foi um progresso imenso. Sentir sua loba na primeira tentativa é incrível, Sera!"

Meus lábios tentaram esboçar um sorriso. "Então você acha que eu vou conseguir senti-la melhor com o tempo?"

Ele assentiu. "Com certeza."

Deixei o sorriso escapar: "Sim, sair para jantar parece uma boa ideia."

Ele sorriu de volta: "Passo te buscar às seis." Lucian piscou antes de se virar e seguir pelo corredor.

Quando ele sumiu na dobra do corredor, virei para a porta, me perguntando se o Kieran e a Celeste ainda estavam no Salão da Lua.

A expressão desorientada, perplexa e atrapalhada dele veio à minha mente e balancei a cabeça. O que quer que tenha dado nele... eu queria distância do drama Kieran/Celeste.

Quatro horas depois, estava deitada de braços abertos no colchonete da sala de treinamento, encharcada de suor e lamentando o dia em que Maya Cartridge nasceu.

"Olha só quem tá ficando mais forte," ela brincou, sentando-se ao meu lado e cruzando as pernas.

"Ah, é isso que tá acontecendo?" eu ofeguei. "Porque eu tinha certeza de que estava morrendo."

"Tá brincando? Você passou por aquele último exercício quase tão depressa quanto eu."

Dei uma risada sem fôlego enquanto me sentava. "Hoje senti minha loba durante a meditação."

Os olhos da Maya se arregalaram. "Isso é incrível, Sera!"

Ela se inclinou e me puxou para um abraço. "Eu sabia que você conseguiria."

Ri, me aconchegando no abraço dela. "Não esperava que você fosse fã de abraços."

"Sou cheia de surpresas, querida," ela disse, se afastando.

Eu ri. "O Lucian vai me levar pra jantar pra comemorar... Não, para com isso."

Revirei os olhos enquanto a Maya mexia as sobrancelhas sugestivamente. "Ah, é mesmo? Um jantar romântico, à luz de velas...?"

"Como amigos," eu enfatizei. "Pra comemorar. Eu ia te perguntar se você queria vir."

Depois do que ela insinuou mais cedo e daquele breve momento de ternura no corredor, eu precisava que ela estivesse no jantar conosco como um escudo. Boatos não surgem do nada. Se as pessoas achavam que o Lucian e eu éramos um casal, isso só podia significar que ele...

"Não posso, querida, desculpa."

Eu gemi. "Maya..."

Ela riu. "Não tem nada a ver com você e o Lucian." Ela abaixou a voz. "Eu meio que tenho que ficar fora de vista por um tempo. Não posso ser vista em público, especialmente não com vocês dois."

Eu inclinei a cabeça. "Hein?"

Ela se aproximou e deu um tapinha carinhoso na minha bochecha. "Tudo a seu tempo, querida. Vou te explicar no momento certo."

Eu a olhei, confusa. "Tá bom."

***

Nós evitamos o Luna Noire como se fosse a peste e escolhemos um restaurante charmosinho em Beverly Hills. Era lindo, com um toque vintage, o tipo de lugar onde as conversas eram baixas e a luz de velas suavizava o ambiente.

"A Maya me falou desse lugar," Lucian comentou. "Ela vem muito aqui. Mora perto."

Eu olhei para as velas e discretamente revirei os olhos. "Claro que foi ela."

Jantar com o Lucian não era nada que não tivéssemos feito antes. Contudo, tudo parecia... diferente essa noite.

Lucian estava encantador e gentil como sempre, mas algo nos olhos dele havia mudado. Talvez o problema era que eu ficava repassando as palavras da Maya na minha mente: 'Não vai me dizer que você não percebeu como ele te olha.'

Ou talvez fossem as atitudes dele, que ficava se inclinando mais perto do que o normal, servia vinho para mim sem perguntar e soltava aquele suspiro quase imperceptível toda vez que eu sorria.

O clima acolhedor mudou quando o Lucian olhou por cima do meu ombro e franziu a testa. "Não é seu irmão ali?"

Virei na cadeira e contive um palavrão. Era mesmo o Ethan parado na porta. Ele conversava com o maître na entrada, gesticulando animadamente como se estivesse descrevendo algo.

"Será que existe algum lugar nesta cidade onde não esbarremos em alguém da sua família?" Lucian perguntou. Havia uma pitada de diversão no tom de voz dele, mas eu nem conseguia rir da piada.

Porque ele estava certo. Será que eu tinha um chip de rastreamento no pescoço e não sabia?

Capítulo 35 1

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