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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 36

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Acordei com a boca seca e os membros pesados, como se tivesse dormido por mil anos, e mal consegui me arrastar de volta para o mundo. O leve cheiro de açafrão e eucalipto enchia o ar, deixando-o calmante e reconfortante.

Definitivamente essa não era a minha casa.

Pisquei contra a suave luz da manhã que entrava pelas cortinas entreabertas e me sentei devagar, segurando a beirada do sofá. Reconheci aquele cheiro, que associava à minha nova amiga e treinadora impressionante.

Estava no sofá da Maya.

Primeiro, senti alívio. Nada de lençóis desconhecidos nem arrependimentos da noite anterior. Eu estava totalmente vestida, meus sapatos estavam arrumados junto à porta e alguém tinha me coberto com uma manta.

Sem batom borrado, sem gosto de outra boca na minha, nada que indicasse que eu tinha feito alguma loucura.

"Graças aos Deuses," sussurrei.

Raramente me entregava ao álcool como fiz na noite passada. Depois do que aconteceu com o Kieran há dez anos, poucas vezes fiquei embriagada, temendo cometer mais um erro devastador.

Mas então, inexplicavelmente, além do alívio, senti... decepção?

Não conseguia entender esse sentimento. Acho que, com tudo o que aconteceu entre o Lucian e eu, uma parte de mim queria... que algo acontecesse.

Lucian me olhou na noite anterior como se me visse, como se realmente me visse. Não como a ex do Kieran, não como a filha problemática e distante da família Lockwood, mas como uma mulher, que estava mudando, crescendo, se descobrindo.

E eu gostei. Na verdade, eu adorei.

Encostei-me nas almofadas do sofá e soltei um suspiro. Talvez eu tenha deixado a Maya mexer demais com a minha cabeça e imaginei tudo aquilo. Talvez o calor no olhar do Lucian fosse apenas sua gentileza e sua lealdade. Talvez eu estivesse projetando minhas esperanças no único homem que não me tratou como alguém sem importância na minha vida.

Eu tinha que estar muito desesperada mesmo para desejar ter tido uma noitada com ele estando embriagada.

Antes que os meus pensamentos pudessem se descontrolar ainda mais, a porta da frente rangeu ao se abrir.

Maya entrou, equilibrando dois copos de café e uma sacola de papel. A sacola tinha o mesmo logo do restaurante em que estivemos na noite anterior. Acho que ela realmente era uma cliente fiel.

"Olha quem tá viva", brincou, colocando a sacola na mesa de centro e me oferecendo um copo.

Aceitei de bom grado. "Que horas são?"

"Tarde", respondeu ela, caindo no sofá ao meu lado. "Mas vou dizer que você mereceu essa moleza."

Levantei uma sobrancelha. "Sério?"

Ela me lançou um sorriso maroto, dando de ombros. "Aproveita enquanto pode. Amanhã cedo recomeçamos aqueles treinos infernais."

Gemendo, me joguei para trás. "Eu te odeio."

Ela me mandou um beijo.

Dei um gole no café, sentindo o calor e a cafeína despertarem meu corpo lento. "Como vim parar aqui?" perguntei suavemente.

"O Lucian te trouxe," ela respondeu. "Te carregou até aqui como um verdadeiro cavaleiro de calças vincadas, te colocou no sofá e se certificou de que você estava confortável. Não saiu daqui até que eu prometi ligar se você vomitasse ou respirasse estranho."

Meu coração disparou. "Entendi."

Ela levantou a sobrancelha, aqueles olhos afiados percebendo demais. "Por que a cara triste?"

Balancei a cabeça e me arrependi no instante em que ela latejou.

"Ah, entendi," Maya refletiu, com um sorriso malicioso. "Você esperava acordar em outro lugar." Ela piscou. "Quem sabe, na cama do Lucian Reed?"

Minhas bochechas queimaram instantaneamente. "Não, Maya. Nossa!"

Ela riu. "Tá bom. Eu acredito em você, é claro."

Suspirei. "É que você me disse várias coisas e... eu pensei que talvez..." Olhei para o meu café. "Será que interpretei errado?"

Maya inclinou a cabeça, me analisando como se pudesse ver a verdade escondida no meu peito. "Não, querida. Não interpretou errado. Mas acho que você tá se perguntando por que ele não foi além."

Assenti com a cabeça.

"Porque você tava bêbada," ela disse simplesmente. "E o Lucian é muita coisa: estrategista, visionário, um diabo charmoso, mas ele não é do tipo que se aproveitaria de alguém que não está totalmente no comando das suas escolhas."

Isso... fazia sentido.

E me fez sentir algo completamente diferente. Minha admiração pelo Lucian quadruplicou.

Maya se inclinou para frente. "O que aconteceu com o 'somos apenas amigos'? Você quer algo mais, Sera?"

Mordi o lábio inferior, sem saber como responder. "Eu... não sei. E se eu quiser tentar algo com ele? E se eu me arrepender de não ter falado nada ontem à noite?"

Maya se recostou e sorriu, parecendo particularmente orgulhosa de si. "Então, fale algo hoje. Amanhã. Quando quiser. Só... não deixe isso te corroer."

Soltei uma risada suave. "Você faz parecer fácil."

"Porque é. Não precisa complicar mais do que realmente é complicado."

"Caso você não tenha percebido, eu não sou exatamente o auge do charme feminino," eu disse. "Ele é um Alfa polido e poderoso. Eu sou..." Dei de ombros, aquela autocrítica familiar tomando conta de mim. "Eu."

Maya franziu a testa. "Olha, primeiro de tudo, credo. Não fale de si mesma desse jeito de novo. Segundo, Lucian não é desses caras superficiais que só querem uma mulher estilo bibelô. Se ele quisesse alguém bonita e vazia, ele teria facilmente. Mas ele tá grudado em você igual chiclete no sapato, mesmo que, sem querer ofender, amiga, você não tenha sido lá muito receptiva."

A observação me fez rir e ela me cutucou com o cotovelo.

"Escuta," ela disse mais suavemente, "você tem o direito de querer certas coisas. Você tem o direito de se sentir desejada. E, acredita em mim, Sera, você é desejável. Você não precisa provar nada, pelo menos não pro homem certo."

Eu olhei para ela, admirada, sem acreditar que alguém neste mundo me enxergava dessa forma.

Capítulo 36 1

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