PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Desde que nos divorciamos, o comportamento do Kieran vinha sendo uma mistura vertiginosa de confusões e irritações. Hoje estava pior. Me abalou profundamente e me desestabilizou de uma maneira que eu não conseguia compreender.
A forma como ele me olhou e me segurou no círculo de meditação e como o Ashar tentou emergir à superfície e falar por ele, tudo isso para ele se afastar e voltar para ela.
Eu não sabia o que isso significava. Na verdade, eu não queria saber.
Quando a porta do Salão da Lua se fechou atrás de nós, me encostei na parede, forçando respirações tranquilizadoras. Expira e Inspira. Expira e Inspira.
Lucian deve ter percebido as perguntas rodopiando na minha mente e as emoções confusas correndo por mim, porque ele se inclinou, com a voz suave e estável. "Sera? Você tá bem?"
Olhei para ele e pisquei como se o estivesse vendo pela primeira vez.
"Eu... senti ela," sussurrei, ainda maravilhada. A sensação já tinha se desvanecido e a memória estava ficando mais nebulosa a cada segundo que passava. Entretanto, não tinha como negar, eu tinha uma loba. Perdida, escondida. Mas estava lá.
Ele sorriu, colocando uma mecha de cabelo solta atrás da minha orelha. O gesto foi estranhamente íntimo e o meu coração acelerou em resposta.
"Temos que comemorar," ele declarou. "Deixa eu te levar pra jantar."
Eu franzi a testa. "Eu a perdi quase imediatamente. Não sei ao certo se há algo pra comemorar."
Ele balançou a cabeça. "Tá brincando? Foi um progresso imenso. Sentir sua loba na primeira tentativa é incrível, Sera!"
Meus lábios tentaram esboçar um sorriso. "Então você acha que eu vou conseguir senti-la melhor com o tempo?"
Ele assentiu. "Com certeza."
Deixei o sorriso escapar: "Sim, sair para jantar parece uma boa ideia."
Ele sorriu de volta: "Passo te buscar às seis." Lucian piscou antes de se virar e seguir pelo corredor.
Quando ele sumiu na dobra do corredor, virei para a porta, me perguntando se o Kieran e a Celeste ainda estavam no Salão da Lua.
A expressão desorientada, perplexa e atrapalhada dele veio à minha mente e balancei a cabeça. O que quer que tenha dado nele... eu queria distância do drama Kieran/Celeste.
Quatro horas depois, estava deitada de braços abertos no colchonete da sala de treinamento, encharcada de suor e lamentando o dia em que Maya Cartridge nasceu.
"Olha só quem tá ficando mais forte," ela brincou, sentando-se ao meu lado e cruzando as pernas.
"Ah, é isso que tá acontecendo?" eu ofeguei. "Porque eu tinha certeza de que estava morrendo."
"Tá brincando? Você passou por aquele último exercício quase tão depressa quanto eu."
Dei uma risada sem fôlego enquanto me sentava. "Hoje senti minha loba durante a meditação."
Os olhos da Maya se arregalaram. "Isso é incrível, Sera!"
Ela se inclinou e me puxou para um abraço. "Eu sabia que você conseguiria."
Ri, me aconchegando no abraço dela. "Não esperava que você fosse fã de abraços."
"Sou cheia de surpresas, querida," ela disse, se afastando.
Eu ri. "O Lucian vai me levar pra jantar pra comemorar... Não, para com isso."
Revirei os olhos enquanto a Maya mexia as sobrancelhas sugestivamente. "Ah, é mesmo? Um jantar romântico, à luz de velas...?"
"Como amigos," eu enfatizei. "Pra comemorar. Eu ia te perguntar se você queria vir."
Depois do que ela insinuou mais cedo e daquele breve momento de ternura no corredor, eu precisava que ela estivesse no jantar conosco como um escudo. Boatos não surgem do nada. Se as pessoas achavam que o Lucian e eu éramos um casal, isso só podia significar que ele...
"Não posso, querida, desculpa."
Eu gemi. "Maya..."
Ela riu. "Não tem nada a ver com você e o Lucian." Ela abaixou a voz. "Eu meio que tenho que ficar fora de vista por um tempo. Não posso ser vista em público, especialmente não com vocês dois."
Eu inclinei a cabeça. "Hein?"
Ela se aproximou e deu um tapinha carinhoso na minha bochecha. "Tudo a seu tempo, querida. Vou te explicar no momento certo."
Eu a olhei, confusa. "Tá bom."
***
Nós evitamos o Luna Noire como se fosse a peste e escolhemos um restaurante charmosinho em Beverly Hills. Era lindo, com um toque vintage, o tipo de lugar onde as conversas eram baixas e a luz de velas suavizava o ambiente.
"A Maya me falou desse lugar," Lucian comentou. "Ela vem muito aqui. Mora perto."
Eu olhei para as velas e discretamente revirei os olhos. "Claro que foi ela."
Jantar com o Lucian não era nada que não tivéssemos feito antes. Contudo, tudo parecia... diferente essa noite.
Lucian estava encantador e gentil como sempre, mas algo nos olhos dele havia mudado. Talvez o problema era que eu ficava repassando as palavras da Maya na minha mente: 'Não vai me dizer que você não percebeu como ele te olha.'
Ou talvez fossem as atitudes dele, que ficava se inclinando mais perto do que o normal, servia vinho para mim sem perguntar e soltava aquele suspiro quase imperceptível toda vez que eu sorria.
O clima acolhedor mudou quando o Lucian olhou por cima do meu ombro e franziu a testa. "Não é seu irmão ali?"
Virei na cadeira e contive um palavrão. Era mesmo o Ethan parado na porta. Ele conversava com o maître na entrada, gesticulando animadamente como se estivesse descrevendo algo.
"Será que existe algum lugar nesta cidade onde não esbarremos em alguém da sua família?" Lucian perguntou. Havia uma pitada de diversão no tom de voz dele, mas eu nem conseguia rir da piada.
Porque ele estava certo. Será que eu tinha um chip de rastreamento no pescoço e não sabia?
Os olhos dele se arregalaram enquanto ele cambaleava para trás e os pés se elevaram do chão por um instante antes de ele colidir com a mesa vazia atrás dele. Meus olhos também se arregalaram com o fato de que eu tinha feito um Alfa adulto voar quando abrir um pote de maionese era meu ponto fraco.
Ethan me encarou, chocado, e eu olhei para as minhas mãos com a mesma surpresa. Meu coração palpitava e a respiração ficou presa. Eu estava eletrizada.
"Mas que porra foi essa, Sera?" ele exclamou, endireitando-se. O restaurante inteiro nos observava, intrigado com o espetáculo que estávamos proporcionando.
"Você é uma das quatro pessoas que não têm o menor direito de se meter na minha vida. Você não é meu irmão, e nada, absolutamente nada, do que eu faço te diz respeito. Da próxima vez que me vir em público, agradeceria se cuidasse da sua vida."
A boca do Ethan se abriu... e depois se fechou. Ele respirou fundo e eu vi o lobo cintilar nos seus olhos. O maxilar dele se apertou, seus olhos escureceram, ele se virou e foi embora.
Fiquei parada muito tempo depois que o Ethan desapareceu pelas portas, muito depois que os espectadores voltaram às suas refeições.
No primeiro momento, o Lucian não falou nada, apenas colocou a mão suavemente no meu braço.
"Tô bem," sussurrei. Mas eu tremia, desta vez por outro motivo.
"Eu a senti," disse, virando-me para ele. "Minha loba... Foi fraco, mas... ela se agitou quando o empurrei."
Olhei para minhas mãos, admirada. "Isso é força."
Lucian sorriu, orgulhoso. "Isso sim é motivo pra comemorar."
***
Saímos do restaurante e fomos a um bar a cerca de dez minutos de distância do que o Lucian apontou ser o prédio da Maya.
O álcool corria solto, com o Lucian propondo brinde atrás de brinde. Minhas bochechas estavam quentes e a adrenalina havia se transformado em algo quase eufórico.
Eu não bebia assim há muito tempo e me sentia absurdamente feliz.
"Bom," Lucian riu, tomando meu copo da minha mão. "Acho que é hora de dar um tempo."
"Não," eu reclamei, segurando a cabeça com as mãos, já que estava pesada demais para se segurar sozinha. "Estamos comemorando."
"Vamos pegar leve, tá bom?" ele disse, afastando o cabelo do meu rosto. "Eu tenho a sensação de que, com você, teremos mais motivos pra comemorar."
"Não entendo," murmurei, as palavras saindo enroladas. "Por que você me trata tão bem? O que você ganha com isso?"
Lucian não respondeu de imediato. Ele se recostou e me observou com um olhar que fez o meu estômago estremecer... Ou talvez fosse o álcool.
Pisquei uma, duas vezes, mas as bordas do mundo começaram a se desfocar. O fundo do bar derreteu em algo meloso e sonolento.
Minha cabeça caiu para o lado e a última coisa que senti foi a mão firme e cuidadosa do Lucian amparando minha cabeça antes que a escuridão me levasse ao sono.
E, através da névoa, ouvi as palavras, mas mal as compreendi. "Eu quero você como minha Luna."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...